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Publicado em 10/05/2014 - 00h49
Última atualização em 10/05/2014 - 00h50

O traje robótico que abrirá a Copa

Tecnologia nacional dará show no jogo de abertura e permitirá que paraplégico dê chute em bola

Falta pouco mais de um mês para a abertura da Copa do Mundo no Brasil. Enquanto torcedores, turistas e jogadores se preparam para grandes emoções, há um time de cientistas e pacientes também se preparando ansiosamente para entrar em campo. No dia 12 de junho, em São Paulo, o chute inicial da competição será dado por uma pessoa paraplégica, sem movimento nas pernas. Ela irá se levantar da cadeira de rodas, caminhar alguns metros no campo e então chutar uma bola. A proeza será possibilitada por um exoesqueleto, um traje tecnológico, resultado de anos de pesquisa de um grupo internacional coordenado por um brasileiro, o neurocientista Miguel Nicolelis.

Usando sensores especiais, atuadores e software vindo de pesquisas avançadas de robótica, o exoesqueleto funciona integrado com o próprio cérebro de quem o veste. Um capacete equipado com eletrodos capta impulsos elétricos dentro da cabeça do usuário e os transforma em comandos para movimento. A máquina é operada através destes impulsos cerebrais, e a proeza de ficar em pé e caminhar é possibilitada pelo mesmo tipo de tecnologia que equipa robôs como o Asimo da Honda.

O traje foi desenvolvido dentro do projeto Andar de Novo, desenvolvido por uma equipe multidisciplinar dentro do Instituto Internacional de Neurociências de Natal, instituição criada por Nicolelis no Nordeste em parceria com institutos de pesquisa brasileiros e estrangeiros. A demonstração na Copa ilustra um dos propósitos do projeto, criar tecnologias para ajudar pacientes com lesões neurológicas motoras.
 
NA CABEÇA - A operação do traje é feita pelo próprio usuário, através de comando cerebral. Uma rede de eletrodos em volta da cabeça capta impulsos do cérebro e os converte em comandos para acionar o traje.
 
PERNAS - À parte a interface neurológica, o traje usa tecnologia de robótica para tracionar as pernas. O equilíbrio é garantido pelo mesmo tipo de software que está presente em robôs como o japonês Asimo.
 
SENSAÇÕES - O usuário recebe o retorno de sensações tácteis através de painéis flexíveis colocados em seu tórax ou outros pontos em que tenha sensibilidade
 
SENSORES - Os pés do traje possuem detectores que passam informações sobre textura do terreno e outros detalhes para o painel que fica em contato com a pele de quem veste o traje
 
Construindo o sonho

O cientista brasileiro Miguel Nicolelis desenvolveu carreira em instituições do exterior e depois conseguiu angariar verba para criar um grande instituto de pesquisa no Nordeste. O projeto Andar de Novo é um dos que estão sendo desenvolvidos ali. A ideia é desenvolver tecnologias para ajudar pacientes com limitações severas de origem neurológica.
 
Dois trajes de teste e um modelo fixo
 
O exoesqueleto tem pouco menos de 1,80 metro de altura e pesa menos de 100 quilos, mas o peso não é notado pelo usuário porque os motores do traje o mantêm em pé e equilibrado. São dois trajes de teste, mais um modelo fixo que fica no laboratório, que foi usado para treinar os usuários.
 
 
TESTE - Desde o início do ano oito pacientes estão passando por um processo de treino e acompanhamento com o traje. Um deles será o escolhido para entrar em campo para a demonstração na cerimônia de abertura.