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Grupo Sinos
Publicado em 28/10/2014 - 07h30
Última atualização em 28/10/2014 - 17h15

Soltura de menor que participou de saidinhas de banco abre impasse

Embaraço é entre Judiciário, promotoria e polícia de Novo Hamburgo

Sílvio Milani - silvio.milani@gruposinos.com.br

Foto: Rivelino Meireles/GES
A soltura do menor da saidinha de banco provocou embaraço entre Judiciário, Ministério Público e Polícia Civil em Novo Hamburgo.A juíza da Vara da Infância e da Juventude, Ângela Martini, não gostou das considerações do promotor plantonista, Sandro de Souza Ferreira, que liberou o adolescente de 17 anos no sábado sob argumento de que não havia determinação de internação por parte do juizado dela. Por meio da assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça, a magistrada declarou que Ferreira, como plantonista, não precisava aguardar por uma decisão do Juizado. Ângela frisou que o MP tinha o laudo de apreensão e o processo para dar seu parecer. Declarou ainda que o processo chegou ao Foro, na semana passada, e foi direto ao MP, como é de praxe. Já o promotor disse que não pode falar.
 
A titular da Promotoria da Infância e da Juventude, Lisiane Messerschmidt Rubin, pegou ontem o processo e anunciou decisão para hoje, que pode ter pedido de internação na Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase). Ou seja, existe a possibilidade de ela reverter a conclusão do colega. “Faltou diálogo. No dia do tiroteio e hospitalização do menor (quarta-feira), se a Polícia tivesse entrado em contato comigo, talvez eu tivesse resolvido de outra forma. Não precisaria ter entrado no plantão, sábado, quando o adolescente recebeu alta hospitalar.” Ela observa que cada promotor tem seu entendimento. O delegado da 1ª DP, Nauro Marques, contesta a promotora. “No momento da prisão, foi cientificado o MP.” O chefe de Investigação, inspetor José Urbano Lourenço, reforça. “Foi falado mais de uma vez para ela na quarta. Ela disse que ia aguardar a alta médica para se manifestar. Pode ter faltado diálogo entre os promotores.” 
 
 
Além da falta de pedido de internação por parte do Juizado da Infância e da Juventude, o promotor usou o argumento de que não houve consumação do roubo para liberar o adolescente. Conforme ele, não havia elementos suficientes para pedir a internação no plantão. “Realmente não houve roubo porque evitamos. Só que teve outro crime, que foi tentativa de homicídio contra os policiais, que foram recebidos à bala pelo menor. Talvez o promotor não tenha se dado conta, mas esse delito poderia ter ensejado a internação”, contrapõe o delegado Nauro Marques. 
 
O adolescente, baleado na perna em tiroteio com policiais após tentativa de roubo a um empresário que havia sacado R$ 18 mil no Centro de Novo Hamburgo, teria voltado para casa, na capital.O condutor da moto, Ivan de Oliveira Vargas, 27, alvejado no abdome, permanece hospitalizado. Segundo a Polícia, os dois fazem parte do grupo responsável pela onda de saidinhas de banco em Novo Hamburgo e São Leopoldo. A libertação do menor, com antecedentes por tráfico, roubo e motim na Fase, provocou revolta na sociedade. Ontem à tarde, o movimento #PazNovoHamburgo se reuniu com a juíza Ângela Martini para reivindicar mais rigor contra adolescentes criminosos.

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