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Publicado em 31/12/2014 - 00h01
Última atualização em 31/12/2014 - 00h15

Operação Big Hero

Filme Big Hero 6 mistura a Disney com a Marvel

O desenho Operação Big Hero à primeira vista não tem cara de Disney. É todo calcado em animês, com uma cara de animação japonesa, fala de super-heróis e tem um jeitão ao qual os fãs do estúdio do Mickey não estão acostumados. Tudo isso tem explicação. É uma das primeiras tentativas de aproximar o núcleo de animação da Disney com as temáticas da Marvel, que foi recentemente comprada pelo grupo. O filme é baseado em Big Hero 6, história em quadrinhos sobre um supergrupo de adolescentes japoneses. Mas esta versão de telona é bem diferente. E até bem interessante.

O garoto Hiro mora em San Fransokyo, uma mistura de São Francisco com Tóquio, espécie de versão orientalizada dos EUA. Ele tem talento para eletrônica e gosta de fazer robôs, com os quais participa de lutas no underground para ganhar dinheiro fácil. Órfão, mora com a tia e sua referência é o irmão, que estuda engenharia em uma universidade. Quando ele resolve ouvir o conselho do mano e se interessar pelos estudos, acontece uma tragédia. O irmão morre em uma explosão. Enquanto passa pelo luto, Hiro encontra entre os objetos deixados por ele o robô médico inflável BayMax. Ele o inspira a procurar amigos e tentar esclarecer o mistério da morte do irmão. Para isso, acaba criando um supergrupo de nerds.

Logo pelo resumo dá para ver que o filme definitivamente não tem cara de Disney. Os críticos têm definido Operação Big Hero como um híbrido entre as narrativas tradicionais do estúdio e as da Marvel. Em um certo sentido, lembra algumas tentativas malogradas da Disney de fazer animações tecnológicas, como A Família do Futuro e O Galinho Chicken Little. O traço também tem um pouco em comum com a linha mais tradicional, lembrando Enrolados. Mas a qualidade da animação é estupenda. É o filme da Disney com a melhor renderização. A iluminação e a textura das imagens são muito boas mesmo.

A história é direta e sem muitas complicações. É uma trama bem simples de heróis, destinada ao público pré-adolescente que costuma ser um dos filões da Disney. Mas tem algumas coisas que roubam o show. Uma delas é o robô BayMax. Meio desajeitado, mas com sua missão de ajudar quem quer que seja, ele é altamente carismático, misturando paternalismo com ingenuidade. Lá pelas tantas, Hiro tenta transformá-lo em um herói lutador, o que rende algumas cenas que lembram Kung Fu Panda, do estúdio concorrente DreamWorks.

Operação Big Hero vale a visita ao cinema, não só para conferir a animação incrivelmente detalhada mas para se deixar embalar pela proposta de renovar as temáticas que costumam ser exploradas pela Disney. Infelizmente só está passando dublado, já que a galerinha é o principal público-alvo. Como a iluminação e a cor são algo para conferir, talvez seja melhor você evitar as cópias em 3D, que tornam tudo mais escuro e afetam o colorido.