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Grupo Sinos
Publicado em 28/03/2015 - 15h36
Última atualização em 29/03/2015 - 09h41

Grandes empresas estariam sendo investigadas por suspeita de propina

Algumas das companhias informaram que não possuem conhecimento das investigações que estão acontecendo na Receita Federal

Bancos, montadoras, gigante da alimentação, da metalurgia e mineração e da comunicação seriam alvos da operação contra supostos casos de propina que teriam envolvimento dentro da Receita Federal, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Segundo o jornal O Estado de S. Paulo (Estadão), baseado em "informantes", os bancos Bradesco, Santander, Safra, Pactual e Bank Boston, as montadoras Ford e Mitsubishi, além da BR Foods - dona de marcas como Sadia e Perdigão - são algumas corporações que estariam sendo investigadas na Operação Zelotes, deflagrada nesta semana pela Polícia Federal. Na relação das empresas listadas na Operação Zelotes, também de acordo com o jornal, constariam ainda Petrobras, Camargo Corrêa, a Light - distribuidora de energia do Rio de Janeiro -, e as gaúchas Gerdau e Grupo RBS.

Em resposta a estas denúncias de supostos envolvimentos, a maioria das empresas informou não ter conhecimento do assunto.
 
Conforme informações do Estadão, o grupo de comunicação RBS estaria sendo investigado pelo suposto pagamento de R$ 15 milhões, que visaria reduzir um débito fiscal de R$ 672 milhões para cerca de R$ 150 milhões. Sobre a operação, o Grupo RBS emitiu o seguinte comunicado: "O Grupo RBS desconhece a investigação e nega qualquer irregularidade em suas relações com a Receita Federal."

Já o grupo Gerdau, ainda de acordo com o Estadão, também estaria na lista de empresas investigadas pela suposta tentativa de anular débitos que chegariam a R$ 1,2 bilhão. Em nota, o grupo Gerdau informou: "Não foi contatado por nenhuma autoridade pública e declarou ter 'rigorosos padrões éticos na condução de seus pleitos junto aos órgãos públicos'".

O banco Safra, que teria dívidas em discussão de R$ 767 milhões, teria sido flagrado negociando o cancelamento dos débitos. Estariam sob suspeita, ainda, processos envolvendo débitos do Bradesco e da Bradesco Seguros no valor de R$ 2,7 bilhões; do Santander (R$ 3,3 bilhões) e do Bank Boston (R$ 106 milhões).
 
De acordo com o Estadão, o esquema funcionaria com o pagamento de propina a integrantes do Carf para que o débito com a Receita Federal fosse retirado. O órgão é como um "tribunal" da Receita, para que produzissem pareceres favoráveis aos contribuintes nos julgamentos de recursos dos débitos fiscais.

A Polícia Federal estima que as supostas fraudes na Receita tenham desviado cerca de R$ 19 bilhões. O novo escândalo superaria o da Operação Lava Jato em R$ 9 bilhões.
 
Processos envolvem bilhões de reais
 
O banco Safra, que teria dívidas em discussão de R$ 767 milhões, teria sido flagrado negociando o cancelamento de débitos. Estariam sob suspeita, ainda, processos envolvendo débitos do Bradesco e da Bradesco Seguros no valor de R$ 2,7 bilhões; do Santander (R$ 3,3 bilhões) e do Bank Boston (R$ 106 milhões). A operação apura também a suposta participação no esquema do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, um dos presos na Lava Jato. Segundo o jornal, ele teria atuado como representante de fornecedores da estatal que estavam em débito com a Receita.
 
‘Facilidades’ negociadas

As investigações começaram em 2013, quando foi descoberta uma organização que atuava no interior do Carf para conseguir a anulação ou redução de valores de multas aplicadas pela Receita Federal. Conforme apurado, servidores repassavam informações privilegiadas para escritórios de assessoria, consultoria ou advocacia, para que fizessem captação de clientes e intermediassem a contratação de “facilidades”. Em várias ocasiões, foi constatado tráfico de influência no convencimento de empresas devedoras ao Fisco. Por enquanto, já foi comprovado que houve desvio de R$ 6 bilhões em nove de 70 processos analisados. Os casos apurados foram relatados no Carf entre 2005 e 2015.

Maioria evita se manifestar

O Santander informou em nota que “a defesa da empresa é sempre apresentada de forma ética e em respeito à legislação aplicável” e que está à disposição dos órgãos competentes para colaborar com esclarecimentos que forem necessários. Bradesco, Bradesco Seguros, Banco Safra, BR Foods,Petrobras, Mitsubishi e Ford preferiram não se manifestar. A Camargo Corrêa informou que desconhece as informações publicadas pelo Estadão e o Bank Boston não foi encontrado. Já a defesa de Cerveró disse que a suspeita é “absurda” e negou relação dele com os julgamentos do Carf.

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