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Grupo Sinos
Publicado em 25/01/2016 - 22:55
Última atualização em 26/01/2016 - 06h45

Notificações de casos dengue é o maior em cinco anos no Estado

Rio Grande do Sul tem 176 cidades infestadas pelo Aedes aegypti

Fábio Radke - fabio.radke@gruposinos.com.br

Foto: AFP
Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e da febre chikungunya
A proliferação do mosquito Aedes aegypti no País já é considerada uma situação de emergência sanitária. Além da dengue, o inseto transmite a febre chikungunya e o zika vírus. No Rio Grande do Sul, mesmo que em escala menor em comparação com outros Estados, o quadro também é preocupante e exige a atenção permanente da comunidade e de órgãos de saúde pública.
Segundo dados do Boletim Epidemiológico, divulgado na última sexta-feira (22) pela Secretaria Estadual de Saúde, nas primeiras três semanas do ano foram computados 265 casos suspeitos de dengue (notificações), dos quais 15 foram confirmados, sendo todos casos contraídos fora do Estado. O número de notificações neste início do ano é o mais alto desde 2011 em solo gaúcho.
Apesar da suspeita de casos de febre chikungunya e zika vírus no Estado, ainda não houve nenhuma confirmação em 2016. No entanto, com a volta da chuva e o tempo abafado, a proliferação do mosquito transmissor destas doenças tende a aumentar.
A dengue entre os gaúchos é preocupante porque diversos municípios do Estado são considerados infestados pelo Aedes aegypti. Na região, este é o caso de Campo Bom, Estância Velha, Novo Hamburgo, Parobé, São Leopoldo, Osório e Tramandaí, todos infestados pelo Aedes aegypti nos últimos 12 meses. Com o mosquito circulando e pessoas infectadas em solo gaúcho, a possibilidade da proliferação das doenças transmitidas pelo inseto aumenta. Por isso, em algumas cidades, como Estância Velha, São Leopoldo e Tramandaí, os agentes de saúde devem ganhar o apoio do Exército no combate ao pequeno e perigoso vilão da saúde.
Volta da chuva exige atenção da comunidade
Recursos como repelentes e inseticidas são importantes para prevenir a picada do mosquito, mas nada é tão importante quanto o combate nos ambientes que permitem a geração das larvas. “É preciso ficar atento porque, geralmente, depois de dias de seca, a incidência da chuva pode contribuir para uma maior eclosão de ovos”, explica o coordenador do Convênio de Prevenção e Combate à Dengue entre Universidade Feevale e Prefeitura de Novo Hamburgo, Paulo Henrique Schneider. A ordem é evitar o acúmulo de água.
Epidemia
Chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica do Estado, Marilina Bercini observa que o começo de ano é uma continuação da epidemia do ano passado. "Temos ainda (além da dengue), o acréscimo das doenças chikungunya e zika vírus, o que aumentou a sensibilidade dos profissionais de saúde. Além disso, temos as condições climáticas favoráveis à reprodução do mosquito", alerta. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, 176 municípios gaúchos são considerados infestados pelo Aedes aegypti. Em todo ano de 2015 foram notificados 4.067 casos suspeitos de dengue, dos quais 1.279 foram confirmados. Destes, 233 eram importados (contraídos fora do Estado) e 1.046 foram autóctones (contraídos no RS).
Ações nas cidades infestadas
CAMPO BOM - Duas notificações de dengue chegaram a ocorrer neste ano, mas não houve confirmação. Estão sendo feitas visitas domiciliares em 100% das residências do município, atendimentos a denúncias, inspeção quinzenal nos 50 pontos estratégicos (borracharias, floriculturas, cemitérios, praças, entre outros), com a delimitação de focos e bloqueio.
ESTÂNCIA VELHA – O município pode aceitar o apoio do Exército no combate aos focos do mosquito. Uma reunião para formalizar a possível parceria com o 19º Batalhão de São Leopoldo está agendada. Os soldados devem reforçar a ação dos 42 agentes comunitários e dois de combate a endemias. O município teve dois casos suspeitos do zika vírus, que não foram confirmados. As duas pessoas tinham viajado para fora do Estado.
NOVO HAMBURGO - Prefeitura informa que, por meio da Secretaria de Saúde (SMS), a partir do Convênio de Combate à Dengue com a Universidade Feevale, vem aumentando o número de agentes de combate à dengue na cidade. Atualmente, são 52 agentes realizando o trabalho de visitação e conscientização junto à comunidade. A notificação para imóveis parados, casas sem uso ou terrenos baldios é feita pela prefeitura, por meio de denúncias ao 156. Imóveis comerciais podem receber multa por depósitos irregulares e outros tipos de situação que possam gerar focos.
OSÓRIO – Um comitê municipal está sendo montado no combate ao mosquito. Dezessete agentes de combate a endemias e 51 comunitários de saúde atuam no controle dos focos. Uma atenção especial também acontece com a praia de Atlântida Sul, que pertence ao município, onde a população aumenta significativamente na temporada.
PAROBÉ - Apesar de não ter havido nenhuma confirmação de larva do mosquito Aedes aegypit em 2016, o município figura entre os 176 considerados infestados nos últimos 12 meses. Vinte e um agentes de endemias realizam vistorias em residências. Há trabalho de prevenção, orientação e promoção de saúde junto aos moradores de todos os bairros do município de Parobé, assim como palestras e divulgações.
SÃO LEOPOLDO – Um comitê municipal de combate à dengue está sendo constituído junto à Secretaria de Obras, Limpeza e Meio Ambiente, agregando ainda a pasta de Educação. De acordo com o secretário de Saúde de São Leopoldo, Júlio Galperim, semanalmente são avaliados possíveis focos pelos 79 agentes comunitários de saúde e 15 agentes de combate a endemias. Uma capacitação em parceria com o Estado ainda está prevista. Vinte soldados do Exército devem reforçar ações de combate no mês de fevereiro.
TRAMANDAÍ – Dezesseis agentes de combate a endemias pretendem vistoriar 1,7 mil imóveis. No mês de fevereiro, o Exército deve atuar no enfrentamento ao Aedes aegypti na cidade.

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