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Quadrinhos

Pérolas da sabedoria pop: Lobo Solitário

Mangá que está voltando às bancas em 2016 tinha, além da bela narrativa por imagens, também lances filosóficos
Foto: Reprodução
Itto Ogami e Daigoro no traço de Goseki Kojima
O blog tem uma seção esporádica chamada Pérolas da Sabedoria Pop, destinada a reunir o fino da filosofia barata de filmes, gibis e programas de tevê. A mensagem edificante do dia é a HQ do Lobo Solitário, que, por sinal, está voltando a ser publicada no Brasil agora em 2016, desta vez pela Panini. 
Lobo Solitário é um mangá (história em quadrinhos japonesa) com roteiro de Kazuo Koike e arte de Goseki Kojima. Foi publicada a partir dos anos 70, mas nos EUA entrou na moda para valer na década de 80. Frank Miller, inclusive, baseou nela seu Ronin, e se confessou um fã. No Japão, houve até filmes.
Lobo Solitário (às vezes, conforme a tradução, Lobo Solitário e Filhote) conta a história de um nobre do Japão feudal, Itto Ogami, que tinha sido executor oficial do xogum mas foi vítima de uma intriga palaciana e teve os bens confiscados e a família chacinada. Ele fugiu com seu filho Daigoro e passou a viver como assassino de aluguel, emprestando sua espada a quem pagasse.
Um grande lance, além da bela narrativa visual, quase sem diálogos, eram as questões morais. Lobo Solitário tratava da moral dúbia do assassino, que podia, por exemplo, ser contratado para matar pessoas honradas. E, de forma chocante, ainda levava o filhinho pequeno para assistir. Às vezes o garoto até usava armas e salvava o pai.
Em uma história, Itto Ogami era contratado para matar um monge budista, um homem bom. Como ficou no dilema entre cumprir o código de assassino aceitando o serviço ou honrar a um ancião sábio e se recusar a matá-lo, Ogami decidiu se consultar com o próprio monge e pedir conselhos a respeito. O budista ensinou que ele precisava se desvincular de qualquer sentimento para a profissão que tinha. Com isso, poderia matá-lo sem problemas, mas precisava meditar antes. E Ogami fez isso.
De um jeito que só as histórias em quadrinhos japonesas sabem fazer, Lobo Solitário é ao mesmo tempo lírico, hiperviolento e, por causa dessa contradição, às vezes nonsense ou mesmo incompreensível. Divertido e esquisito. 
Em outra história, Itto Ogami se saía com uma pérola. Um grupo de nobres de uma cidade, sabendo que ele passava pelas imediações, encasquetou que ele queria matá-los e armou uma emboscada para ele, raptando seu filho e usando o garoto como isca. Quando os viu, foi confrontado pelo líder da cidade perguntando por que queria matá-los. Ogami, que não tinha contrato para os caras, mas acabou lutando com eles por causa do rapto, se saiu com esta:
– Por que a neve cai? As pessoas sentem frio sem saber a razão. A neve que cai não se importa se gela ou não o coração dos homens.
Medite sobre isso.
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