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2016, entre os Jogos e as jogadas

Dos Jogos Olímpicos ao xadrez político, este foi o ano em que tudo esteve em jogo


texto ANDRÉ MORAES
arte ALAN MACHADO
Foi um ano marcado por grandes emoções, por reviravoltas e grandes apostas. Daria para usar a metáfora da roleta, porque a sorte ou o azar de muita gente pode estar na dependência de vários giros desta roda acelerada que foi 2016. A bolinha só vai parar lá em 2017, mas as emoções já começaram bem antes.
Novas lideranças, velhos problemas
Outras viradas inesperadas da roleta vieram na forma das eleições municipais, que modificaram o panorama político. Em um ano marcado pelas denúncias da Lava Jato e pelo progressivo desencanto dos cidadãos com seus representantes, algumas forças políticas perderam peso com o pleito de outubro.
Também surgiram novas lideranças, e até mesmo uma tendência de que nomes não ligados ao mundo político fossem projetados, como o prefeito eleito de São Paulo, João Doria.
Na roleta, a sorte ou o azar vêm na forma de números. Assim, também, em um aspecto o futuro do Estado e do País passa pela torcida pela recuperação da economia. Projeções ainda variam sobre como 2017 será no comércio, indústria e emprego. Para quem está de olho na bolinha branca, vale ficar atento para pontos como a reforma previdenciária, as consequências da PEC dos Gastos e também as medidas de contenção orçamentária implantadas no RS. Há otimismo em muitas delas, mas vale continuar controlando o orçamento doméstico.

Do zika a Trump

O ano iniciou sob o impacto da crise econômica que vinha de 2015, e logo nos primeiros meses surgiu a preocupação do zika vírus, que estava associado aos casos de microcefalia e começou a causar preocupação inclusive internacional, por conta da iminência da Copa. Por sinal, uma equipe brasileira esteve envolvida nas primeiras pesquisas sobre esta condição.
No cenário internacional, algumas das apostas de 2016 podem mostrar suas consequências só mais à frente, no ano que vem. Uma das principais é a eleição do republicano Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos. Analistas ainda estão incertos sobre os reflexos desta virada surpreendente da roda da fortuna. O cenário geopolítico global pode mudar, mas também realidades mais imediatas como os regimes de concessão de vistos para brasileiros e até o intercâmbio comercial também entram no jogo.

As cartas na grande mesa do cenário nacional


O ano teve o segundo impeachment de presidente da República desde a retomada da democracia no Brasil, há 20 anos. Desde 2015, os protestos nas ruas dividiram o País e inflamaram paixões, exacerbados pelos reflexos da forte recessão e pelas sucessivas denúncias da Operação Lava Jato e de outras operações de combate à corrupção.
A comparação com um jogo de cartas foi feita pela própria Dilma Rousseff antes de ser afastada. Em abril, ainda no cargo, a ex-presidente comentou que caso o processo seguisse seu trâmite no Congresso ela poderia ser “carta fora do baralho”.
Retrospectiva 2016 - o baralho do cenário nacional durante o ano
O mesmo baralho de 2016 teve outras cartas importantes e também alguns descartes. Eduardo Cunha, o deputado que presidiu a Câmara durante o acolhimento do pedido de impeachment de Dilma que originou o processo eventualmente aprovado pelo Senado e ratificado pelo STF, foi afastado, eventualmente cassado e, mais tarde, preso por acusação de receber propina.
Outras figuras nacionais em torno do processo de impeachment incluíram o polêmico vice de Cunha, Waldir Maranhão, e o presidente do Senado, Renan Calheiros, alvo de denúncias e inclusive de ação no Supremo. Entre os trunfos do cenário nacional, o procurador-geral Rodrigo Janot e o juiz Sérgio Moro estiveram à frente de investigações e sentenças com alto impacto popular no País.

Cacife alto

No jogo de pôquer, cacife é o valor que todos são obrigados a colocar na mesa para jogar. Na metáfora do jogo de cartas, este ano o Brasil inteiro assistiu a um jogo envolvendo o mais alto dos cacifes. As denúncias de corrupção envolveram um dos maiores patrimônios do País, a Petrobras, e também afetaram empreiteiras que haviam participado de algumas das principais obras nacionais.
Enquanto se aguarda por um desfecho que restitua os valores roubados e puna os maus jogadores, muitos brasileiros, por enquanto, estão pagando para ver.

Figurinhas do ano


Tem figuras coadjuvantes no noticiário do ano que roubaram o show. Dava até um jogo de cards. Veja o nome e o “poder” de cada uma:

  • Foto: Alan Machado/GES

  • Foto: Alan Machado/GES

  • Foto: Alan Machado/GES

  • Foto: Alan Machado/GES

  • Foto: Alan Machado/GES

  • Foto: Alan Machado/GES

Entre altos e baixos, os jogos do Rio

Não dá para falar em 2016 sem abordar a Olimpíada do Rio. Dentro e fora do mundo dos esportes, ela foi notícia, porque chegou a ser alvo de protestos. A própria abertura aconteceu em um período de transição política no País. A festa em si foi bem-sucedida, com algumas medalhas surpreendentes para o Brasil, como no salto com vara, a aguardada medalha de ouro do futebol e também algumas categorias inéditas, que projetaram novos nomes. Foi no Rio, também, que se despediram ídolos internacionais como Usain Bolt e Michael Phelps, além de se projetarem novas promessas, como a norte-americana Simone Biles.
 
Rafaela Silva ganhou a medalha de ouro no judô
 
Os Jogos também tiveram suas polêmicas e contratempos. A própria Vila Olímpica foi entregue com obras faltando, o que motivou um protesto da delegação australiana e levou o prefeito do Rio a ironizar que colocaria cangurus no local. Outras polêmicas incluíram detalhes curiosos, como a água das piscinas que ficou verde e motivou piadas da imprensa internacional. Um lance lamentável foi protagonizado por competidores norte-americanos que inventaram uma história de assalto e agressão. Mas tanto a Olimpíada quanto a Paralimpíada foram elogiadas e entusiasmaram o público.

A gangorra está de volta


No futebol, 2016 viu o retorno da folclórica gangorra do futebol gaúcho. O Internacional começou a temporada liderando a classificação do Campeonato Brasileiro, mas após sucessivas mudanças de técnico e uma luta desesperada acabou rebaixado, pela primeira vez em sua história, à segunda divisão.
Torcida colorada desolada com a queda do Inter para a série B
Já o Grêmio conseguiu se encontrar, apesar de alguns percalços, e sob a liderança de Renato Portaluppi encerrou o jejum de títulos que já fazia 15 anos, conquistando o penta da Copa do Brasil.
Jogadores fizeram a festa com a taça da Copa do Brasil
Nos gramados internacionais, o ano teve algumas polêmicas com Neymar, cuja transferência para o Barça é investigada na Justiça.
Emoções no esporte local
Os times de futebol da região também passaram por fortes emoções em 2016. O Noia não conseguiu subir para a Série C do Brasileirão e enfrentou um processo de transição complicado, mas segue no Gauchão e está montando um time competitivo. O Aimoré de São Leopoldo foi rebaixado da Série A, em uma partida dramática no Estádio Cristo Rei. Outra notícia do esporte da região ao longo de 2016 foi que o time profissional da Voleisul, que disputava a elite do vôlei nacional, encerrou as atividades por falta de recursos.
 

As peças que ficaram faltando neste ano

Em um ano que já havia sido marcado por crises nacionais e internacionais, também houve muitas despedidas em 2016, algumas inesperadas e outras causando grande comoção. Na metáfora dos jogos desta retrospectiva, os artistas, lideranças e talentos que nos deixaram ao longo do ano representam desfalques. São as peças do quebra-cabeças que ficarão faltando. Ficam a inspiração e seu legado. Uma das perdas, justamente, causou comoção global, quando o time da Chapecoense foi quase totalmente vitimado pela queda de avião na Colômbia, a caminho da decisão da Copa Sul-Americana, em 29 de novembro. Entre os poucos sobreviventes, o gaúcho Alan Ruschel. A tragédia motivou uma onda de solidariedade pelo mundo, embalada pela hashtag #ForçaChape. Os desdobramentos do caso seguem ocupando o noticiário.

O ano nas charges de Tacho e Sinovaldo



  • Foto: Tacho/GES

  • Foto: Tacho/GES

  • Foto: Tacho/GES

  • Foto: Tacho/GES

  • Foto: Tacho/GES

  • Foto: Tacho/GES

  • Foto: Sinovaldo

  • Foto: Sinovaldo

  • Foto: Sinovaldo

  • Foto: Sinovaldo

  • Foto: Sinovaldo

  • Foto: Sinovaldo

A linha do tempo de 2016

6/1 - Coreia diz ter bomba de hidrogênio
10/1 - Morre David Bowie
13/3 - Domingo de manifestações pelo País contra governo
16/3 - Lula na Casa Civil. No mesmo dia, foram divulgados grampos telefônicos de conversa com Dilma
17/4 - Deputados autorizam pedido de impeachment
21/4 - Desaba ciclovia no Rio
21/4 - Morre Prince
5/5 - Cunha afastado. Determinação foi do STF
12/5 - Dilma afastada. Senado aprova abertura de processo de impeachment
16/5 - Morre Cauby Peixoto
7/6 - Pô, até o japa? Preso Japonês da Federal
17/6 - Estupro coletivo no Rio. esta é a data em que Polícia indiciou 5 acusados
14/6 - Dunga demitido. CBF afasta técnico após eliminação precoce na Copa América Centenário
20/6 - Tite assume seleção. Porém, treinador não assumiu seleção olímpica
23/6 - Brexit - Reino Unido decide nas urnas abandonar União Europeia.
14/7 - Granizo histórico na região
14/7 - Atentado em Nice. Caminhão acelerou contra multidão, matando 84 pessoas
3/8 - Chega o Pokémon Go. Jogo que virou febre chegou ao Brasil
5/8 - Começa Olimpíada do Rio
19/8 - Brasil ganha ouro inédito no futebol olímpico
26/8 - Bonner e Fatima se separam
31/8 - Impeachment de Dilma. Michel Temer assumiu presidência
7/9 - Paralimpíada. Cerimônia de abertura foi neste dia
12/9 - Cármen Lúcia assume STF
15/9 - Morre Domingos Montagner
20/9 - Angelina e Pitt se separam
2/10 - Eleição Primeiro turno
13/10 - Nobel para Bob Dylan
19/10 - preso Eduardo Cunha
30/10 - Segundo turno. Na região, Canoas e Porto Alegre vão às urnas
8/11 - Donald Trump vence nos EUA
25/11 - Morre Fidel Castro
29/11 - Tragédia da Chapecoense
7/12 - Grêmio vence Copa do Brasil
9/12 - Delação da Odebrecht
11/12 - Inter rebaixado
13/12 - aprovada PEC dos gastos
19/12 - Atentado em Berlim. Houve 9 mortos após caminhão invadir feira de Natal
21/12 - RS extingue fundações

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