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Entrevista

De Lomba Grande aos palcos do Brasil: o multitalentoso Jarbas Homem de Mello

Ele cresceu em Novo Hamburgo e abriu caminho para se tornar um respeitado ator de musicais

Juliana de Jesus/Divulgação
Jarbas Homem de Mello conquistou os palcos brasileiros

Um dos mais premiados e talentosos atores do teatro musical brasileiro, o hamburguense Jarbas Homem de Mello há 22 anos vive em São Paulo, cidade que, assim como ele, mantém um ritmo frenético. Mas quando o corpo e a mente pedem uma pausa, seus pensamentos se voltam para um lugar relaxante por natureza: Lomba Grande, onde nasceu e mora a sua família. ‘‘É o lugar ideal para recarregar as energias’’, confessou, em entrevista ao ABC Domingo.

Foi nos palcos que o ator, bailarino, coreógrafo e diretor, hoje com 47 anos, conquistou não apenas um público cativo, mas também a esposa, a atriz Cláudia Raia, 50. Já são mais de 20 musicais em 24 anos de uma intensa carreira. Atualmente, diverte e emociona personificando o icônico Sinhozinho Malta em Roque Santeiro - o musical. Mas isso não é tudo: já ensaia as novas peças Cantando na chuva (Singin’ in the rain) e Fala Sério, na qual vai contracenar novamente com Claudia Raia, 50, e dois filmes dos quais participou: Não se aceitam devoluções, com Leandro Hassun, e Pixinguinha. Em breve, dias 15 e 16 de abril, chegará a Porto Alegre, no Teatro Bourbon, a peça Forever Young, que ele dirige. Na entrevista a seguir, ele revela seus projetos para atuar na tevê e fala sobre o carinho recebido pelos fãs.

Como é a experiência de interpretar Sinhozinho Malta em Roque Santeiro - o musical?

Jarbas Homem de Mello - Incrível. Primeiro porque é um personagem icônico da teledramaturgia, que virou clássico nas mãos do Lima Duarte. Mas comecei meio tenso por causa da responsabilidade em relação a esse personagem depois que o Lima o havia perpetuado.

Essa novela parou o Brasil nos episódios finais, em fevereiro de 1986...

Jarbas - Até hoje é a maior audiência da Rede Globo. Cem por cento das televisões ligadas nos capítulos finais, o que nos dias de hoje é impossível conceber. Eu tinha 15 anos e lembro muito da novela, do Sinhozinho, da Viúva Porcina, do Roque Santeiro. Todos os personagens eram interpretados por grandes atores.

O musical consegue transmitir o mesmo clima envolvente e misterioso da novela?

Jarbas - Consegue. A história é a mesma, mas o final não. O final é do Dias Gomes. Esse microfoco do Brasil, de um político corrupto que detém o poder daquela cidade, da igreja, do empresariado, que manipula o Congresso em favor de seu benefício próprio... É um história concebida em 1975, mas que parece que foi escrita no ano passado, infelizmente. A bandalheira é a mesma.

Já são 22 musicais na sua carreira. Qual foi o mais marcante?

Jarbas - Eu não fiz essa conta... Você contou? (risos). Um grande espetáculo que a gente fez, um divisor de águas, foi Cabaret, que deixou muita saudade. E, depois, Crazy for you.

O Brasil hoje é um dos maiores eixos de musicais do mundo. O que mudou nesses últimos anos?

Jarbas - O que mudou desde 1999 para cá é que o musical caiu definitivamente no gosto do público. O Brasil é um País muito musical. A gente tinha essa tradição desde os musicais da Chiquinha Gonzaga, das revistas portuguesas, que foram até os anos 40, com grandes revistas e grandes musicais. Depois, por causa da ditadura, da condição política e social, por causa de grana mesmo – o musical tem como característica ser muito caro, pois emprega muita gente, sempre é uma equipe de 60 pessoas – deixou de ser feito, com algumas intervenções pontuais do Chico Buarque. A partir de 1999 caiu no gosto do público também devido a uma abertura socioeconômica que o Brasil viveu nesta época, com as leis de incentivo que foram aparecendo para fazer as grandes montagens.

Quais são os avanços que ainda são necessários, na sua opinião?

Jarbas - Precisamos trazer cada vez mais a dramaturgia brasileira, contar a história do nosso País, com uma musicalidade que seja nacional. Neste espetáculo, temos trunfos muito grandes: as letras foram escritas pelo Dias Gomes, que fez esse espetáculo para musical, nos anos 90, depois do sucesso da novela, e o Zeca Baleiro compôs as melodias e algumas músicas originais. Isso deu uma popularizada muito grande no espetáculo, pois a música é muito próxima da gente. Embora não seja usada a trilha sonora da novela, com algumas citações – a gente canta Dona e há citações de De volta pro meu aconchego, do Luiz Gonzaga, e o Abc do Santeiro, de Sá e Guarabira, no final, já nos agradecimentos –, é uma musicalidade que o brasileiro entende. A gente tem baião, samba, samba-canção, ritmos nordestinos, tango... Há uma referência musical muito latina, muito brasileira, que cai direto no gosto do público. E acho que a gente está caminhando para isso: para essa dramaturgia cada vez mais nacional. Mas acho que temos espaço para tudo: vamos montar, agora no segundo semestre, Cantando na chuva (Singin’ in the rain), que estreia em agosto. Não tenho nenhum preconceito.

Você é um dos mais premiados e talentosos atores do teatro musical brasileiro. A Claudia Raia, por sua vez, tem uma carreira consolidada no teatro e na TV. Como vocês lidam com o assédio dos fãs e da mídia?

Jarbas - Numa boa. A Claudia gosta muito do público, ela tem essa proximidade. Quando acaba o espetáculo, há uma fila de 300 pessoas para dar autógrafo. Sempre brinco que ela não dá autógrafo, ela pergunta sobre a família, se está todo mundo bem. Ela é muito tranquila, cria vínculo com o público dela. Para mim é muito mais tranquilo, na verdade. Tem um público de musical que acompanha a gente, mas não tem nem comparação com o assédio que ela sofre e acho que eu sofro um assédio meio na 'rebarba' dela. Eu gosto muito também e ela tem um talento incrível para lidar com isso.

Alguns artistas lutam bastante para alcançar a fama e, quando finalmente a alcançam, começam a exigir privacidade mesmo quando estão em locais públicos. Como não cair na tentação de embriagar-se com o próprio sucesso?

Jarbas - Algumas pessoas se ‘‘encastelam’’, acham que ficam melhores que as outras, se colocam em um pedestal e não saem de lá, mas é burrice. Todos têm direito à privacidade, mas têm que entender que são pessoas públicas. Só que alguns exageram. Uma vez a gente estava em um shopping e havia um paparazzi, que tem muito no Rio, e ele ficou o tempo inteiro fotografando. Depois de uma hora, a Claudia perguntou se ele já não tinha feito o trabalho... Aí ele riu, concordou e foi embora.

Tu tens aspirações futuras que vão além do teatro?

Jarbas - Sim, mas não tem nada concreto ainda. Tenho um filme para ser lançado neste segundo semestre com o Leandro Hassun, que se chama Não se aceitam devoluções, remake de um filme mexicano e norte-americano, e filmei também agora Pixinguinha, uma participação pequena, que deve estrear no final do ano, talvez no ano que vem, pois cinema demora, e televisão não tem nada certo. Em breve, dias 15 e 16 de abril, chegará a Porto Alegre, no Teatro Bourbon, a peça Forever Young, que eu dirijo. Fiz um ‘piloto’ de um programa para uma série de humor com a Fafi Siqueira, com uma produtora independente, que é a Casablanca, que talvez vá para o SBT, não se sabe ainda, só que vai sair... Então, não tem projeto, nenhuma novela ou convite feito. Mas tem coisas para acontecer. Estão nos meus planos porque sou ator. Então, indiferentemente da linguagem e do tipo de veículo, quero estar fazendo bons personagens e bons papéis.

Em meio a esse dia a dia acelerado que tu levas, assim como a tua esposa, de que forma vocês conseguem curtir o relacionamento?

Jarbas - Ela está gravando bastante agora, pois está na reta final da novela. As gravações acabam dentro de um mês. Nesta fase final de A Lei do Amor, ela está em uma cidade e eu em outra. Ela acaba em março e a gente começa a produzir um musical novo, que é o Fala Sério, em cima dos contos da Thalita Rebouças, uma best-seller adolescente do Brasil, que eu vou dirigir. Já começamos a ensaiar agora em julho o Cantando na chuva, em que vamos atuar juntos. Como fazemos a mesma coisa, participamos dos cursos junto, das aulas junto, a gente fica 24 horas por dia juntos.

Essa afinidade certamente ajuda no desempenho nos palcos...

Jarbas - Nos conhecemos muito. Só pelo olhar, pela intenção do outro, a gente já sabe o que vai acontecer.

Nesta correria que é São Paulo, às vezes não bate saudades da tranquilidade de Lomba Grande?

Jarbas - Muito. Falei nisso hoje. Faz tempo que não vou. Não consegui ir neste final de ano e minha família veio para cá, mas não é a mesma coisa. Às vezes eu preciso ir para lá pelo menos uma vez por ano para dar essa descarregada, é diferente.


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