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Rastro de destruição

O que diz quem viu o vendaval e agora precisa recomeçar do zero em São Chico

Uma supercélula de tempestade, que percorreu ao menos cinco bairros da cidade, atingiu 500 famílias, destruiu 270 casas, deixou 1,6 mil desabrigados e desalojados

Inézio Machado/GES
Pelo menos 270 residências foram destruídas
O forte temporal que atingiu, na manhã de ontem, São Francisco de Paula, na Serra, transformou a cidade de pouco mais de 20 mil habitantes num cenário de guerra, com destroços, roupas e eletrodomésticos espalhados pelas ruas. A formação de uma supercélula de tempestade, que percorreu ao menos cinco bairros da cidade, atingiu 500 famílias, destruiu 270 casas, deixou 1,6 mil desabrigados e desalojados, feriu mais de 90 moradores e matou uma pessoa. Nas primeiras horas após a tragédia, o prefeito Marcos André Aguzzolli chegou a afirmar que mais de dez pessoas estavam desaparecidas. No entanto, no decorrer do dia, todas foram encontradas.

Quem testemunhou a situação diz se tratar de um tornado. No entanto, ainda não há consenso sobre o tipo de fenômeno que atingiu a cidade antes das 8 horas. A força da natureza levantou, deslocou e derrubou residências, indústrias, escolas, igrejas e ginásios como se elas fossem feitas de papelão. Tudo isso em cerca de dois minutos. “Destruiu diversos bairros”, afirma o prefeito, ao dizer que o fenômeno foi maior do que o que atingiu o município em 2003. “A cidade está em estado de calamidade pública”, decretou Aguzzolli. Ainda ontem ele entrou em contato com o governo do Estado e a União em busca de auxílio. Bombeiros e voluntários de oito cidades ajudaram no atendimento às vítimas.

Claudemir Gomes de Freitas, 24 anos, caminhava pelo bairro Gaúcha quando foi atingido por um pedaço de metal. Ele não resistiu a um traumatismo craniano e morreu antes de chegar ao hospital da cidade. Dos mais de 90 feridos, quatro foram transferidos ao Hospital de Pronto Socorro de Canoas. Dois ainda permaneciam internados ontem à noite no hospital de São Chico.

"Era um cone que girava"

O agente da Defesa Civil de São Francisco de Paula, Maurício da Silva Borges, também teve sua casa danificada. Ele acompanhou desde o início do fenômeno no bairro onde mora, São Miguel, e agora se une aos demais para ajudar com doações e resgates. “Escureceu tudo, e surgiu uma espécie de cone, que na parte de cima girava e era acinzentado”, afirmou Borges. Segundo ele, a ventania se alastrou em zig zag pelos bairros Pedra Branca, Querência, Santa Isabel, Gaúcha e Industrial. “Colégio veio abaixo, ginásios, além das casas”, relata o agente. Fábricas também ficaram destelhadas e muitas árvores com raiz foram arrancadas na beira da RS-020.

Laura Gallas/GES-Especial
Desespero: Sirletti teve parte do telhado da casa destruído
Amigos avisaram

“Estávamos em Taquara quando começamos a receber ligações dos amigos perguntando como estávamos. Quando chegamos aqui veio o desespero”, relatou a costureira Sirletti Pereira da Costa, 43 anos. Parte do telhado da casa ficou danificado, além de janelas que voaram com a força do vento e os vidros estilhaçados. Apesar de todo o clima de consternação, Sirletti preparava o almoço para a família. “Agora é reconstruir e ajudar aqueles que podemos”, afirma emocionada.

Laura Gallas/GES-Especial
Força: Rozi e José se machucaram com queda de armário
Salvos pelo roupeiro

“Quando eu vi, a cama da vizinha estava do meu lado e ela me pedindo socorro com o roupeiro em cima”, relata Emanuelle Borges Both, 16 anos, nora de Rozi Moreira da Rosa Reis, 56 anos e José Mauro Reis, 57. Com a força do vento, parte da casa ao lado avançou a residência do casal, que também foi atingido por um roupeiro. “Fomos salvos por isso”, diz José. Era possível identificar escombros a uns 30 metros para baixo do morro onde moravam no bairro São Miguel.

Laura Gallas/GES-Especial
Tristeza: Ederson e Simone buscam força para reconstruir a vida
Recomeçar com saúde e fé

Na manhã após a destruição da ventania, Ederson Hoffmann, 36 anos, e a esposa Simone Lima, 35, juntavam alguns pertences em um dos cômodos da casa que estava destelhada. “Quando vimos, o vento passou e saiu levando tudo. Não temos o que fazer, agora é se ajudar e graças a Deus e eu minha família estamos com vida”, conta Hoffmann. A casa da família, localizada no bairro Santa Isabel, era de aluguel. Ederson possui uma lavagem de carros há poucos metros da residência que também foi destruída com a força do vento.

Um vida abaixo

O trabalhador rural Valmor Borges de Melo, 66 anos, não estava em casa quando foi surpreendido com uma ligação. “Vizinhos e amigos ligaram para avisar o que tinha acontecido. Quando soube entrei em desespero e voltei para casa. Perdi tudo, está tudo destruído o que batalhei a vida inteira para conseguir”, revela Melo, com os olhos cheios de lágrimas.

O que mais assustou o pintor Algemiro Bacci Jandrey, 59 anos, foi a vista do alto de sua casa, no bairro Santa Bárbara. “O que mais me choca não foi a destruição da minha casa, e sim, a visão que tenho da minha varanda. Muitas casas já não existem mais”, diz Jandrey, ao dizer que ele levantou para tomar um remédio quando tudo aconteceu. “Durou dois minutos, rajadas de vento muito fortes e um barulho que não tem explicação", revela o pintou, ao comentar que na sua casa todo o telhado foi arrancado.

  • Destruição em São Francisco de Paula
    Foto:Inézio Machado/GES
  • Destruição em São Francisco de Paula
    Foto:Inézio Machado/GES
  • Destruição em São Francisco de Paula
    Foto:Inézio Machado/GES
  • Destruição em São Francisco de Paula
    Foto:Inézio Machado/GES
  • Pelo menos 270 residências foram destruídas
    Foto:Inézio Machado/GES
  • Tempestade deixou um morto na cidade
    Foto:Inézio Machado/GES
  • Centro da cidade, próximo ao bairro Pedra Branca, foi atingido pelo vendaval
    Foto:Rafael Luz/Especial
  • Destruição no Centro de São Francisco de Paula
    Foto:Rafael Luz/Especial
  • Árvores foram arrancadas com raiz após temporal deste domingo
    Foto:Leandro krummenauer/Especial
  • Ao menos quatro bairros ficaram destruídos após temporal e forte vendaval
    Foto:Leandro krummenauer/Especial

O serrador Adriano Fogaça da Rosa, 30 anos, estava dentro de casa levando a filha ao banheiro, quando decidiu desligar a geladeira por causa do temporal. “Nesse momento eu vi tudo quebrando, um guarda-roupa caiu, a casa toda levantou, os armários caíram e uma parede caiu em cima do armário. Ainda bem que estão todos bem, ninguém se machucou”, frisa Rosa, ao dizer que seus filhos foram para a casa da sogra. “Foi tudo muito rápido, não deu tempo para fazer nada."

Assutada com a ligação da sogra, a vendedora de veículos hamburguense Raquel Marangon Pinto, 37 anos, se deslocou com a sua família para São Francisco de Paula. “Ela ligou por volta das 8h30 dizendo que tinha perdido tudo. Contou que ela olhou pela janela e viu um formação em formato de redemoinho vindo na direção de sua casa. Nesse instante, ela fechou a janela e desceu as escadas, quando escutou um forte barulho e viu que a janela em que estava tinha sido arrancada”, conta Raquel, que estava apavorada com o cenário de destruição visto por ela.

População precisa de doações

Com tamanha destruição, a população atingida precisou siar de casa e precisa de doações. Muitos foram acolhidos em casas de parentes, mas há uma grande número em ginásios e escolas de São Chico. Segundo a prefeitura, alimento é a maior necessidade neste momento. Ontem, ao longo do dia, muitas roupas foram doadas.

Na cidade, as doações podem ser levadas até o Ginásio Municipal de Esportes que fica na Rua Santos Dumont, 967. Há pontos de coleta também em outras cidades. Veja a seguir onde doar:

Canela: CTG Querência

Esteio: Ginásio Municipal Silvio Batista, na Vila Osório.

Novo Hamburgo: DCE da Feevale, no Campus II, entre o prédio verde e amarelo.

Taquara: Farmácia Santé na Rua Bento Gonçalves e no IACS

Três Coroas: Sede da Biondini - Rua Guilherme Sauer, 1700 Contato 51 9.9861-0985

Caxias do Sul: Cruz Vermelha - Rua Feijó Junior, Nº 269. Doações de segunda à sexta-feira das 13:30 às 17:30.

TopLine Mecanica de Caminhões, Rua Gérson Andréis, 728, Distrito Industrial.

Vacaria: Equipe Revolução.


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