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Novo Hamburgo

Prefeitura vai limitar entrega de medicamentos na Farmácia Comunitária

A partir de abril, distribuição de analgésicos, anti-inflamatórios e antipiréticos terá maior controle

A distribuição dos medicamentos classificados como analgésicos, anti-inflamatórios e antipiréticos deve sofrer restrições a partir de abril em Novo Hamburgo. Distribuídos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e na Farmácia Comunitária, os medicamentos podem passar a ter limite de 60 comprimidos por receita médica. A proposta, defendida pelo secretário de Saúde e vice-prefeito, Antônio Fagan, tem como objetivos qualificar o atendimento médico e garantir aos pacientes tratamentos mais efetivos.

Para que entre em vigor, porém, é necessário ainda que a medida seja aprovada pelo Conselho Municipal de Saúde (CMS), o que pode ocorrer na próxima plenária, marcada para o dia 28. Entretanto, conforme a presidente do CMS, Diones Martins, até esta sexta-feira nenhuma documentação foi enviada à entidade. “Isso precisa passar pela avaliação dos conselheiros, e sequer recebemos a proposta. Mas acredito que, se for algo positivo para os usuários, será aprovada”, comenta.

São distribuídos em média 54 mil comprimidos por mês destas três categorias de medicamentos, que incluem substâncias como paracetamol, diclofenaco, dipirona, ibuprofeno, entre outras (ao todo, são cerca de 700 mil comprimidos entregues mensalmente).

Karina Sgarbi/GES-Especial
Prefeitura propõe restrições na distribuição de alguns tipos de medicamentos na Farmácia Comunitária

Uso consciente

Os demais remédios seguirão com o mesmo método de distribuição que possuem atualmente. “Hoje não há limite. Por exemplo, uma única pessoa pode levar para casa 500 comprimidos de paracetamol, o que é uma dose letal. Queremos ter um controle maior da distribuição e fazer com que a população faça um uso consciente da medicação. Não é uma medida com foco na economia, mas na saúde”, afirma o secretário.

Casos de medicamentos desviados ou inutilizados

Conforme Antônio Fagan, a Secretaria de Saúde recebeu recentemente 12 denúncias diferentes de pacientes que estavam pegando medicamentos na Farmácia Comunitária para revendê-los. Ele afirma que os casos foram identificados e as pessoas impedidas de fazer novas retiradas. “Também há casos de pessoas que armazenam grandes quantidades de remédios em casa. Tivemos uma situação de um morador que tinha mil comprimidos de ibuprofeno, por exemplo”, comenta.

Para a farmacêutica e coordenadora do curso de Farmácia da Feevale, Bárbara Spaniol, a medida é importante para que a população aprenda a usar corretamente as medicações. “No nosso curso, fazemos visitas a casas e é muito comum encontrar nas moradias medicamentos que não são usados e mesmo alguns que estão vencidos. Isso é um desperdício econômico e também pode causar danos ao meio ambiente, pois nem todos fazem o descarte correto destas substâncias”, destaca.

Karina Sgarbi/GES-Especial
A Farmácia Comunitária fica na Rua Domingos de Almeida, 20, Centro

Os riscos da automedicação

Tomar remédios sem orientação médica pode acarretar em uma série de problemas maiores à saúde. “Por exemplo, se há uso indiscriminado de anti-inflamatório, isso pode geral uma úlcera, que depois precisará de cirurgia, UTI, banco de sangue. Precisamos evitar que se chegue a isso”, afirma o secretário de Saúde de Novo Hamburgo.

Conforme a farmacêutica e coordenadora do curso de Farmácia da Feevale, Bárbara Spaniol, o uso de medicamentos deve ser feito sempre sob orientação de um profissional. “Ou vai ser um médico ou odontólogo, que são os dois prescritores, ou também do farmacêutico, que vai estar na farmácia no momento da dispensação do medicamento e pode orientar o paciente”, afirma.

Ela destaca também que a automedicação não trata a causa do problema, mas apenas um sintoma da doença. “Quando a gente se automedica, a gente faz isso para uma dor, uma cólica e, no entanto, isso pode ter diversas causas e até ser uma doença mais grave”, diz.

A farmacêutica ressalta ainda que, ao tomar remédios por conta própria, o paciente pode ter um excesso de administração de determinadas substâncias, o que pode ocasionar novos problemas. “A automedicação é um problema sério e até de saúde pública, porque as pessoas vão se automedicando e gerando problemas que primeiramente não tinham”, diz.

Além de buscar orientação médica, é preciso também atentar para o prazo de validade dos medicamentos e cumprir os tratamentos conforme definido na prescrição. “A gente sempre diz ao paciente que um dia sem tomar uma dose faz o tratamento retroceder quatro dias”, explica Bárbara.

UBSs reforçadas no quadro de médicos

O secretário Antônio Fagan detalha ainda que a proposta de alterar a distribuição dos três tipos de medicamentos só não entrou em vigor ainda porque antes a Secretaria de Saúde precisava repor as faltas de médicos nas unidades de saúde. Ele explica que muitos profissionais se desligaram do sistema público de saúde, e que o Município está agora num processo de contratação de novos profissionais. “Tivemos muitas saídas neste ano e só agora conseguimos ajustar o quadro para que não faltem médicos nas UBSs”, afirma.

Questionado sobre a possibilidade de a nova medida de restringir a distribuição de alguns medicamentos acarretar em filas nos postos de saúde, uma vez que a população precisará ir mais vezes ao médico para obter o receituário, Fagan garante que isso não será problema. “Aliado à proposta, ocorrerá um trabalho de conscientização dos médicos para que cada caso seja avaliado mais profundamente. Por exemplo, uma pessoa que usa um anti-inflamatório por 15 dias e continua com dor, precisa de uma maior análise para identificar o que está causando isso”, diz.

Sindicato dos médicos aprova proposta

Na avaliação do presidente do Sindicato dos Médicos do Vale do Sinos, Kleber Fisch, a mudança vai valorizar o trabalho dos profissionais de saúde e também melhorar a qualidade do atendimento aos pacientes. “No Brasil, temos muito a tendência de o paciente não acreditar no médico. Ele faz a consulta mas não realiza os exames, se recusa a investigar a doença, fazendo apenas um tratamento paliativo, ou seja, tomando remédios que apenas tiram a dor, mas não curam a doença”, comenta. Fisch destaca que há casos de pacientes que pegam receitas para uso de outras pessoas, além daquelas que vão muitas vezes às unidades de saúde apenas para buscar medicamentos. “Elas acabam apenas roubando lugar na fila de quem realmente precisa, e também não fazem exames e isso as impede de encontrar a causa do seu problema”, diz.


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