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Gilson Luis da Cunha

Eu não quero novela mexicana!

Diário de bordo de um nerd no planeta Terra (DATA ESTELAR 09042017)

Gilson Luis da Cunha - Blog Diário de Bordo de um nerd no planeta terraGilson Luis da Cunha é doutor em Genética e Biologia Molecular pela Ufrgs, Old School Nerd, fã incondicional de livros filmes, séries e quadrinhos de ficção científica, fantasia e aventura

Chega. Chega de ser enrolado, feito de bobo, engando, engrupido, roubado, logrado e todos os sinônimos possíveis e imagináveis. Antes que vocês pensem que estou me iniciando na crônica política, por favor esqueçam isso. Estou falando do mundo do entretenimento. São filmes, séries e HQs que, cada vez mais, apostam na fórmula da enrolação pura e simples. Como aquelas novelas onde o mocinho apanha como um condenado ao longo de quase trezentos capítulos e, no final, consegue dar um beliscão no vilão, que se joga aos pés do herói, jurando estar arrependido e pronto para uma nova vida como um cidadão modelo. Essa é apenas uma das formas de enrolar. A outra, mais comum, é prometer um futuro que nunca chega. O modelo desse tipo de estratégia é Lost, uma das séries com o final mais cretino de todos os tempos.

Infelizmente, parece que essa abominação fez escola. Recentemente, Punho-de-Ferro um dos heróis urbanos da Marvel, fez sua estreia na série de mesmo nome, produzida pela Netflix. Apesar das críticas negativas, a série foi um estrondoso sucesso. Minha modesta opinião é a de que não se trata de uma série ruim. Há bons momentos de suspense e ação. Mas há também o diabo da enrolação. Não que outras adaptações da Marvel, como Luke Cage, Jessica Jones, ou a quase unânime Demolidor, sejam isentas de enchimento de linguiça. Luke Cage, cujo trunfo maior é a guerra de um homem só, empreendida pelo herói no cenário urbano do Harlem, também teve seus momentos sem graça. Jessica Jones idem, chegando ao cúmulo de termos o vilão que não é bem vilão, tenta ser bonzinho, toma até chá com a heroína e, no fim das contas, resolve que gosta mesmo é de ser vilão e pronto.

E o Demolidor, que, em sua primeira temporada, só se torna o herói que conhecemos dos quadrinhos no último episódio, com um rito de passagem, típico de histórias de origem. Eu aceito isso numa boa. O que me incomodou, principalmente em Punho-de-Ferro, foi ver um herói com uma rica mitologia tão pobremente explorada. Alguns momentos chegam a ser involuntariamente cômicos. Danny Rand começa a falar do passado. A imagem se distorce. E ficamos torcendo para sermos transportados para Kun’ Lun, onde o herói fez o treinamento em artes marciais que o levaria a receber os dons do guardião da cidade celestial. Mas, ao contrário dos flashbacks filosóficos de Kwai Chang Caine, na saudosa série Kung Fu, a imagem do presente não se dissolve numa janela para o passado. Tudo continua na mesma. Parece até aquele falso flashback, com imagens do presente tremidas em Aperte os Cintos: O Piloto Sumiu!

A cada avanço da trama, bastante mudada em relação aos quadrinhos, temos algum retrocesso. É como ser convidado a um banquete e suportar o jejum durante horas, comer apenas um canapé, e sair com o estômago nas costas. Para piorar as coisas, em determinada altura da trama, somos rapidamente apresentados a um dos antecessores de Danny Rand, um Punho-de-Ferro dos anos 40, que, numa cena de poucos segundos, é mais Punho-de-Ferro que seu sucessor em toda a primeira temporada. Isso é provocação! Eu sei que a tal de jornada do herói exige que o protagonista, ele ou ela, coma o pão que o diabo amassou, mergulhe nas entranhas do inferno e retorne purificada (o) e pronta (o) para levar a cabo a sua missão. Mas a gente quer ver nossos heróis e heroínas se dando bem, só para variar. Se eu quisesse ver bandido bem-sucedido, sintonizava a TV em algum noticiário... Vida longa e próspera e que a força esteja com vocês. Até domingo que vem.


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