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Nathalia Cadó

Entre muros que não caem

Leia artigo de Nathalia Cadó

Nathalia Cadó

Nathalia Cadó é estudante de Letras e blogueira do Jornal NH - www.jornalnh.com.br

Um sabiá, por ter asas, é muito mais livre do que nós, que infelizmente não podemos voar. Quando dizemos que temos asas, num sentido metafórico, é porque queremos expressar alguma forma de liberdade. Mesmo que seja apenas uma figura de linguagem, ela, a liberdade, está existindo de alguma maneira. E quando ela deixa de ser o que é? E quando o sabiá perde sua capacidade de voar?

O tão conhecido poema Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, não exalta a liberdade como muitos o interpretam, mas ressalva a falta dela por parte do poeta. Há um sabiá que canta nesses versos. O autor não o escuta nem o vê. Nós também não escutamos, porque não somos livres.

Numa reportagem que vi na semana passada, dois alunos parafrasearam essa poesia que citei. Os últimos versos eram um pedido de ida a um lugar tranquilo, que era onde o sabiá estava. No Rio de Janeiro, uma escola que tem o seu muro afetado por tiros, por causa de confrontos entre policiais e traficantes. As crianças, desde tão pequenas, sabem que o muro da escola é alto porque precisam se proteger da violência. Recentemente, uma menina morreu na escola por bandidos. O muro faz essas crianças não morrerem a cada dia que passa. Isso está em suas falas, nos desenhos, no poema. Realmente, a Literatura nos comove mais quando relacionada com as nossas vivências. E assim a entendemos melhor.

A Educação é a arma que combate a violência. Ela prova que a pobreza, a fome, a ganância, a religião e o dinheiro não se justificam num tiro. Em meio a um ambiente tão violento, os tiros vão parar num muro. E por trás dele, a solução de um dos problemas mais graves que o Brasil enfrenta. A insegurança, não sendo mais uma possibilidade, tornou-se um hábito aqui. Não sabemos mais viver sem ter medo.

A escola é a única maneira de termos paz e liberdade mais uma vez. Como diz Gonçalves Dias, aqui nessa terra há palmeiras. Aves que gorjeiam. Céu que tem estrelas. Mas, agora, aqui já não canta mais o sabiá.


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