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Dizem deputados

Apesar da Lava Jato, votação da reforma da Previdência não será afetada

Equipe econônomica mantém período de transição para a idade mínima de 65 anos em 20 anos

Às vésperas da apresentação do relatório da reforma da Previdência às bancadas da Câmara - o que ocorrerá em um café da manhã na terça-feira, no Palácio da Alvorada -, o presidente Michel Temer se reuniu neste domingo (16) com ministros e parlamentares envolvidos na elaboração do texto para dar os retoques finais ao projeto. Ainda há pontos a acertar, mas a equipe econômica venceu a disputa pelo período de transição: em 20 anos, todos terão de se aposentar aos 65 anos. Apesar do desgaste causado pelas delações da Odebrecht, que culminaram em diversos pedidos de inquérito contra integrantes do governo, Temer e os deputados fizeram questão de afirmar que isso não deve atrapalhar o calendário da Previdência.

Presidente da comissão especial que trata do assunto na Câmara, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) afirmou que o plenário da Câmara votará o texto na primeira ou segunda semana de maio e que, em seguida, há disposição do Senado em dar celeridade à votação do projeto. Ele disse ainda que a comissão deve votar o relatório no próximo dia 28, após pedido de vista já esperado para a sessão amanhã.

"Ficou sacramentado o calendário, não existe a mínima possibilidade, nem desejo, de mudança. Estou cada vez mais convencido de que vamos aprovar essas reformas por uma margem elástica de votos. Estou muito convicto de que teremos 350 votos, porque o texto incorpora o que os deputados da base trouxeram ao relator", disse Marun.

Apesar de negar que a Operação Lava Jato tenha entrado na pauta do encontro, o deputado enfatizou que não haverá qualquer alteração no cronograma por conta da crise política: "Apesar de toda essa questão (das delações), temos razões para estar muito otimistas em relação à reforma da Previdência. Não vai (atrapalhar), em momento nenhum esse foi o tema. Vejo toda uma determinação para que continuemos trabalhando. O Judiciário cumpre o seu papel, e a gente cumpre o nosso".

Já o deputado Arthur Maia (PPS-BA), relator da reforma na Câmara, disse que a Lava Jato não é razão suficiente para atrapalhar o cronograma do governo. "Não vejo nenhum tipo de mudança (com as delações). Temos votado na Câmara inúmeras reformas e termos visto, paralelamente, todo o processo judicial da Lava Jato. As reformas estão sendo votadas", disse, garantindo não estar preocupado com as delações da Odebrecht. "Por que haveria de estar?".

Marun confirmou que entre as mudanças incluídas no texto - que deve incorporar emendas apresentadas por deputados da base e os cinco pontos que Temer permitiu que fossem flexibilizados - está a diminuição do tempo de contribuição para obter a aposentadoria integral, antes de 49 anos. Mas ele não disse se o novo tempo será de 40 anos: "Não sabemos ainda como vai ser feita essa diminuição, mas certamente o tempo de contribuição não será de 49 anos, isso vai deixar de estar posto".

Marun também negou que o possa entrar no texto um regime diferenciado para a aposentadoria das mulheres. Alguns parlamentares queriam a ampliação para 25 anos do período necessário a atingir a idade mínima de 65 anos. Ou seja, seriam 20 anos para os homens e 25 para as mulheres. Ao fim desse período, todos estariam enquadrados nas mesmas regras: idade mínima de 65 anos para quase todo mundo e 60 anos para algumas categorias, como trabalhadores rurais, policiais e professores. A área econômica insistia - e venceu - em 20 anos para todos.

"Não vejo essa possibilidade (de mudar), hoje a mulher luta por uma igualdade. Existem questões que não devem ser resolvidas na aposentadoria, devem ser resolvidas no tempo em que se trabalha", disse Marun.

Paralelamente ao andamento da reforma da Previdência, Temer também pediu e ouviu dos presentes que é importante votar a urgência do texto da reforma trabalhista nesta semana.

Para o governo, manter a transição da reforma dentro de 20 anos é um dos pontos cruciais para segurar a trajetória explosiva do déficit previdenciário, diante do processo acelerado de envelhecimento da população brasileira. A avaliação é que já houve recuos demais em relação ao texto original do Executivo. As mudanças já anunciadas em cinco pontos da proposta são concessões que podem chegar a R$ 250 bilhões, valor bem acima dos R$ 150 bilhões informados antes, revelou uma fonte ligada ao assunto.

Segundo ministro da Secretaria-Geral da Previdência, Moreira Franco, todos os esforços do Planalto serão no sentido de mobilizar a base para aprovar a reforma. Por isso houve concessões: "O governo está procurando viabilizar a aprovação de um projeto que tem que ser discutido e debatido pelo Congresso. É preferível se fazer alguma e se ter avanços do que não se ter nada".

"Há 70% de chances de a reforma passar"

João Augusto de Castro Neves, diretor para o Brasil do Eurasia Group, vê crise política longe da economia e acredita que instinto de sobrevivência de parlamentares pode garantir retomada da economia.

O Brasil vive hoje o pior de sua crise político-econômica?

Depende. Se falarmos do sistema político como um todo, estamos no fundo do poço. Talvez estejamos nele há quase três anos e provavelmente continuaremos nele até pelo menos o ano que vem. Por outro lado, no aspecto econômico, acho que, sim, o pior já passou. Há riscos, sem dúvida, mas vemos o governo Michel Temer ainda com a capacidade de passar algumas reformas, e a economia, ainda que lentamente, reagindo. Muito provavelmente, 2017 será melhor que o ano passado e o retrasado em termos de crescimento, e o ano que vem um pouco melhor ainda, se olharmos vários indicadores econômicos.

O mercado reagiu relativamente de forma calma em relação à primeira grande lista de políticos na Lava Jato, há dois anos. Por quê?

Na nossa previsão, a gente já estava precificando, digamos assim, muito da Lava Jato. É óbvio que quando sai a lista todos ficam impressionados, mas, até certo ponto, isso estava precificado.

Isso não afasta investimentos estrangeiros?

Depende. Acho que o Brasil é grande demais para ser ignorado pelos investidores.

Na mesma semana da lista da Lava Jato, uma agência de classificação de risco eleva a nota da Petrobras. É uma tendência?

A Petrobras tem feito um trabalho razoável de correção de rumo, e a mudança de nota é um pouco o reflexo disso. Está havendo um distanciamento entre a crise política e a crise econômica a curto e médio prazos. Você tem algumas notícias boas vindo da economia, mas há riscos. Se o mercado acreditar que a reforma da Previdência não vai para a frente por causa da crise política, as boas notícias da economia param. A reforma da Previdência é crucial para a retomada da confiança e da economia do Brasil. Informamos aos nossos investidores que o risco de a reforma da Previdência não passar é de 30%, acreditamos que há 70% de chances de ser aprovada. É isso que justifica o mercado não estar reagindo tão mal.


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