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LHS 1140b

Descoberto exoplaneta que pode ter vida extraterrestre

Planeta divulgado nesta quarta-feira fica a 40 anos-luz da Terra e está na zona habitável de seu sistema

Divulgação Cambridge
Concepção artística do planeta LHS 1140b, visto aqui ao redor de sua estrela
Um novo planeta entrou nesta quarta-feira (19/4) no restrito círculo de astros capazes de abrigar sinais de vida fora do sistema solar. "Não poderíamos sonhar com um candidato melhor para iniciar uma das maiores investigações da ciência: a busca de provas de vida fora da Terra", afirmou Jason Dittmann, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics de Cambridge (Estados Unidos), coautor de um estudo publicado na revista científica Nature.

O exoplaneta, batizado LHS 1140b, foi descoberto em volta de uma estrela da constelação Cetus, situada a cerca de 40 anos-luz da Terra (um ano-luz equivale a 9,460 trilhões de km). Apesar de não ser o primeiro "primo" da Terra que os astrônomos descobrem, o LHS 1140b "tem vantagens", segundo Xavier Bonfils, astrônomo do CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica) francês no Observatório de Ciências do Universo de Grenoble (leste).

O exoplaneta orbita na zona habitável da sua estrela, ou seja, está "a uma distância da sua estrela que permite a presença de água líquida na sua superfície, o que é indispensável para a vida", explica Jason Dittmann. Dos milhares de exoplanetas detectados até agora, apenas algumas dezenas se encontram, como o LHS 1140b, em uma zona habitável.

Outra vantagem do LHS 1140b é que sua estrela anfitriã é muito luminosa e sua órbita está corretamente inclinada no céu em relação a nós. A cada 25 dias, ao transitar diante da sua estrela, projeta uma sombra que pode ser bem observada a partir da Terra. Os astrônomos, que se basearam nas observações do espectógrafo Harps, instalado em um telescópio do ESO (Observatório Europeu Austral) no Chile, puderam definir o raio e a massa do LHS 1140b.

Seu raio mede quase uma vez e meia o da Terra, e sua massa é seis vezes maior que a do nosso planeta. Os astrônomos deduziram que o exoplaneta é rochoso, como o nosso. Para encontrar vida, os cientistas procuram planetas similares à Terra. Em fevereiro, cientistas anunciaram a descoberta de sete planetas do tamanho da Terra, dos quais três poderiam abrigar oceanos de água líquida, orbitando uma estrela-anã TRAPPIST-1.

Os cientistas aguardam agora o lançamento, previsto para outubro de 2018, do telescópio espacial James Webb (JWST), cem vezes mais potente que o Hubble, que permitirá estudar esses exoplanetas e descobrir se possuem atmosfera. Depois, deverão definir se estas atmosferas contêm rastros de oxigênio, outro elemento essencial para a vida como a conhecemos.


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