Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.
VOLTAR
FECHAR

Rua Jornal NH, 99 - Bairro Ideal - Novo Hamburgo/RS - CEP: 93334-350
Fones: (51) 3065.4000 (51) 3594.0444 - Fax: (51) 3594.0448

PUBLICIDADE
Aos 40

Aumenta procura por tratamentos para engravidar

Gravidez tardia, após os 40 anos, aumentou 27% entre 2000 e 2016 no Brasil

GES-Especial/Gabriela da Silva
Soraya optou por se dedicar à filha Luíza em tempo integral

A resposta vem imediata, sem titubeios: “Sou mãe”. É assim que hoje se define Soraya Nassar, 45 anos, enquanto admira com o olhar enternecido a filha Luíza, 4, ao seu lado, distraída em rabiscos com papel e caneta. A maternidade sempre foi um sonho para ela, mas não era para o marido, Reinaldo. “Ele deixou isso claro desde que o conheci e eu respeitei”, conta. Foi com 10 anos de casamento que os dois decidiram, em conjunto, tentar a gravidez. Só que Soraya já estava com 38 anos. “Sabia que o fator idade era determinante, então optamos pela fertilização in vitro”, revela. A gestação, porém, não veio logo de cara. Na primeira tentativa, não foi possível obter nenhum embrião. Na etapa seguinte, se conseguiu apenas um óvulo que foi congelado, e depois usado para formar embriões com outros óvulos coletados após nova estimulação. Desta vez, a fertilização deu certo e o casal pôde começar a se preparar para receber Luíza. “O tempo é implacável para nós, mulheres, e eu não sabia disso”, diz. 

Soraya faz parte de um grupo em crescimento. A gravidez tardia, após os 40 anos, aumentou 27% entre 2000 e 2016, de 60.469 para 77.138, segundo o Sistema de Informações de Nascidos Vivos (Sinasc), que traz números da rede pública e privada no País. O fenômeno não é exclusividade do Brasil e vem acontecendo também, principalmente, em países mais desenvolvidos, comenta o especialista em medicina reprodutiva Marcos Höher, do Centro de Reprodução Humana Nilo Frantz. “Está relacionado ao acesso à educação, essa diminuição da disparidade, em que o homem ia estudar e trabalhar e a mulher ia cuidar da casa e dos filhos. A mulher está tendo o mesmo comportamento do homem socialmente e culturalmente, o problema é que biologicamente a mulher é totalmente diferente do homem”, observa. 

Este cenário tem levado ao aumento na procura por tratamentos como o congelamento de óvulos, Fertilização In Vitro (FIV) e outros tratamentos de Reprodução Assistida. “Houve uma preocupação muito grande com gravidez na adolescência, para que as meninas não repetissem o que aconteceu com as suas avós, de engravidar jovem e não poder estudar, não poder trabalhar, mas não houve atenção e esclarecimento, e muita coisa nem se sabia, sobre até quando esperar”, comenta Höher. Há alguns anos as causas mais frequentes de infertilidade feminina eram problemas nas trompas uterinas e disfunção da ovulação, mas hoje o principal fator, aponta a Organização Mundial da Saúde (OMS), é a diminuição da quantidade e da qualidade dos óvulos, que é quando entra o chamado fator idade. Mulheres com menos de 35 anos têm o melhor prognóstico, diz o especialista. A partir dessa idade, as chances de engravidar caem para cerca de 30%. “Tudo para engravidar ou congelar óvulos é sempre o quanto antes melhor”, diz o especialista.

Postura  de risco, diz especialista

Na teoria, e sem considerar as questões sociais e culturais, explica Höher, a idade ideal para a mulher engravidar seria os 23 anos, quando está no apogeu da fertilidade. “Com um plano de querer engravidar aos 40, a mulher está assumindo postura de risco”, reforça. De acordo com o especialista, conforme o tempo vai passando, principalmente na faixa dos 40 anos, o risco de aborto aumenta, por conta da degeneração do óvulo, que é muito sensível e sofre lesões. A incidência de complicações como diabete e hipertensão da gestante também fica maior, assim como aumenta a chance de a criança nascer com Síndrome de Down.

Maternidade mais madura

Se por um lado há riscos, por outro, a maternidade na faixa dos 40 anos também tem suas vantagens. “É incrível ser mãe depois dos 40 anos, a gente já viveu o que tinha pra viver, já está mais preparada emocional e financeiramente”, comenta Soraya, que optou por deixar a carreira de agente de viagens de lado para poder se dedicar à criação da filha em tempo integral. “Fui muito criticada pela minha decisão, mas tenho orgulho do meu ‘trabalho’ de ser mãe, que não é valorizado. Aos 20, 30 anos talvez eu não pudesse estar tão presente”, diz. A educação e o desenvolvimento de Luíza são hoje os principais focos na vida de Soraya, que viu sua vida mudar completamente com a chegada da filha. “É um dia a dia bem corrido, mas estou feliz dessa forma. Meu objetivo e do meu marido é prepará-la para a vida, para que seja uma pessoa segura e capaz tomar suas próprias decisões. E não tem o que pague poder estar junto com ela nessa fase de desenvolvimento”.

GES-Especial/Gabriela da Silva
Höher: "quanto mais cedo, melhor"
Motivos para tratamento

A partir da observação dos casos que chegam à clínica, acompanhando um cenário que vem acontecendo mundialmente, Höher destaca que a procura por tratamento para engravidar tem aumentado por três motivos: os custos gradativamente foram diminuindo, as pessoas estão deixando para engravidar mais tarde e há mais acesso a métodos anticoncepcionais. A média de idade das pacientes que procuram atendimento é de 35 e 36 anos. Não há dados recentes sobre reprodução assistida no Brasil, mas, conforme o relatório Assisted Reproductive Technology 2014, divulgado no ano passado pelo centro de prevenção de doenças crônicas e promoção de saúde dos Estados Unidos, mais de 60% das mulheres que procuram tratamento para engravidar têm mais de 35 anos.

Sobre o congelamento de óvulos, o médico diz que é indicado para duas situações: para a mulher solteira que não tem previsão de ter filhos num curto espaço de tempo e por doenças oncológicas, para preservar os óvulos durante o tratamento contra o câncer. Porém, alerta o especialista, o congelamento não é uma garantia de que a fertilidade está preservada. “Com certeza, a gente está congelando os óvulos, mas se vai resultar num bebê a gente não pode garantir”. Para quem deseja engravidar logo, a procura por tratamentos vai depender da idade da mulher e do tempo de tentativa. Até 35 anos de idade se espera um ano em média e, se não engravidar, é recomendável procurar um especialista ou ginecologista. Esse tempo diminui para seis meses dos 36 aos 40 anos e, a partir dos 40 anos, o ideal é consultar com um profissional assim que tiver a intenção de engravidar.

Quantidade e qualidade dos óvulos

As mulheres nascem com uma média de 1 milhão de óvulos, quantidade que varia de pessoa para pessoa. Na puberdade, com a chegada da primeira menstruação, esse número cai para cerca de 500 mil. A cada mês (ciclo menstrual) são recrutados 15 ou mais óvulos, mas somente um óvulo atinge a ovulação. Assim, durante toda a vida centenas de óvulos são perdidos. Devido a essa queda, as chances de reprodução começam a diminuir por volta dos 30 a 35 anos, e dos 35 aos 40 anos essa diminuição é bem mais acelerada. No caso do congelamento, se for feito mais cedo, a taxa de sucesso de gravidez vai se manter igual à que corresponde à idade que a paciente tinha quando fez o procedimento e não a idade de quando começar a tentar a fertilização. “Importa mais a idade do óvulo do que do útero e, conforme a idade vai aumentando, a chance de engravidar vai diminuindo”, explica Höher. Para os homens, o cenário é um pouco diferente, mas o passar da idade também traz mais dificuldades. “O homem vai envelhecendo, vai formar menos espermatozoides, mas ele está formando todo dia. Então o cara de 50 anos que ejacula hoje, está ejaculando espermatozoide de 70 dias, não de 50 anos. A mulher não, ela está com 30, mas os óvulos dela têm 30 anos”, exemplifica.


PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Capa do dia

FOLHEIE O SEU JORNAL PREFERIDO NA TELA DO SEU COMPUTADOR.

ACESSE ASSINE AGORA
51 3600.3636
CENTRAL DO ASSINANTE

51 3591.2020
CENTRAL DE VENDAS DE ASSINATURAS