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Ritmos que fazem bem

Após sofrer AVC, aposentado aposta na musicoterapia para se recuperar

Tratamento está entre alternativas oferecidas pelo SUS

Gabriela da Silva/GES-Especial
Depois de sofrer um AVC, seu Hugo recupera a fala aos poucos com ajuda de suas canções favoritas

Melodias conhecidas despertam um sorriso no rosto de seu Hugo Büttenbender, 67 anos. Tocando bumbo em movimentos suaves, ele já consegue acompanhar algumas de suas canções favoritas em sua terceira sessão de musicoterapia. No repertório não faltam clássicos de Teixeirinha e do Trio Parada Dura. Há dois anos, o aposentado sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) que lhe afetou a fala e, até o ano passado, fazia outros tratamentos, mas sem conseguir alcançar o resultado esperado, conta a esposa, Ana Maria. Só que cantarolar, mesmo com dificuldade, seu Hugo conseguia, e foi aí que uma conhecida do casal de São Leopoldo sugeriu que tentassem a musicoterapia. “Acho que ele está mais feliz. Estava muito triste sempre, muito quieto em casa. Isto deixa ele mais motivado para aprender e tentar se comunicar”, comenta a companheira de 36 anos de casamento.

Gabriela da Silva/GES-Especial
Ana Maria conta que o marido está mais feliz com a terapia com a música
Embora os encontros tenham instrumentos diversos e o aprendizado seja constante, não se trata de uma aula de música. “Musicoterapia é a utilização de elementos como ritmo, melodia ou harmonia, com um objetivo terapêutico. Que pode ser tanto a nível emocional, social, intelectual ou motor”, destaca a musicoterapeuta Luciana Steffen. “Outra questão bem importante é o prazer que a música provoca, pois ativa a mesma área do cérebro que é ativada por prazer, por drogas, pelo sexo e pela alimentação. Tem até a questão do sistema imunológico, pressão arterial se regula mais, hormônios relacionados ao prazer e de prevenção ao estresse. Tem vários efeitos”, aponta.

Para todos

Luciana ressalta que a musicoterapia é recomendada para pessoas de qualquer idade. No caso de bebês, o som pode até funcionar como uma estimulação precoce e a criança que tem contato com a música desde cedo vai conseguir desenvolver algumas habilidades com mais facilidade. “Vai provavelmente conseguir caminhar antes, porque tem o contato com a dança, vai falar antes porque vai estar trabalhando a memória. Sem falar a alfabetização e outras questões que podem ser aceleradas com a musicoterapia”, comenta.

Tratamento estimula interação

Há, no entanto, uma área em que o tratamento se destaca ainda mais: o autismo. Luciana conta que a musicoterapia é muito procurada por famílias de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), principalmente, pelo estímulo à interação. “Quando começa a cantar, a criança já olha, pega o instrumento, já começa a tocar. É uma forma de comunicação, que a música oferece, que não é a interação verbal”, observa. Neste caso, diz Luciana, a terapia complementa e se integra a outros tratamentos, como fonoaudiologia e psicologia. 

Como a música ativa várias partes do cérebro, é considerada uma terapia completa, focada nas especificidades de cada paciente. “Ouvir uma música que a gente gosta é capaz de mudar o estado de humor, dá vontade de dançar, de se movimentar. Para pessoas que têm dificuldades motoras, por exemplo, a música também traz motivação”, comenta Luciana. Indicada para questões emocionais, físicas, cognitivas e também espirituais, a musicoterapia não tem contraindicação.

Sessões rendem composições

Seu Hugo é um dos pacientes da Clínica de Musicoterapia das Faculdades EST, de São Leopoldo, onde é atendido por acadêmicos-estagiários do curso de Musicoterapia. Cada sessão é preparada de acordo com as preferências musicais do paciente, com atividades adequadas para cada idade e necessidade, explica a estagiária Cândida Maldaner, o que deixa o tratamento mais leve, mais divertido e com resultados melhores.

Há cerca de dois anos, Dênis Fabiano da Silva, 29, também frequenta a clínica e, de tão envolvido com a música, já chegou a compor algumas canções, com letras que falam de amor e amizade. “Todos nós precisamos de alguém, um ombro amigo para se encostar”, canta Biano, como gosta de ser chamado. Um acidente de carro aos 19 anos lhe causou lesões que afetaram a fala e a motricidade. Mas, no ritmo que vem evoluindo e com a motivação que tem, já consegue se imaginar voltando a fazer uma das coisas que mais gostava antes do acidente. “Era um bom pé de valsa, dançava com todas no baile”, revela.

Cândida comenta que Biano corria o risco de ficar em estado vegetativo, mas vem melhorando a cada sessão. “Quando chegou aqui praticamente não falava, veio na cadeira de rodas, hoje até consegue se levantar um pouquinho. O importante é nunca desistir, com a musicoterapia não pode esperar que as coisas aconteçam de um dia para o outro”, destaca. E “desistir” é um verbo que não faz parte do vocabulário de Biano: “Posso estar triste, quando chego aqui, mas vejo o pessoal e começamos a conversar, daí já me distraio”. Também o acompanham nas sessões os estagiários Maíra Fortes, Diana Dick, Ana Caroline Heller, Isadora Raymundo e Saul de Lima.

Gabriela da Silva/GES-Especial
Biano compôs canções que falam de amor e amizade

Disponível pelo SUS

A musicoterapia está entre as terapias alternativas que passaram a ser oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), através da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, a partir de março deste ano, junto com meditação, arteterapia, reiki, quiropraxia, ayurveda, biodança, dança circular, naturopatia, osteopatia, reflexoterapia, shantala, terapia comunitária integrativa e yoga. Com a portaria 849/2017, publicada dia 28 de março, o Ministério da Saúde reconhece oficialmente a importância das manifestações populares em saúde e a chamada medicina não convencional, considerada como prática voltada à saúde e ao equilíbrio vital.

“Historicamente, a gente focou muito no médico e na alopatia. A gente tem essa cultura, sentiu qualquer coisa, procura o médico, e ele passa um remédio. Mas existem outras terapias reconhecidas pela ciência que diminuem sofrimento e melhoram as condições de saúde. A gente não privilegiava tanto essas alternativas, e passamos agora a privilegiar mais”, declara o diretor do Departamento de Atenção Básica do Ministério, Allan Bruno. Os serviços são oferecidos por iniciativa local, mas recebem financiamento do governo federal.

O que é?

A música começou a ser vista como terapia por volta dos anos 1940, quando profissionais de diferentes áreas se reuniram em Michigan, nos Estados Unidos, e apresentaram o 1º Plano de Estudos sobre os efeitos terapêuticos da música. Um dos motivos que despertou a atenção para o assunto foi a constatação de que soldados feridos na 2ª Guerra Mundial mostravam uma recuperação melhor quando tinham contato com apresentações musicais ainda nos leitos hospitalares. Conforme definição da Federação Mundial de Musicoterapia, o método é a “utilização profissional da música e seus elementos, para a intervenção em ambientes médicos, educacionais e cotidiano com indivíduos, grupos, famílias ou comunidades que procuram otimizar a sua qualidade de vida e melhorar suas condições físicas, sociais, comunicativas, emocionais, intelectuais, espirituais e de saúde e bem-estar.”

Atendimento

A Clínica de Musicoterapia da Faculdades EST oferece um tratamento individual ou em grupo, que trabalha o bem-estar físico, emocional e mental dos pacientes.

Crianças, adolescentes e adultos são atendidos por acadêmicos-estagiários do curso de Musicoterapia com supervisão de professores.

Para ser atendido na Clínica, o paciente tem que passar por uma triagem e avaliação.

Informações: (51) 2111-1407 e clinicamusicoterapia@est.edu.br.


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