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Delação premiada

Em depoimento, Joesley explica contexto de diálogo com Temer; veja trechos

Dono da JBS destrinchou textos cifrados de conversa gravada com o presidente

Vanessa Carvalho/Brazil Photo Press/AFP
Joesley Batista

Durante o depoimento do empresário Joesley Batista, dono da JBS, os procuradores buscaram tirar as dúvidas deixadas pela gravação da conversa entre Joesley e o presidente Michel Temer (PMDB). Os assuntos tratados eram de conhecimento de ambos e, portanto, havia pontos cifrados a serem esclarecidos para o andamento da investigação. Na versão de Josley, o presidente sabia e deu aval para que ele mantivesse os pagamentos ao ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB), para que ele ficasse em silêncio.

Com a oitiva, a Procuradoria-Geral da República (PGR) montou o quebra-cabeça da conversa que aconteceu no dia 7 de março, às 22h40, no Palácio Jaburu, residência de Temer. O empresário afirmou que dois principais motivos o levaram a solicitar o encontro: perguntar quem seria seu novo interlocutor junto ao governo, após a saída de Geddel Vieira Lima do Ministério, e saber se o presidente ainda julgava necessário o pagamento de propina a Cunha e ao operador Lúcio Funaro - ambos foram presos pela Operação Lava Jato.

EDUARDO CUNHA

Áudio

JOESLEY - Como o senhor ?tá? nessa situação toda do Eduardo (Cunha), não sei o quê, Lava-Jato..

TEMER - O Eduardo resolveu me fustigar, né. Você viu que..

JOESLEY- Eu não sei, como ?tá? essa relação?

TEMER - (inaudível) O (Sergio) Moro indeferiu 21 perguntas dele (Cunha) que não tinham nada a ver com a defesa dele, era para me trutar. Eu não fiz nada (inaudível)... No Supremo Tribunal Federal (inaudível).

JOESLEY - Eu queria falar assim... Dentro do possível, eu fiz o máximo que deu ali, zerei tudo. O que tinha de alguma pendência daqui para ali (com Cunha), zerou toda. E ele (Cunha) foi firme em cima. Já tava lá, veio, cobrou, tal tal tal, pronto. Eu acelerei o passo e tirei da frente. O outro menino, companheiro dele que tá aqui, que o (ex-ministro) Geddel (Vieira Lima) sempre tava...

TEMER - Lúcio Funaro...

JOESLEY - Isso... O Geddel que andava sempre ali, mas o Geddel perguntou, mas com esse negócio eu perdi o contato, porque ele virou investigado. Agora eu não posso também...

TEMER - É, é complicado, né, é complicado...

JOESLEY - Agora, eu não posso encontrar ele.

TEMER - Isso é obstrução de justiça, viu?

JOESLEY - Isso, isso... O negócio dos vazamentos, o telefone lá do Eduardo, do Geddel, volta e meia citava alguma coisa meio tangenciando a nós,a não sei o quê. Eu tô lá me defendendo. Como é que, o que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora. Eu tô de bem com o Eduardo...

TEMER - Tem que manter isso, viu?

JOESLEY - (inaudível) Todo mês, também...

TEMER - É... (inaudível)

Depoimento

"Eu ouvi do presidente, claramente, que era importante manter isso (ajuda financeira a Funaro e Cunha). Enfim, a primeira missão minha lá (na reunião no Palácio Jaburu) era essa: saber dele (Temer) se o compromisso (pagamento de propina) ainda era necessário, e ele (Temer) me disse de pronto que sim"

"Eu fui lá (ao Palácio Jaburu) dizer: o Eduardo (Cunha) 'tá' preso, o Lúcio (Funaro) 'tá' preso. A gente paga lá uma mensalidade pro Lúcio até hoje"

"Eu fui lá (ao Palácio Jaburu) falar com o presidente exatamente isso: que tinha acabado o saldo do Eduardo (Cunha), que eu tinha pago tudo, que 'tava' tudo em dia, mas que tinha acabado. Por outro lado, que eu seguia pagando o Lúcio (Funaro) R$ 400 mil por mês. Eu queria informar isso 'pra' ele (Temer) e saber a opinião dele, né. Foi onde, de pronto, ele (Temer) me disse que era importante continuar isso (os pagamentos de propina)"

"Então, agora, ultimamente, esse que 'tava' sendo o problema, 'pra' garantir o silêncio deles, pra manter eles calmos, pra manter o Lúcio calmo na penitenciária e o Eduardo também. Não sei como ficar calmo na cadeia, mas 'pra' ficar em silêncio e não se revelarem. Eu sempre recebi sinais claros de que era importante mantê-los financeiramente, a família, tal, resolvidos".

"Ele (Temer) fez um comentário, aquele questionário que o Eduardo (Cunha) fica fustigando ele e tal. Eu entendi aquilo como um reforço à necessidade de eu manter, vamos dizer, financeiramente, porque, o que eu entendo é que existe ali um grupo onde parte do grupo está preso e parte está no poder, né", disse o empresário

"O Lúcio (Funaro) é o operador financeiro do Eduardo (Cunha) no esquema PMDB da Câmara. O esquema PMDB da Câmara é composto pelo presidente Michel, Eduardo, enfim, alguns outros membros".

GEDDEL VIEIRA LIMA E RODRIGO ROCHA LOURES

Áudio

JOESLEY - Isso... O Geddel que andava sempre ali, mas o Geddel perguntou, mas com esse negócio eu perdi o contato, porque ele virou investigado. Agora eu não posso também...

TEMER - É, é complicado, né, é complicado...

JOESLEY - Agora, eu não posso encontrar ele.

TEMER - Isso é obstrução de justiça, viu?

Em outro momento, Joesley e Temer tratam sobre o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), escalado por Temer para tratar dos assuntos da JBS no governo.

JOESLEY - Enfim, mas vamos lá. Queria falar como é que é, ?pra? falar contigo, qual melhor maneira, porque eu vinha falando através do Geddel, eu não vou lhe incomodar, evidentemente

TEMER - inaudível

JOESLEY - Eu sei disso, por isso é que...

TEMER - É o Rodrigo

JOESLEY - É o Rodrigo? Então ótimo

TEMER - (inaudível) Da mais estrita confiança

JOESLEY - Prefiro combinar assim, se for alguma coisa que eu precisar eu falo com o Rodrigo, se for assunto desses aí...

Depoimento

"Aí eu passei para a segunda parte da minha reunião, que foi perguntar a ele (Temer) quem seria o interlocutor, dado que Geddel tinha caído. Ele me disse que era o Rodrigo Rocha Loures, e eu ainda falei 'pra' ele: 'Presidente, mas todos os assuntos? Porque a gente conversa assuntos íntimos?. E ele me disse com a palavra: 'Rodrigo é da minha mais estrita confiança'. Aí, depois dessa palavra, eu disse: 'Tá bom, então, agora 'pra' frente, não lhe incomodo mais, sigo falando com Rodrigo".


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