Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.
VOLTAR
FECHAR

Rua Jornal NH, 99 - Bairro Ideal - Novo Hamburgo/RS - CEP: 93334-350
Fones: (51) 3065.4000 (51) 3594.0444 - Fax: (51) 3594.0448

PUBLICIDADE
Oncologia

Paciente não deve sofrer em silêncio com a dor

Psicóloga e presidente do Instituto Oncoguia alerta sobre importância do assunto ser levado ao consultório médico

Marcelo Ribeiro/Divulgação
Luciana foi uma das palestrantes do Workshop de Oncologia Latino-Americano - O futuro da oncologia: desafios, avanços e inovação, realizado na última semana em São Paulo
“A dor tem que estar na pauta da consulta”. A orientação é da psicóloga e presidente do Instituto Oncoguia, Luciana Holtz, uma das palestrantes do Workshop de Oncologia Latino-Americano - O futuro da oncologia: desafios, avanços e inovação, realizado na última semana em São Paulo. No evento, promovido pelo instituto em conjunto com a Bayer, Luciana destacou que mais de 80% dos pacientes com câncer ouvidos em uma pesquisa feita em 2015 no País reportaram ter dor constante, de moderada a severa. Na entrevista abaixo, ela fala sobre o tema e sobre o papel do Oncoguia.

Por que os pacientes têm tanta dor?

Acho que a pesquisa traz um dado alarmante, porque 80% dos pacientes que vivem com uma dor de moderada a severa é muito grave. A gente tem algumas questões envolvidas nisso. Uma delas é que a gente tem ainda uma crença de que viver com dor faz parte. Isso está errado. A segunda crença que a gente precisa desmistificar é: “eu preciso conversar sobre esse assunto com meu médico?”. Parece que é um assunto que “ah, mas eu não vou falar com meu oncologista, porque acho que não é com ele que tenho que falar”. É com ele, sim. Tem que estar na pauta da consulta.

Por que os pacientes não procuram ajuda?

Há uma série de medos: “eu não quero tomar morfina, porque a morfina vicia”. Isso também é mito. Acho que do mesmo jeito que o médico sabe prescrever uma morfina, é muito importante que ele (paciente) seja muito bem acompanhado no dia a dia. E outros efeitos que, às vezes, são causados pelo tratamento, também sejam acompanhados. O que não pode deixar é o paciente deixar de contar para seu oncologista que ele está passando por isso.

Então a dor é quase uma “culpa” do paciente?

Pois é. É mais uma. Já tem a questão “ah, meu Deus estou enfrentando a doença. Aí vem a dor”. Já tivemos evento com paciente e a maioria era paciente com metástase (quando o câncer se espalha além do local onde começou para outras partes do corpo) de câncer de mama. Eu lembro de uma delas que levantou a mão e disse: “doutora, eu estou aqui com muita dor no meu fígado, mas estou com medo de tomar remédio para dor porque o meu câncer já é no fígado. E eu fico pensando que é bem no fígado que o remédio metaboliza”. Então ela estava achando que era melhor não tomar o remédio, porque ao invés de melhorar, ele ia piorar? Então esses mitos, esses preconceitos, a gente toma muito cuidado. É melhor esclarecer.

O Instituto Oncoguia recebe muitas ligações que envolvem essas reclamações?

O tema da dor não é muito frequente como a gente gostaria, mesmo porque não temos médicos à disposição. Mas o que a gente vai poder orientar esse paciente é a forma de perguntas que eles podem fazer para seu próprio médico. Sabe que tem uma coisa curiosa: tem paciente que não sabe como perguntar. Às vezes, a dúvida é tão grande, que o paciente não sabe nem como formular a pergunta adequada. Então isso a gente também pode ajudar.

Qual é a filosofia do Oncoguia?

É uma ONG, que existe para ajudar o paciente de câncer a viver melhor. Como a gente faz isso? A gente acredita em pilares de apoio para o paciente. Um deles é muita informação de qualidade. Temos um portal na Internet, que é o oncoguia.org.br. Temos outro programa que é via telefone, que se chama Canal Ligue Câncer. O canal atende todos os pacientes, familiares e amigos de quem está enfrentando a doença. Em caráter nacional, é gratuito e é o 0800 773 1666.

A falta de informação ainda é um dos vilões?

Sem dúvida. Acho que é uma informação que o paciente não pode ter medo, precisa olhar para informação como um instrumento de sobrevida, de batalha, a partir do momento que sabe o que está sentindo, que tem uma coisa errada com seu corpo. É uma parte da gente, que depende da gente: se está acontecendo uma coisa errada comigo, eu não posso esperar. Não posso deixar aquilo crescer e fazer de conta que aquilo não está acontecendo. No momento que me incomodo e falo “está errado isso aqui”, eu preciso buscar ajuda. Nem sempre essa ajuda me responde. É aí que a gente fala dos desafios do sistema de saúde: sei quais são os meus direitos, que preciso ser atendida por um ginecologista, que preciso fazer mamografia, que tudo isso precisa ser oferecido pelo SUS, eu preciso conhecer os caminhos. Se o sistema não está oferecendo isso, eu preciso de uma ouvidoria, procurar uma defensoria pública, pedir o apoio da imprensa. O que não dá é ficar quietinho esperando.

Sobre a pesquisa

420 respostas para o Instituto Oncoguia

90% são mulheres

55% têm entre 40 e 59 anos

40% são tratados pelo SUS e 35% por planos de saúde

A maior parte das respostas são de pessoas com câncer de mama, seguido de cânceres de colo de útero e colorretal

85% sentem dor de média a forte; 44,8% dos pacientes oncológicos sentem dor intensa; 40% moderada e 15,2% leve intensidade

As palavras mais usadas para descrever a dor foram desânimo (40,4%), angústia (35,6%) e desespero (17,5%)

A sensação que mais representa a dor: 55,58% é cansaço; 22,09% é irritação; 13,35% é tristeza e 8,98% estresse

55% dos pacientes que não falam de sua dor com os oncologistas acreditam que a dor faz parte do tratamento

Estudos mostram que a dor é um sintoma extremamente comum em quadros de câncer, mas que pode ser controlado. No entanto, muitos pacientes acreditam que ela faz parte da doença e sofrem em silêncio.

*A repórter viajou a convite da Bayer


PUBLICIDADE

WEBTV

PUBLICIDADE
Capa do dia

FOLHEIE O SEU JORNAL PREFERIDO NA TELA DO SEU COMPUTADOR.

ACESSE ASSINE AGORA
51 3600.3636
CENTRAL DO ASSINANTE

51 3591.2020
CENTRAL DE VENDAS DE ASSINATURAS