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Crise sem fim

Candidato à Constituinte é morto a tiros durante comício na Venezuela

Jovem de 16 anos também morreu em mais um dia de tensão no país vizinho

FEDERICO PARRA/ AFP
Venezuela entra no terceiro mês com protestos contra o governo
Forças de segurança e manifestantes se enfrentaram nesta segunda-feira (10) em várias cidades da Venezuela, com o balanço de dois mortos e dezenas de feridos, durante um bloqueio de ruas realizado pela oposição contra a Assembleia Constituinte convocada pelo presidente Nicolás Maduro. Uma das vítimas fatais é o candidato à Constituinte José Luis Rivas, morto a tiros durante um comício na cidade de Maracay, no estado de Aragua.

O Ministério Público informou que investigará "a morte de um jovem de 16 anos durante uma manifestação" na localidade de La Isabelica, estado de Carabobo (norte), onde aconteceram confrontos.

Além disso, sete militares ficaram feridos pela explosão de um artefato lançado por manifestantes contra uma caravana de policiais durante um confronto em Altamira, bairro do leste de Caracas, e outros dois soldados foram baleados nas localidades de La Tahona e San Antonio, no estado de Miranda (norte). O prefeito de Chacao (leste), Ramón Muchacho, disse à AFP que ao menos 21 pessoas ficaram feridas nos distúrbios.

Com cordas, veículos e barricadas de árvores e de lixo, grupos de opositores participam do "grande bloqueio" de 10 horas convocado pela Mesa da Unidade Democrática (MUD) para estimular o plebiscito contra a Assembleia Constituinte planejada por Maduro.

"Este povo está decidido a continuar a luta pela liberdade. No domingo haverá o ato de desobediência civil mais importante da história da Venezuela", declarou o deputado da oposição Freddy Guevara, vice-presidente do Parlamento, de maioria opositora, em um bloqueio no leste de Caracas.

À margem do poder eleitoral, os opositores da MUD realizarão no próximo domingo um plebiscito simbólico, confiantes de que a votação mostrará uma rejeição em massa à Constituinte convocada por Maduro para, segundo eles, perpetuar-se no poder.

FEDERICO PARRA/ AFP
Na segunda-feira (10), duas pessoas morreram em novos confrontos com a Polícia

A Igreja católica, que chamou o governo de "ditadura", pediu na segunda-feira a Maduro que retire de forme urgente seu projeto e "devolva" a institucionalidade democrática ao país.

Em meio a uma severa crise econômica e política política, a Venezuela vive há 101 dias uma onda de protestos que deixou 93 morto.

"Condenamos a morte de outro jovem manifestante na Venezuela. Apenas a democracia acabará com a violência contra o povo", escreveu no Twitter o secretário-geral da OEA, Luis Almagro.

O governo afirma que nada atrapalhará a Constituinte, cujos 545 integrantes serão eleitos no dia 30 de julho. Em todos os estados do país, milhares de apoiadores, vestidos de vermelho, participaram na segunda-feira de atos de campanha.

"Não queremos mais guerra, não queremos uma Síria. Podemos estar chateados com revolução por certas coisas que não estão funcionando, mas todo o povo chavista tem que votar", disse Steven Márquez, em um desses atos.

Em outra concentração, a esposa de Maduro, Cilia Flores, candidata à Constituinte, assim como o filho do presidente, criticou "os loucos" que "se empenham em fechar as ruas e falam de democracia". "Quem não quer a paz são os loucos, os irracionais, os fascistas, um grupinho muito pequeno, mas que causa muitos danos. A Constituinte trará paz", disse a primeira-dama.

Maduro assegura que com a Constituinte, um supra poder que regirá o país por tempo indeterminado, trará a estabilidade política e econômica.


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