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Mauro Blankenheim

Um belo dia resolvi mudar

"Como bombar os músculos não seria mudança suficiente, vou adotar a barba cerrada e branca mesmo..."

Mauro BlankenheimMauro Blankenheim é publicitário

mauroblankenheim.com.br

Quem nunca pensou em mudar radicalmente de vida? Tentar uma nova profissão, casar de novo, abrir uma pousada, viajar sem lenço e sem documento, mudar de Igreja? Mudar é como o suicídio. Todo mundo já cogitou dele alguma vez na vida. Como o suicídio não está na minha pauta, avante com as mudanças propriamente ditas.

Primeiro seria necessária uma transmutação física, por que qual a validade de mudar sem que os outros percebam? Nenhuma, afinal vocês conhecem a piada da Demi Moore na ilha, lembram? Vou me inscrever numa dessas academias de Pilates, mas vou tomar o cuidado de ir de sunga, pois sacudindo na hora do alongamento, pode cair alguma peça.

Como bombar os músculos não seria mudança suficiente, vou adotar a barba cerrada e branca mesmo, sujeita a tingimento, como o crédito nas financeiras, que agora deixou de ser ícone de preferência política para virar moda, e moda que veio pra ficar. Todo mundo com cara de Dostoiévski. Todo mundo com cara de Teodoro.

Para compor o visual, achei que depois de anos de resistência deveria incorporar a mochila. Depois de insistir por muito tempo em pastas a tiracolo, deixei de pensar que mochila é coisa de escoteiro-lobinho e de soldado do exército, para entendê-la como acessório ordinário do homem de negócios atual e atualizado, mas confesso que levou tempo. O note insistia em não se incorporar à mochila. E lá dentro, caía dela. Talvez por ser um note ideológico, cheio de ideias e ideais, difícil de conter em seus sonhos e utopias. Um note rebelde, digamos. Inquieto.

Por fim, last but not least, uma tatoo. Mega. Visível até com terno e gravata. Muitos sessentões, brancos como a neve, se rendem ao poder da tatuagem. Muitos relutam e bravamente se entregam exaustos. Te prepara aí Zezinho, vamos colocar uma efígie do Fernandão no meu ombro direito, subindo a taça do Mundial pelo pescoço, que vive dando sinais de estresse. No ombro esquerdo já fiz o shaving. O acrômio levou uma limada daquelas que fez a bursite encolher para sempre. O Dr. Osvandré Lech foi preciso, sabe o que faz.

O direito insiste em ranger como um esqueleto de Museu de História Natural, o que me impediu, juntamente com players de todo o mundo, de continuar levando meu tênis agressivo às quadras de todos os cantos do planeta e muito possivelmente, levantar um Grand Slam. Imagine o meu constrangimento ao levantar a bolinha para sacar e, naquele silêncio sepulcral de respirações contidas das torcidas nas arenas tenísticas, o ombro falar, screeetch!? É falta, é falta, é falta. Pede o desafio.

Rita Lee releu bem. Nenhuma mudança é significativa se não for por dentro.

Um belo dia resolvi mudar. E fazer tudo o que eu queria fazer...


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