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Gilson Luis da Cunha

Quem quer viver para sempre?

Diário de bordo de um nerd no planeta Terra (DATA ESTELAR 16072017)

Gilson Luis da Cunha - Blog Diário de Bordo de um nerd no planeta terraGilson Luis da Cunha é doutor em Genética e Biologia Molecular pela Ufrgs, Old School Nerd, fã incondicional de livros filmes, séries e quadrinhos de ficção científica, fantasia e aventura

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O recente falecimento de Joan Lee, esposa do mito Stan Lee, aos 93 anos, nos lembra que o grande criador de personagens da Marvel e uma das figuras midiáticas mais onipresentes do mundo moderno, não viverá para sempre. Nós nos acostumamos a ver "Stan The Man" em aparições rápidas nos filmes de personagens da casa das ideias, animações de super-heróis, participações em filmes de Kevin Smith e, até, comandando um reality show. Por tudo isso, ficamos com a impressão de que esse cara é um imortal, no sentido literal da palavra. Após o implante de seu marca-passo, ele teria brincado: "Fiz essa cirurgia para ficar mais parecido com Tony Stark".

Há dados bastante consistentes mostrando que o bom humor diante da adversidade é um fator emocional que colabora com a longevidade. Stan parece comprovar a teoria. Mas pense em um mundo sem Stan Lee. Seriam suas participações futuras em filmes da Marvel feitas por sósias em CGI? A tecnologia avança a passos largos e é bem possível que isso aconteça num futuro próximo, com um grau realismo tão bom que parecerá real sob todos os sentidos. Agora, imagine a tecnologia aplicada a um tipo de imortalidade virtual. Já há softwares geradores de roteiros e romances. Será que valeria a pena manter uma inteligência artificial programada para escrever livros de Stephen King?

Muitas vezes o charme de uma obra de arte está em suas imperfeições. Tramas "fechadinhas", sem reviravoltas bruscas, podem não ter um apelo ao público que realmente as consome. E na música? Imagine criar versões virtuais de seu compositor favorito? Será que funcionaria? Costumo brincar com o fato de que John Williams devia ser proibido de morrer até a conclusão da atual trilogia de Star Wars, que dizem ser a última. Será que uma versão virtual do maestro teria a mesma habilidade e, mais do que isso, o mesmo impacto emocional nas plateias de cinema?

Todos nós temos um apreço especial por aqueles que marcaram nossa infância e juventude e, se dependesse de nós, gostaríamos que eles vivessem para sempre, mas isso é impossível. Frequentemente me decepciono com as vozes da nova geração de dubladores. Apesar de tecnicamente bons, não noto neles aquela personalidade que percebemos em artistas como Orlando Drumond ou Mário Monjardim. Você pode se lembrar de Drumond apenas como o Seu Peru da Escolinha do Professor Raimundo, da versão anos 90. Mas, se você tem mais de quarenta anos, ou apenas assiste a reprises de desenhos antigos, deve tê-lo ouvido dublando Scooby Doo. O mesmo vale para Monjardim, que dublava Salsicha, o dono e melhor amigo do atrapalhado cão dinamarquês. Mas essa é apenas uma das muitas colaborações da dupla.

Drummond e Monjardim, que já passaram dos oitenta anos, dublaram, respectivamente, Supergalo, o herói galináceo mais doido de todos os tempos, e seu azarado ajudante, o leão Fred. Fico imaginando se um software poderia emular vozes como as deles. Mesmo que o timbre o fosse o mesmo, suspeito que a emoção se perderia. Talvez nunca ouvíssemos "Scooby Doo, cadê você, meu filho?" do mesmo modo. No fim das contas, nossa singularidade talvez seja nosso bem maior. Num mundo onde tudo fosse possível, nada teria muita graça. E você? Quem você imortalizaria se tivesse a chance? Vida longa e próspera e que a força esteja com vocês. Até domingo que vem.


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