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Veranico

Calor em pleno inverno esfria vendas no comércio e prejudica fruticultura

Entidades projetam queda de até 30% no setor de vendas

Adriana Lima/GES-Especial
Calor fora de época prejudica vendas no comércio
O  número que marca o ápice do calor registrado nos últimos dias é também o que demonstra os efeitos econômicos da temperatura atípica para julho: enquanto o termômetro alcança 30 graus em pleno inverno, entidades projetam queda de até 30% nas vendas. Os setores mais impactados são o comércio e a produção de artefatos de lã, que não têm encontrado saída diante dos estoques ainda cheios. Afinal, com dias quentes não há como atrair consumidores para a compra de peças mais pesadas.

Para tentar alavancar as vendas, comerciantes têm antecipado promoções e torcido para que o inverno faça jus ao título de estação mais fria do ano. “O lojista se preparou com peças de inverno e temos um clima de primavera. É indubitável que há perda, que nos deixa sem ter o que fazer, porque não há estoque para calor e o que é de frio não vende”, afirma o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Novo Hamburgo (Sindilojas), Remi Carlos Scheffer.

Conforme a presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e Malharias da Região Nordeste do Rio Grande do Sul (Fitemasul), Paola Reginatto, em relação a 2016, as vendas ao consumidor neste inverno podem ter redução de 20% a 30%. “Nosso setor é muito sazonal, então acabamos impactados por qualquer mudança de clima. No ano passado, quando tivemos muito frio, os resultados foram ótimos e, agora, com o calor, a venda a pronta entrega das malharias é mais afetada”, destaca.

De acordo com a meteorologista Estael Sias, da MetSul Meteorologia, o inverno deve manter oscilação de temperaturas até seu final, em setembro. “A semana que vem será bem gelada, com queda brusca na temperatura, mas depois volta a esquentar. Em agosto, também devemos ter alternância, com mais períodos de veranico e setembro será marcado por maior elevação de temperatura”, explica.

Comércio sente no bolso

Conforme o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Novo Hamburgo, Gilberto Kasper, ainda não há números exatos, mas os associados têm relatado prejuízo nas vendas. “Há lojas já vendendo roupas de verão, porque não há mais procura pelas peças de inverno, e também promoções que começaram antes. Mas, claro, há alguns comércios, como bares e sorveterias, que acabam lucrando com o calor”, ressalta. A situação é a mesma percebida na CDL de Campo Bom. Conforme a entidade, as empresas estavam bem preparadas para o inverno, com expectativa de aumento de 5% nas vendas, mas o veranico acabou afetando isso. Ainda não há números que contabilizem o prejuízo.

Em Dois Irmãos, conforme a presidente da CDL, Margareth Spohr Finkler, há muitas lojas fazendo promoções, antecipando descontos para atrair consumidores. No caso da CDL de Estância Velha e Ivoti, conforme o 1o tesoureiro Derly Sartori, a percepção é de que a queda nas vendas em relação ao inverno de 2016 seja de 20%. “As lojas já estão liquidando tudo, não tem como protelar”, destaca. Para o presidente da CDL de Sapiranga, Flavio Barth, todos os setores relacionados a artigos de inverno são afetados. “Se o consumidor não sente a necessidade, ele não compra, e consequentemente isso afeta os rendimentos. Todo mundo estava preparado para um período de frio, similar ao que foi ano passado, e este inverno quente tem atrapalhado muito o faturamento”, argumenta.

Promoções para driblar a baixa no comércio

Em pleno inverno gaúcho, um dos primeiros itens em exposição na loja Hurbana, em Estância Velha, são os chinelos e as blusas sem manga. Casacos e botas comercializados no local estão com 20% de desconto. A medida, segundo a lojista Júlia Stoffel (foto), é para driblar a baixa nas vendas dos itens para o frio. “Este ano está bem complicado o inverno, mas estamos sempre procurando alternativas, como montar alguns lotes de peças por semana ou quinzenalmente para uma promoção rápida e já descartar a possibilidade de ficar com esse produto no ano”, explica.

E para o cliente não sair da loja sem comprar, a sugestão da comerciante é ofertar uma peça coringa e acreditar na melhoria das vendas. “Ao invés do casaco, as mulheres estão levando um blazer ou uma blusa meia estação. Daqui a pouco chegam duas ou três semanas de friozinho e os clientes vêm com mais sede ao pote”, afirma.

Fruticultura prejudicada

De acordo com o coordenador da Emater em Novo Hamburgo, Carlos Roberto Dávila Rocha, o calor registrado nas últimas semanas não gerou prejuízo à agricultura e pecuária. Algumas culturas até foram favorecidas pela presença constante do sol. “É o caso das hortaliças. Para elas, quanto mais sol e calor, melhor. A produção de leite também é beneficiada, porque com o sol os pastos estão bem altos e os animais sem doenças. O mesmo acontece com o gado de corte”, relata. A falta de frio, entretanto, pode afetar, nos próximos meses, a fruticultura, pois plantas que precisam do frio acabam tendo o desenvolvimento atrapalhado.

“Temos pomares de pêssegos e ameixas, por exemplo, que estão iniciando a floração fora de época. Se houver geada mais tarde, em agosto ou setembro, ela vai queimar as flores, afetando a produção”, explica. Além disso, segundo Rocha, a falta de frio influencia a reprodução de insetos que, normalmente, não resistiriam ao inverno. “No verão, podemos ter incidência bem maior de insetos, porque estão resistindo agora”, alerta.

Ilton Müller/GES-Especial
Serra não sentiu queda de turistas

Turismo na Serra não sofreu queda

Embora admita que o frio tem grande influência no aumento de turistas na Serra, o presidente do Sindicato da Hotelaria, Restaurantes, Bares, Similares, Parques e Museus da Região das Hortênsias (SindTur), Fernando Boscardin, diz que o veranico não tem gerado prejuízo. “Estamos já com quase duas semanas de calor intenso, mas muitas pessoas já tinham comprado suas viagens para este período, então viriam de qualquer maneira. Além disso, aqui à noite é sempre mais fresquinho”, comenta. Segundo Boscardin, o frio deixou de ser fator decisivo para o turismo na Serra. “Temos muitas atrações que não dependem do frio para ter visitantes. Mas é claro que, quando há previsão de frio, o movimento aumenta muito aqui na região”, diz.

Que calor é este?

A meteorologista Estael Sias, da MetSul Meteorologia explica que há um bloqueio atmosférico sobre o Rio Grande do Sul impedindo o avanço de frentes frias. Entretanto, isso deve mudar entre o domingo e a segunda-feira, quando uma massa de ar frio deve alcançar o Estado. “Vamos do verão para o inverno rapidamente. Até sábado, continuamos com as máximas beirando os 30 graus e, de domingo para segunda-feira, o frio chegará rápido e há até chance até de neve no começo da semana que vem”, esclarece. A mudança brusca no clima não deve ser acompanhada de temporais, somente de vento forte e alguma chuva, não suficiente para causar danos.

“Estamos há uns dez dias sem ter um frio mais forte e, na semana que vem, é possível que se registrem as temperaturas mais baixas deste inverno”, afirma. Estael explica ainda que as temperaturas beirando os 30 graus não são atípicas para o inverno gaúcho. “O Rio Grande do Sul está numa região de latitude media, no meio entre a Linha do Equador e o Polo Sul, então é normal haver grande variabilidade de temperatura ao longo do ano. Não há nada fora do normal influenciando isso”, ressalta.


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