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Ar nada puro

Poluição pode agravar e provocar doenças

Há poucas estações de monitoramento no País e legislação sobre nível aceitável de poluentes no ar para evitar danos à saúde pública está defasada

Juarez Machado/GES
Má qualidade do ar afeta principalmente o sistema respiratório

Feche os olhos e respire fundo. Se você mora em um centro urbano, provavelmente aspirou algum poluente junto. Respirar é algo imprescindível para a vida, mas o ar também pode ser fonte de doenças, principalmente em regiões de grande concentração populacional, em um ambiente com emissões geradas pelos veículos e pela indústria. A má qualidade do ar afeta sobretudo o sistema respiratório. São gases e partículas que podem causar reações alérgicas, tosse, falta de ar ou chiado no peito. “Pode acontecer de maneira aguda, quando a pessoa é exposta a altos níveis de concentração destes materiais, como pode também acontecer a longo prazo. A pessoa vai se expondo e acaba ficando com sintomas crônicos, a ponto de não retornar mais àquela situação de saúde que estava antes”, explica o pneumologista Carlos Tietboehl, diretor do Departamento de Pneumopatias Ocupacionais e Ambientais da Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Rio Grande do Sul. Pessoas que já têm problemas respiratórios ou cardíacos são ainda mais vulneráveis, assim como crianças e idosos. Além disso, pacientes com asma, bronquite, rinite ou enfisema podem ter os sintomas agravados devido à exposição a poluentes.

Diretora do Instituto Saúde e Sustentabilidade e pesquisadora sobre os impactos da poluição na saúde, Evangelina Vomittag afirma que o fator ambiental está relacionado também a mortes por doença pulmonar, cardiovascular e casos de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). “Fora que o ar poluído por si só é carcinogênico, não importa quanto tempo a pessoa está exposta, está mais propensa a desenvolver câncer de pulmão”, observa.

Tietboehl e Evangelina concordam que a solução para o problema está em medidas preventivas e no monitoramento da qualidade do ar. Em 1990, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) criou um programa de controle do ar de responsabilidade dos Estados, mas apenas 11 de 27 fazem a fiscalização. “Isso é importante para que se possa atuar na gestão para redução da poluição, mas no Brasil esta avaliação é precária. O ar não é tratável, como a água”, destaca a pesquisadora. Os órgãos estaduais são os que têm maior alçada para lidar com o assunto, embora, segundo ela, os governos federal e municipal também possam verificar a questão. “Temos resolução que determina que indústrias tenham limite para emissão de poluentes, mas não é cumprida em termos de fiscalização. Além de ser situação grave para saúde pública, no Brasil temos o diagnóstico muito mal feito”, avalia.

Evangelina cita, ainda, a defasagem nas determinações do padrão de qualidade do ar instituídas pelo Conama, que são de 27 anos atrás. “A leitura da poluição do ar está fora da referência mundial que deveria ser na questão da saúde pública. O nível aceitável deveria ser 10 microgramas (média anual) de material particulado por metro cúbico, mas no padrão nacional são considerados 50 microgramas”, aponta.

Rio Grande do Sul tem estações inoperantes

Dos 497 municípios gaúchos, apenas 10 monitoram a qualidade do ar por meio de 20 estações: Esteio, Canoas, Gravataí, Montenegro, Sapucaia do Sul, Caxias do Sul, Charqueadas, Porto Alegre, Rio Grande e Triunfo. Este acompanhamento é feito pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler (Fepam), atendendo a resolução do Conama. “Tipicamente, as estações ficam nos grandes centros, onde há maior concentração populacional, e em cidades com certo número de indústrias, com capacidade de poluição elevada”, explica Marcio D’Avila Vargas, coordenador do programa Ar do Sul, rede de monitoramento de qualidade do ar vinculada à Fepam. Os dados coletados são atualizados diariamente em boletins divulgados no site da federação. No entanto, a maioria das estações aguarda por manutenção. “Estão inoperantes por falta de recursos e verbas do Estado”, comenta Vargas.

No Rio Grande do Sul, são observados cinco gases poluentes, considerados os mais críticos para causar problemas à saúde: Ozônio, Material Particulado, Monóxido de carbono, Dióxido de enxofre e Dióxido de nitrogênio. Entre as cidades da região em que as estações estão em funcionamento (Canoas, Esteio e Gravataí), a classificação do índice de poluição se manteve entre “regular” e “boa” nas últimas semanas. “Caso ultrapasse níveis de alerta, se comunica o setor de controle e aí é analisado se precisa avisar a população. Se a avaliação começar a dar ‘ruim’ por vários dias em determinada área e vemos que é zona de indústria, a Fepam vai ao local e vê o que pode ser feito”, aponta o coordenador do Ar do Sul.

Segundo Vargas, as condições da qualidade do ar no Estado têm se mantido no mesmo nível dos últimos anos. Ele observa que mesmo que tenha aumentado a frota veicular, a recessão no País diminuiu a atividade industrial, o que contribuiu para esse cenário. No entanto, a classificação boa e regular em 95% dos dias do ano no Rio Grande do Sul se refere aos padrões previstos pela legislação instituída há 27 anos. “A resolução está em discussão no Ministério do Meio Ambiente para ser atualizada e aí se aproximar dos estudos atuais sobre efeitos da qualidade do ar na saúde pública”, destaca.

Fontes poluentes

Entre as fontes de poluentes, a indústria é mais conhecida do ponto de vista de prejuízos para a saúde humana, mas o tráfego veicular também surge como fator relevante nas grandes cidades, além de queimadas no interior. A diretora do Instituto Saúde e Sustentabilidade cita, ainda, a queima de lenha em fogões dentro de casa como fator preocupante. “Estão relacionados a óbitos principalmente em países pouco desenvolvidos na Ásia e na África, mas também há bastante no interior da região Nordeste do País”, diz Evangelina. Embora não há dados precisos relacionando mortes à combustão de lenha, a pesquisadora afirma que envolve o adoecimento de mulheres e crianças que ficam expostos constantemente a estes tipos de fogões.

Saiba mais

  • Cada ser humanos respira em média 20k litros de ar/dia.
  • A poluição do ar afeta o clima, o corpo humano e a qualidade do ar para o futuro.
  • Estudo divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2016 revela que 92% da população mundial vive em áreas que excedem os níveis de poluição recomendados.
  • Segundo a OMS, mais de 7 milhões de pessoas morrem anualmente por causa da contaminação do ar.
  • A poluição afeta 80% das pessoas que vivem em cidades.
  • É responsável por 1 em cada 4 mortes causadas por problemas no coração.
  • 98% das cidades com mais de 100 mil habitantes dos países em desenvolvimento não seguem as diretrizes da OMS sobre a qualidade do ar. Nas nações desenvolvidas, esse percentual cai para 56%.


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