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Gilson Luis da Cunha

As trevas do coração

Diário de bordo de um nerd no planeta Terra (DATA ESTELAR 06082017)

Gilson Luis da Cunha - Blog Diário de Bordo de um nerd no planeta terra

Gilson Luis da Cunha é doutor em Genética e Biologia Molecular pela Ufrgs, Old School Nerd, fã incondicional de livros filmes, séries e quadrinhos de ficção científica, fantasia e aventura

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Com Planeta dos Macacos, A Guerra o diretor Matt Reeves consegue uma proeza: entregar o espetáculo de entretenimento mais denso e filosófico do ano, até o presente momento, sem se esquecer de fazer, acima de tudo, um filme-pipoca. O drama de ficção científica é o terceiro exemplar da saga recriada para o século 21, e encerra o arco iniciado por Planeta dos Macacos, A Origem (2011) e que continuaria com Planeta dos Macacos, O Confronto (2014). No primeiro filme, fomos apresentados ao início de tudo, um experimento mal sucedido na tentativa de encontrar uma cura para o Alzheimer, que acaba gerando um vírus devastador, capaz de aumentar a inteligência dos símios, enquanto começa a dizimar boa parte da humanidade. No segundo, vemos o chimpanzé César (Andy Serkis), que liderou a revolta dos macacos no filme anterior, se esforçando ao máximo ao tentar manter a frágil paz entre macacos e humanos, enquanto enfrenta a violência de dissidentes liderados pelo fanático Koba (Tony Kebell).

Em A Guerra, César tem que lutar contra seus demônios interiores ao ter que escolher entre a vingança pessoal ou o futuro de seu povo, ao confrontar os militares comandados pelo insano coronel McCullogh (Woody Harelson). Dois anos se passaram desde O Confronto. César e seu povo agora tentam sobreviver às investidas de um batalhão do exército americano, aparentemente, o último que restou. Mesmo sob uma cerrada campanha de extermínio por parte de McCullogh e seus soldados, César toma a iniciativa de uma oferta de paz.

Quando o conflito se agrava, César ordena a seu melhor amigo, o orangotango Maurice, que conduza seu povo a um novo lar, e parte numa caçada a McCullogh. Pelo caminho, ele e seus irmãos símios descobrirão uma criança humana, cuja própria existência é o símbolo de tudo que McCullogh mais teme e odeia. O final desse embate mudará para sempre o destino de humanos e símios. Esse é o filme mais politizado de toda a nova série. Mas não esperem panfletão.

Reeves acerta em cheio ao beber dos filmes originais para construir uma metáfora sobre os conflitos do mundo de hoje. E nem estou falando de guerras ou rixas ideológicas. Eu me refiro aos delírios de “superioridade moral” que estão consumindo nossa civilização. “Eu sou justo, generoso e benevolente. O mal são os outros”, dirá algum anônimo comentarista de redes sociais, pronto para exterminar (ou, pelo menos, avacalhar) quem discordar de seus dogmas e verdades inquestionáveis. Pois o clímax do filme mostra o resultado prático dessa postura de vida, de modo cristalino.

Além de ótimas cenas de ação, drama e, até, algum humor, na figura do chimpanzé Bad Ape (Steve Zahn, engraçado até em captura de movimentos), A Guerra é recheado de citações aos filmes originais. O grito de guerra e os símbolos usados pelo batalhão de McCullogh nos remetem diretamente a De Volta ao Planeta dos Macacos, o segundo filme da saga original. Se você nunca viu um filme da série clássica, vá sem medo. Matt Reeves combina com maestria ficção científica e drama de guerra. As cenas com o coronel McCullogh parecem saídas diretamente de Apocalipse Now, de Francis Ford Coppola, e também evocam o clima de pesadelo de O Coração das Trevas, de Joseph Conrad, livro que inspirou Coppola.

Agora, se você é fã do original, preste atenção nas falas do orangotango Maurice. Você lavará a alma quando ouvi-lo falar com uma voz que você jamais imaginou que ouviria novamente. E o comovente epílogo é uma belíssima homenagem à cena final de Batalha no Planeta dos Macacos, o quinto e último dos filmes originais. Por esses (e outros) motivos, Planeta dos Macacos, A Guerra é, até o momento, e em minha modesta opinião, o melhor filme de ficção científica do ano. Vida Longa e Próspera e que a força esteja com vocês. Até domingo que vem.


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