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Cris Manfro

O luto nosso de cada dia

"Dê tempo a você. O sofrimento, mesmo que de forma inconsciente, às vezes incomoda as outras pessoas"

Cris ManfroCris Manfro é psicóloga clínica, terapeuta de família e casal e mediadora familiar

acmanfro@terra.com.br

Não tem nada melhor do que você passar um final de semana escutando um colega e chegar ao final e pensar em como valeu a pena. Foi assim ouvindo sobre luto com Elaine Alves. Não teria como transcrever tudo de enriquecedor que ela colocou. O tema era sobre a morte do filho, mas me fez pensar em todos os tipos de lutos. Mesmo a gente vivenciando e sabendo das coisas, às vezes a ficha custa a cair. Todo o dia temos inúmeros lutos. Uns doem mais, uns menos, cada um com suas representações e com suas significações. Luto não tem tamanho e não tem tempo. Tem o tempo de cada um. A crença que cada um terá sobre o seu luto vai amenizá-lo ou piorá-lo e, quando tem o sentimento de culpa envolvido, sempre será mais difícil.

Às vezes, quando o luto envolve uma separação conjugal, nem sempre as pessoas percebem que o luto não é somente pela pessoa que se foi, mas por tudo que essa partida significa em outras partes da vida. Junto da partida de alguém se acrescenta muitas outras perdas. A família empobrece, precisa aprender a ficar longe dos familiares da outra pessoa a quem se tinha um vinculo de parentes, os motivos que levaram a outra pessoa a querer partir, como no caso de existir uma terceira pessoa. Enfim, somam-se muitos outros sofrimentos.

O que as pessoas amigas mais querem nesses momentos é amenizar a sua dor e começam então uma série de comentários a respeito do que você deva fazer ou não fazer. Quando às vezes você só quer é ficar quieta. Sugerem que você venda a sua casa, que tire as memórias que toque a vida para frente. Que frente? Se você só sabia da sua vida até aqui? Se você só entende da sua vida até aqui? Então nesses momentos alto lá! Não peça para você carregar um piano, quando você mal consegue ficar em pé. Não é que você não seja capaz, mas não é preciso.

Dê tempo a você. O sofrimento, mesmo que de forma inconsciente, às vezes incomoda as outras pessoas. Lembra-nos dos nossos próprios sofrimentos, das nossas próprias perdas e medos. Isso quer dizer que a pessoa pode “querer sem querer”, apressar você. Pode querer que esse sofrimento passe logo, pois, também é difícil ver alguém que se quer bem sofrer. Por exemplo, quando se é pai e mãe, não tem como não sofrer com o sofrimento dos dos filhos. É preciso tempo para entender que um amor morreu, que uma pessoa morreu, que um projeto terá que ser finalizado, que um sonho acabou, que você morreu para outra pessoa, que um ciclo se encerra, que um tipo de vida terá que mudar, e talvez um dois piores lutos: o luto por um futuro sonhado que terá que ser desconstruído. Portanto, vá devagar e no seu ritmo, pé por pé. Lembrando como diz uma autora que não recordo o nome, luto compartilhado é luto amenizado.


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