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Ivar A. Hartmann

Temer não foi o maior beneficiado

"A primeira denúncia foi brecada com 263 votos. Mas será esse número suficiente diante das delações de Cunha e Funaro?"

Ivar A. HartmannIvar A. Hartmann é professor da FGV

ivar.hartmann@fgv.br

A votação na Câmara dos Deputados que barrou a denúncia do presidente Temer por crime comum parece ter garantido a ele uma grande vitória. Mas não é bem assim. De um lado, nem tudo são flores para Temer. De outro, alguns envolvidos ganharam muito mais do que apenas a oportunidade de tirar a corda do pescoço momentaneamente, como é o caso do presidente.

Todos previam que o governo teria votos o bastante para impedir o prosseguimento da denúncia, portanto essa nunca foi a real frente de batalha. A tática da oposição não era vencer com votos, mas sim com número insuficiente de deputados presentes, de modo a continuar postergando a votação. O desafio real de Temer, entretanto, era garantir uma quantidade expressiva de votos que pudesse mandar um sinal para aqueles dentro e fora da Câmara. Com 350 votos contra a denúncia, o governo sairia fortalecido e indicaria que tem apoio para garantir o sucesso das grandes reformas. Também mostraria para a população que a Câmara está com Temer, um gesto de força. Por último, indicaria aos próprios deputados pensando em debandar que uma futura nova denúncia seria novamente barrada com folga.

Com a votação apertada, Temer não assegurou nada disso. E uma nova denúncia é, de fato, iminente. Poderá ser por obstrução de justiça, dado o possível envolvimento do presidente nos pagamentos da JBS para manter Eduardo Cunha e Lúcio Funaro em silêncio. A primeira denúncia foi brecada com 263 votos. Mas será esse número suficiente diante das delações de Cunha e Funaro?

A votação de quarta na Câmara foi mero alívio temporário para Temer. Para outros, entretanto, foi uma grande vitória. Para se safar, o presidente entregou R$ 13,2 bilhões do dinheiro dos contribuintes, segundo levantamento do Valor Econômico. Parte disso foi na liberação de emendas – verbas de interesse pessoal dos deputados. Nos dias 1º e 2 de agosto os deputados receberam mais do que nos 3 primeiros meses do ano. Outros R$ 8,6 bilhões foram para os produtores rurais, que têm quase 200 votos na Câmara. Temer perdoou juros de dívidas atrasadas dos produtores.

Além daqueles que receberam muito dinheiro, restaram também contentes Lula e Bolsonaro. O prolongamento do governo instável e impopular de Temer, objeto de investigações e denúncias criminais a todo instante, é o ambiente ideal. Com o desgaste do PMDB e partidos do centrão até a eleição de 2018, Lula e Bolsonaro aumentam suas chances.


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