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Lava Jato

Delação de Delcídio do Amaral pode ser revista e beneficios cortados

Acusações feitas pelo ex-senador não fizeram as investigações deslancharem

Divulgação/André Corrêa
Delcídio do Amaral fez delação premiada em 2016
No início do ano passado, o ex-senador Delcídio Amaral fez um acordo de delação premiada, que o livrou da prisão e provocou forte rebuliço nos meios políticos, especialmente entre os grupos do PMDB, PT e PSDB atingidos pelas acusações. Mas, um ano e cinco meses depois, as informações fornecidas pelo ex-senador não produziram qualquer resultado prático. Não por acaso, procuradores do grupo de trabalho responsável pelas investigações da Operação Lava Jato já falam sobre a possibilidade de reavaliar o acordo e cortar benefícios concedidos ao ex-senador.

"Alguns acordos não estão evoluindo bem. O do Delcídio é um deles. As investigações não avançam nem na primeira instância. Talvez alguns ajustes tenham que ser feito nesses acordos", disse uma fonte ligada ao caso.

Nos depoimentos que prestou a procuradores e a pelo menos um delegado da Polícia Federal, Delcídio distribuiu acusações contra o presidente Michel Temer, o senador Aécio Neves, presidente afastado do PSDB, e os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, entre outros. Os investigadores não dizem que as informações estão incorretas. O problema é que, em alguns desses casos, os elementos fornecidos pelo ex-senador não foram suficientes para fazer as investigações deslancharem.

Um dos casos emperrados seria a investigação sobre a suposta manobra da ex-presidente Dilma para nomear o ministro Marcelo Navarro, para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, a partir daí, tirar da cadeia o ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht,. Fora da prisão, seriam mínimas as chances do executivo fazer delação. O ex-senador disse que tratou do assunto com Dilma, no período em que ela ainda estava na presidência. Mas há qualquer registro da conversa e nenhum outro elemento que comprove a suposta trama.

Na delação, Delcídio acusou Temer de participar da indicação de João Augusto Henriques Rezende para a diretoria Internacional da Petrobras, um dos principais focos de corrupção na estatal. A informação é realça vínculos do presidente com alguns dos personagens que acabaram presos por conta das acusações de desvio de dinheiro da estatal. Mas, por si só, não serve como prova de supostos vínculos do presidente com as fraudes. Isto dependeria de outros elementos, que não estão na delação do ex-senador.

Segundo um investigador, o acordo de Delcídio não será anulado e algumas investigações continuam em andamento. Mas, diante dos buracos deixados nas acusações, a tendência é que o ex-senador perca parte dos benefícios.

Os investigadores também estão com dificuldades de levantar provas em relação a delação de alguns executivos da Odebrecht e da Andrade Gutierrez, mas numa escala menor e em casos laterais. Para eles, alguns problemas são naturais da dinâmica das delações e podem ser corrigidos com novas informações dos delatores. Mas deixam claro que as dificuldades insuperáveis podem repercutir nas vantagens dos delatores.


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