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Corrupção

Ex-conselheiro do Carf é o primeiro a fechar acordo de delação premiada na Zelotes

Ex-conselheiro denuncia venda de sentenças no Bank Boston, comprado pelo banco Itaú em 2006

A operação Zelotes fechou seu primeiro acordo de delação premiada na Justiça. O ex-conselheiro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) Paulo Roberto Cortez entregou os ilícitos praticados e o acordo já foi homologado pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal.

A delação traz denúncias que envolvem o Bank Boston, comprado pelo banco Itaú em 2006.

Desde o início da investigação da Polícia Federal, em 2015, o ex-conselheiro Paulo Roberto Cortez demonstrou interesse em fazer delação premiada, mas só agora, dois anos depois, o acordo foi homologado pela Justiça.

De acordo com o Bom Dia Brasil, a TV Globo teve acesso com exclusividade a depoimentos da delação, que confirmam a investigação feita pela Política Federal sobre compra de votos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) – o tribunal administrativo da Receita Federal, que permite que empresas recorram de multas aplicadas. Na hora da revisão dos casos no Carf, as multas podem ser reduzidas ou canceladas.

O delator contou que recebia R$ 10 mil em dinheiro vivo para fazer o trabalho técnico que o então conselheiro José Ricardo da Silva, que era ao mesmo tempo conselheiro e consultor em casos do Carf, não fazia: "Antes de cada sessão, quando eu trabalhava com ele, eu fazia as devidas explicações, repassava para ele o material e fazia as explicações de cada matéria a ser tratada no julgamento", segundo informou na gravação.

Ele denunciou ainda o caso do BankBoston, em 2012, quando o banco teve uma multa reduzida de R$ 600 milhões para R$ 100 milhões em um processo. Ele teria recebido um voto do então conselheiro Valmir Sandri favorável ao banco e teve a orientação de adaptar o texto aos padrões do Conselho, segundo a reportagem do Bom Dia Brasil.


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