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Liberdade de expressão

Fechamento de exposição no Santander Cultural gera discussão sobre limites da arte

Jornal NH repercute na região o fechamento da mostra Queermuseu em Porto Alegre

Fredy Vieira/Reprodução/facebook.com/santandercultural
Exposição Queermuseu - Cartografias da Diferença na Arte Brasileira

O fechamento da exposição Queermuseu, neste final de semana, no Santander Cultural, em Porto Alegre, depois de boicote promovido pelo Movimento Brasil Livre (MBL) em redes sociais, levantou um debate ferrenho sobre liberdade de expressão, arte e moral que virou notícia internacional no começo desta semana. A decisão do Santander repercutiu em jornais internacionais, como o Washington Post, após nota oficial, onde o banco pediu desculpas “a todos aqueles que enxergaram o desrespeito a símbolos e crenças na exposição Queermuseu.” Ontem à tarde, um protesto na Praça da Alfândega, em frente ao espaço, reuniu ativistas contrários ao fechamento da exposição. O assunto continua fervilhando. E o Jornal NH foi ouvir a opinião de nomes ligados à cultura na região, além do próprio MBL local. 

O membro do MBL de Novo Hamburgo Jean Batisti de Almeida diz que não houve qualquer tipo de incentivo a agressões físicas ou verbais por parte da organização. “Nossa primeira discordância é o financiamento da exposição via Lei Rouanet. Somos contrários que projetos artísticos sejam financiados pelo governo”, aponta. “Promovemos um boicote e não censura, somos contra atos de violência. Mesmo com as nossas manifestações o banco poderia manter a exposição. Frente a isso tomou uma decisão de livre vontade”, explica.

Preocupante

De acordo com o artista plástico hamburguense Marciano Schmitz, a decisão do banco é uma atitude preocupante. “Foi lastimável e mais lastimável ainda o banco ter cedido à pressão de um grupo que acha que algo que não é do seu gosto não deve ser exposto. Quando esse tipo de censura começa a acontecer é preocupante. Eu posso até não gostar desse tipo de arte, mas não posso impedir de estar ali”, comenta o artista plástico.
“Essa posição do pessoal de fazer boicote já acontecia na Alemanha fascista, onde boicotaram exposições que não acompanhavam a moral. A arte existe para fazer uma crítica, mesmo que alguém ache ruim ou agressivo. Mesmo que eu não concorde, não posso nunca é trancar um evento cultural”, completa Marciano.

Scheffel censurado nos anos 1950

Fundação Scheffel/Divulgação
Scheffel censurado em 1950

O curador da Fundação Ernesto Frederico Scheffel, Angelo Reinheimer, relembra que o artista que dá nome à casa foi alvo de censura. O motivo: seu quadro Tríptico (reprodução acima) foi considerado pornográfico. “Até o Scheffel passou por isso. Foi na década de 1950. O quadro estava em exposição no Salão Nacional de Belas Artes e foi retirado por ser considerado inadequado.”

Os lados do debate 

Betinho Klein, produtor Curto Arte/Herta

“Sou a favor da liberdade de expressão como só a arte pode mostrar, como os problemas sociais que queremos esconder entre quatro paredes. Mas acho que a exposição deveria ter sido pensada antes. O produtor deveria ter analisado junto ao banco o que poderia ter causado essa mostra. Parece não ter havido uma conversa entre a produção do evento.”

Marciano Schmitz, artista plástico

“Ainda não se aprendeu a entender o que é arte. Acham que a função da arte é a beleza, o belo, uma aulinha de moral ou conotação religiosa. A arte só questiona. Quando temos uma exposição censurada, bem isso já aconteceu, né? Foi lastimável. E mais lastimável é o banco ter cedido à pressão de um grupo que acha que algo que eles não gostam não deve ser exposto.”

Alexandre Reis, artista do movimento Casa da Praça

“É uma neurose coletiva. Infelizmente a proposta da mostra foi anulada. Até agora ninguém questionou a arte inteira e sim algumas obras que não agradaram uma elite conservadora. Essa arte quer surge nos anos 1980 com a liberdade sexual, uma prática mais erotizada. Essa provocação não nasceu agora. É da origem humana e não é pra agradar todo mundo.”

Angelo Reinheimer, curador da Fundação Scheffel

“Faltou sensibilidade de ambas as partes. Assim como quem fez a curadoria tem o direito de expor, quem não gostou tem o direito de se manifestar. É o público que vai fazer a peneira. Erros acontecem. O objetivo de quem criou acabou sendo alcançado. Algo que não ia sair daqui do Estado, ganhou o mundo. E vai ser comentada até daqui a 100 anos.”

Jean Batisti Almeida, membro do MBL-NH

“Acreditamos que exposições artísticas devem ser feitas via iniciativa privada diretamente. Não sabemos quem que dentro do governo define o que é arte ou não e essas exposições não devem ser financiadas com dinheiro público. Quanto ao caráter das obras posso dar apenas minha opinião subjetiva. Eu não tenho formação específica, mas elas não me agradam.”

Ralfe Cardoso, Secretário de Cultura de NH

“Penso que a revisão do Santander, antecipando a data de encerramento da exposição, apresenta um período sombrio pela frente. Não é possível reduzir a expressão artística à vontade de grupos nitidamente equivocados. Eu acredito que a única estrutura que tem responsabilidade e condição de proporcionar acesso universal a atividades e produtos culturais é o Estado.”




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