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Cris Manfro

Casca de ferida

"São aqueles machucados que quando você acredita que a casquinha está curando, algo bate na casaquinha e sangra tudo novamente"

Cris Manfro é psicóloga clínica, terapeuta de família e casal e mediadora familiar
acmanfro@terra.com.br

Existem machucados de todos os tipos. Tem o machucado que esfola e dói uma dor ardida, mas logo cura e cicatriza. Existem aqueles machucados horríveis, mas que estranhamente cicatrizam bem e doem somente em dias de chuva. Mas existem também os machucados que podem não ser tão graves ou importantes para algumas pessoas, mas que não curam e não cicatrizam nunca. São os “machucados-traumas” que não são só lembrados a todo o momento, como são também revividos, com a mesma dor, com a mesma intensidade. Memória e dor intactos.

São aqueles machucados que quando você acredita que a casquinha está curando, algo bate na casaquinha e sangra tudo novamente. Às vezes são as pessoas que batem no machucado porque não sabem que ali dói. Por vezes você mesma se esquece e quando vê acerta em cheio na dor, mesmo sem se dar conta. São os eventos da vida mexendo na sua ferida e obrigando você a lembrar da sua dor. A dor dos outros também pode conectá-lo à sua dor. Dor é dor, mas a dor nunca é a mesma para mim ou para você. Dor é única. A dor que não se esquece é a dor doída que pulsa, lateja e fica crônica. Volta e meia parece até que dói mais. Sim, têm dores que viram crônicas no corpo ou na alma, ou em ambas.

Muitos dirão: nem é pra tanto, nem há motivos para doer tanto. Outros dirão: você tem isso, aquilo e aquele outro, portanto, não tem motivos para tanta dor. Outros ainda irão dizer: pense em outras coisas, que não pensará na dor. Na tentativa de lhe ajudar, muitas pessoas até falarão para pensar naqueles que sofrem mais do que você. Só que aí você tem dois problemas: sofrer a dor e ainda achar que você é inadequado por senti-la. E por fim a máxima: esquece essa dor! Sim, você a esquecerá em muitos momentos, mas você sabe que é só uma casquinha recobrindo a ferida e sempre cuidando para não bater com força para que não doa tudo novamente.

Pois o desafio, não é fazer a dor passar, porque algumas dores nunca passarão. O desafio é viver, e viver bem, apesar da sua dor. Apesar dela ser constantemente lembrada e sentida. A luta é trocar o querer fazer passar a qualquer custo, por exemplo, com a bebida, com o sexo fácil, com as droga, vivendo anestesiado, como morto-vivo, pelo desafio de tentar fazer a dor ficar pequena. Cuidando para usar os recursos certos para acalmá-la. Achando um jeito de acomodar a dor dentro de você e na sua vida, estando preparado, sem julgamentos, para saber que eventualmente a casquinha vai cair e sangrar novamente, mas que isso faz parte da vida. Não é a sua inabilidade, você não é incapaz. Um dia talvez a casquinha caia e você se surpreenda: pode ter cicatrizado! Porque o remédio chamado tempo cura coisas inimagináveis.


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