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Mauro Blankenheim

Boris, Bobby e Mequinho

"O xadrez de alguma forma substituía os jogos de futebol de botão, ping-pong, damas e trilha, tão disseminados então"

Mauro BlankenheimMauro Blankenheim é publicitário
mauroblankenheim.com.br

Os leitores mais jovens não devem ter ouvido falar e os mais maduros talvez nem lembrem. Os anos marcados pela Guerra Fria entre soviéticos e americanos, criou uma rivalidade tal que se expressava em todas as camadas da atividade humana.

O velho chavão do cuspe à distância, fosse verdadeira a modalidade, caberia como um clichê aceitável na competição entre URSS e EUA, que se mostrava digna de foco pelas mídias da época, quando as notícias vinham em preto e branco.

Os Estados Unidos criaram um mito no jogo de xadrez: Bobby Fischer. Os russos tinham Boris Spassky. Os dois se enfrentavam com torcidas de cada lado, e mobilizavam a atenção do mundo, com a mesma intensidade que os dois países se lançavam na corrida espacial. Spassky era um russo estratégico: tinha cidadania francesa. Fischer um judeu manhoso, encorajado por outro poderoso, Henry Kissinger, que hoje conta 94 anos.

O nosso Guga também surgiu: Henrique da Costa Mecking, o Mequinho, se projetou com destaque para o mundo dos tabuleiros a partir do interior gaúcho. Era comum ver Mequinho enfrentando 22 adversários numa simultânea, dando mostras de sua genialidade.

Como Bobby Fischer, Mequinho teve problemas precoces de saúde e abandonou a dedicação que a carreira exigia e que provavelmente afetou, assim como a Fischer, seu organismo de forma cruel e definitiva. Fischer faleceu depois dos 60 e poucos anos, cercado de visões esquizofrênicas e Mequinho segue mergulhado na fé católica em Taubaté, depois que, segundo afirma, Jesus mudou a sua vida. O russo Boris, aos 80, sorve de sua longevidade siberiana.

O xadrez virou moda entre nós na segunda metade dos anos 1960. Era comum alunos disputarem jogos nos recreios e exercitarem movimentos já consagrados por nomes vitoriosos e professores informais. O xadrez de alguma forma substituía os consagrados jogos de futebol de botão, ping-pong, damas e trilha, tão disseminados então. Tabuleiros eram vendidos no comércio com frequência fora da curva. Alguns eram de preço proibitivo e criavam teias rebuscadas nas prateleiras das lojas. Havia versões de bolso, que por sua portabilidade, eram levados para as temporadas de praia, ocupando o espaço da canastra, escova, dorminhoco, o da rolha queimada, e buraco. Enfim, um surto intelectual que durou alguns anos e ousou revelar as mentes mais brilhantes dos adolescentes daquela década. O filme O Dono do Jogo (2014) ilustra essa febre, reconstruindo o cenário cronológico que misturava rock, boxe, foguetes e comunismo, o regime a ser batido.



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