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Entrevista da segunda

Delegado de Taquara fala do desafio de resolver 20 mil inquéritos instaurados na cidade

Ivair Matos Santos assumiu o comando da DP em maio

Adriana Lima/Adriana Lima/GES-Especial
Delegado Ivair Matos Santos
Coordenando mais de 20 mil procedimentos e investigações no Vale do Paranhana, o delegado Ivair Matos Santos é, desde o dia 23 de maio deste ano, o titular da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Taquara, onde são feitas investigações e montados os inquéritos policiais, e substituto da Delegacia Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Taquara, unidade que ele define como “o pronto-socorro de atendimento à comunidade”.

Natural de Vitória da Conquista, na Bahia, ele entrou para a Polícia Civil em 1998 como escrivão. Em 2010, assumiu como agente penitenciário federal na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, onde trabalhou durante três anos. Em 2013, tornou-se delegado no Rio Grande do Sul, na cidade de Marau. De lá pra cá, já passou pelas unidades policiais de Passo Fundo, São Leopoldo, Gravataí e Portão. Em Taquara, ele comenta os desafios da Polícia Civil na região.

Como o senhor avalia a segurança pública de Taquara em termos de estrutura e efetivo?
Taquara, embora não seja uma cidade tão grande, está inserida no contexto de uma região metropolitana que engloba cerca de 4 milhões e 200 mil pessoas. Então, olhando o município neste contexto, ele não foge da realidade, ou seja, a violência é compatível com o tamanho da cidade e com o local onde está inserida. Não temos uma delegacia ideal instalada hoje, pois seria necessário um número bem maior de agentes. Graças a Deus temos muitos desafios, mas nossa equipe é unida, que busca fazer seu trabalho, mesmo diante da situação que passamos hoje de parcelamento de salários. Outra questão é que temos um número muito elevado de casos: mais de 20 mil procedimentos instaurados. Apesar de tudo buscamos fazer nosso trabalho com afinco e concluir o máximo de inquéritos possíveis.

Qual a situação da carceragem na DPPA de Taquara hoje?
Hoje temos três celas pequenas que, de maneira apertada, dá para custodiar nove presos, ou seja, três em cada uma. Quando passa desse número, acontece o mesmo que se repete na região: eles ficam sob custódia da Brigada Militar. A DPPA de Taquara atende hoje, além do município, Igrejinha, Três Coroas, São Francisco de Paula, Rolante, Riozinho, Parobé e Nova Hartz. Em horário comercial são as próprias delegacias destas cidades que atendem e fazem seus flagrantes. Já durante a noite, sábados, domingos e feriados é a DPPA que se torna responsável. Consequentemente também ficamos com todos os presos destas cidades nestes horários.

Há dificuldades no encaminhamento deles para o sistema prisional?
Sobre os presos de São Francisco não temos problema porque o presídio desta cidade não está interditado para recebê-los, então os detidos da cidade seguem pra lá sem problemas. Os demais iriam para o presídio de Taquara, mas ele está parcialmente interditado, pois quando chega ao limite de 150 presos não recebe mais no regime fechado. Então temos no Paranhana os mesmos problemas do Vale do Sinos porque os presídios que atenderiam o Sinos também estão interditados, como a PEJ (Penitenciária Estadual do Jacuí) e Montenegro (Penitenciária Modulada Estadual de Montenegro). E também é preciso, por meio de acordo, muitas vezes levar para Porto Alegre. Os presos, por exemplo, por crimes envolvendo violência doméstica e que não tem nada a ver com outro delito, vão para o Presídio Central de Porto Alegre quando não há vagas em Taquara.

Existe algum delito com maior incidência na cidade?
Geralmente roubos, furtos e tráfico de drogas, mesma realidade de outras cidades da região. Crimes contra a vida são em número reduzido em relação a Novo Hamburgo ou Porto Alegre, por isso conseguimos trabalhar um pouco mais em cima. É interessante citar que no último mês tivemos três golpes do conto do bilhete premiado. No ano foram nove desses casos de estelionato, então acho que foi um número grande para a cidade. As vítimas são sempre idosas, é um golpe antigo, mas algumas pessoas ainda infelizmente caem. Logo que assumi a Delegacia de Taquara me convidaram a fazer palestras, numa delas alertei aos idosos que tipo de delitos eles poderiam ser vítimas, formas para se prevenir ou, se ocorrer, como podem chegar na delegacia para fazermos a investigação. Alguns ficam preocupados: “será que eu vou ser atendido na delegacia?” Então sempre digo, vá até a delegacia, se precisar falem com o delegado. Precisamos saber que vocês foram vítimas para adotar o procedimento necessário.

A polícia não tem como trabalhar sem a participação da comunidade, por isso buscamos nos aproximar. Também procurei me aproximar dos jovens e adolescentes do município, fazendo palestras nas escolas. Temos visto o aumento do número de usuários de drogas na sociedade em geral, o acesso é muito fácil, então sob orientação do nosso delegado regional Heliomar Franco sempre fazemos operações Anjos da Lei. No contexto dessa ação, temos procurado não só a repressão desse tipo de delito, ou seja, ir atrás de quem cometeu e instaurar todo o inquérito para que ele seja condenado por tráfico de drogas. Além de tirar a droga da rua, temos tentado também prevenir, alertando e conversando com estes jovens para que evitem. É preciso lembrar que se o tráfico ocorre nas imediações de escolas o crime tem pena majorada.

Um recente caso na cidade levantou a questão para os crimes envolvendo violência doméstica. Como tem sido esta realidade em Taquara?
Minha recomendação é sempre procurar a Polícia. Sabemos que a mulher conquistou um espaço enorme na sociedade, mas apesar disso a gente ainda percebe que há casas que vivem naquela sociedade patriarcal que o homem manda, é o poderoso, é o que trabalha e que a mulher é dependente, e essa cultura existe também no município. Além da vergonha de buscar a delegacia, muitas dizem que dependem financeiramente do marido, outras alegam que não querem envolver os filhos menores, que não podem ficar sem o pai. A gente precisa acabar com isso, elas não podem mais ser vítimas e, se forem, devem denunciar senão estas violências vão continuar e os infratores jamais serão responsabilizados por aqueles crimes praticados dentro de casa. Muitas vezes esse tipo de ocorrência começa com a injúria, que é xingar a mulher, vai evoluindo, passa para a ameaça, lesão corporal, tentativa de homicídio e aí chega ao máximo que foi o que ocorreu com aquela senhora vítima do ex-marido. Ela chega à delegacia e será atendida, todos os mecanismos que a protejam serão usados. Se precisar de apoio policial para ir a um lugar seguro, para pegar os pertences em casa também temos o apoio da Brigada Militar para este tipo de diligência.

Como está a investigação do suposto racha na RS-020?
O inquérito já está quase concluído, estamos agilizando ao máximo, quero terminar dentro do período de um mês. Estávamos tendo dificuldade quanto à apresentação dos veículos, algumas testemunhas não queriam falar, então estamos ouvindo todo mundo para esclarecer da melhor maneira possível, pois foi um fato envolvendo muitas pessoas. Em breve vamos concluir o caso.


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