Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.
VOLTAR
FECHAR

Rua Jornal NH, 99 - Bairro Ideal - Novo Hamburgo/RS - CEP: 93334-350
Fones: (51) 3065.4000 (51) 3594.0444 - Fax: (51) 3594.0448

PUBLICIDADE
Sapiranga

Ministério Público denuncia 23 pessoas em esquema de pirâmide financeira na região

No grupo estão moradores de Novo Hamburgo, Nova Hartz, Campo Bom, Parobé, Porto Alegre, Riozinho, Igrejinha, Rolante e São Leopoldo

mprs.mp.br/mprs.mp.br/Reprodução
Carros de luxo foram encontrados na casa de suposto líder do esquema no Vale do Sinos
A Promotoria de Justiça Criminal de Sapiranga apresentou à Justiça, na última sexta-feira, (8), uma denúncia contra 23 pessoas por organização criminosa, crime contra economia popular, lavagem de dinheiro e estelionato de 26 vítimas identificadas até agora. Conforme a denúncia, o esquema de pirâmide financeira, chefiado por um morador de Itabuna, na Bahia, tinha como um dos braços direitos um empresário de Sapiranga, conhecido como ‘Cara dos Camaros’, porque ostentava veículos caros para demonstrar que o negócio era rentável. Ele foi preso em agosto deste ano.

No grupo de denunciados, estão pessoas das cidades de Novo Hamburgo, Nova Hartz, Campo Bom, Parobé, Porto Alegre, Riozinho, Igrejinha, Rolante e São Leopoldo. Segundo o Ministério Público (MP), os nomes dos envolvidos não serão informados para não prejudicar o restante das investigações. 

O esquema

De acordo com o MP, os denunciados integram uma organização criminosa, "estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas para obter lucro a partir da prática de pirâmide em diversas localidades, inclusive fora do País". A empresa D9 Clube de Empreendedores iniciou suas atividades na Bahia, e para disfarçar a natureza do negócio fraudulento, já que a criação e exploração econômica de pirâmide financeira constitui crime, o líder da organização simulava uma operação de marketing multinível, vinculando o negócio e o constante ingresso de novos investidores à suposta venda de cursos de trading esportivo.

Segundo a lógica desse tipo de operação, os interessados em ingressar no negócio estariam assumindo a condição de vendedores do serviço, recebendo bonificações pela inclusão de novos associados. No entanto, no marketing multinível, a renda da empresa decorre essencialmente da venda de um produto ou serviço. Mas o lucro da D9 era constituído pelo aporte financeiro trazido pelos novos investidores, que na verdade eram vítimas do esquema que pagavam quantias elevadas para a aquisição de planos de ingresso sob a promessa não realizada de rendimentos financeiros irreais.

As vítimas eram convidadas a participar de eventos em que os integrantes da organização criminosa apresentavam a promessa de rendimentos exorbitantes, com depoimentos entusiasmados de supostos participantes que teriam tido lucro irreal com o negócio, adquirindo bens de consumo de alto custo, como carros importados, motocicletas ou viagens internacionais. Eles sempre negavam a natureza de pirâmide financeira do negócio, dizendo aos interessados que a ideia era uma atividade lícita e convencendo as vítimas a pagarem os valores.

Para esconder a origem ilícita dos recursos, os idealizadores não faziam nenhum contrato formal, apenas a inclusão dos nomes das vítimas em uma plataforma virtual para a obtenção de login e senha. Os valores pagos eram convertidos em bitcoins, moeda virtual que não dispõe disciplina legal no ordenamento jurídico brasileiro e não é intermediada por instituições financeiras. Por não serem regulamentados, os bitcoins impossibilitam o rastreamento das operações ou mesmo bloqueio de valores.

Os líderes ou gerentes locais eram responsáveis por recrutar o maior número possível de pessoas para investir no esquema, aumentando desta maneira a base da pirâmide financeira e, assim, garantindo que os recursos aportados pelas vítimas da fraude gerassem as vantagens econômicas indevidas a si e aos organizadores. Além disso, o ingresso constante de novos “investidores” captados por esses líderes cumpria também a tarefa de gerar recursos que garantissem um repasse ou retorno de valores mínimos e temporários a quem ingressasse no esquema, para criar a falsa ideia de legalidade e solidez.

Os líderes locais eram subdivididos em categorias (gerente, coordenador, treinador e capitão) em alusão a eventos esportivos, para criar a ideia de se tratar de um verdadeiro investimento em trading esportivo.

Investigação

Em agosto, uma operação conjunta entre o Ministério Público e Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em uma residência de Sapiranga, que seria de um dos líderes do esquema na região. Na casa do homem, identificado como Márcio Rodrigo dos Santos, foram apreendidos dois automóveis Chevrolet Camaro, 14 mil reais em dinheiro vivo, além de computadores, tablets e celulares. Santos segue preso.

Conforme o titular da Delegacia de Polícia de Sapiranga, Fernando Pires Branco, milhares de pessoas já foram lesadas. "Sapiranga era a base desse grupo aqui na região, mas também indiciamos pessoas da Bahia, Paraná e Santa Catarina. O líder nacional é um baiano, que vive no exterior", explica.

Branco esclarece ainda que, em Sapiranga, o grupo atuava aliciando pessoas com promessas de ganhos de até 400% no período de um ano, mediante um investimento inicial. As investigações iniciaram há um mês e meio, após 29 vítimas registrarem ocorrência policial. "Todo esquema de pirâmide é insustentável. Se as pessoas forem procuradas, devem acionar a polícia para denunciar", destaca o delegado.

O crime

A prática de pirâmide financeira é enquadrada como um crime contra a economia popular tipificado no inciso IX, art. 2º, da Lei 1.521/51. A prática é descrita pela lei como um meio de "obter ou tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de número indeterminado de pessoas mediante especulações ou processos fraudulentos (bola de neve, cadeias, pichardismo e quaisquer outros equivalentes)".


PUBLICIDADE

WEBTV

PUBLICIDADE
Capa do dia

FOLHEIE O SEU JORNAL PREFERIDO NA TELA DO SEU COMPUTADOR.

ACESSE ASSINE AGORA
51 3600.3636
CENTRAL DO ASSINANTE

51 3591.2020
CENTRAL DE VENDAS DE ASSINATURAS