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Turismo

Conheça Córdoba: cidade histórica cercada de cultura e mistérios

Pouco explorada por brasileiros, cidade da Espanha é marcada por intensa mistura religiosa e cultural

Karina Sgarbi/Especial
Puente Romano à distância
Uma ponte construída pelos romanos antes de Jesus nascer. Uma imensa mesquita erguida sobre um templo que havia sido do império romano, depois dos visigodos. E que virou uma impressionante catedral católica quando os cristãos a tomaram dos muçulmanos, no ano de 1236. Uma sinagoga pequena de onde os judeus foram expulsos no século 15. As ferramentas de tortura usadas durante os 700 anos da Santa Inquisição. Banhada pelo Rio Guadalquivir, Córdoba, ao sul da Espanha, é muito mais do que uma cidade bonita com construções antigas bem preservadas: é a união de diversos capítulos da história do velho mundo, aberta para visitação.

É impossível andar pelas ruas estreitas, cercadas por janelas floridas, sem perceber o passado. O som dos cascos de cavalos batendo no chão de pedra ou dos sinos da Torre Campanário, anunciando insistentemente que as horas estão a passar, são a melodia perfeita para esta viagem no tempo. Aliado a ela, está o cheiro das amargas laranjeiras, espalhadas nas calçadas de todo o centro histórico.

Tudo isso, é claro, vem acompanhado da deslumbrante visão de cada monumento, especialmente a grandiosa Mesquita-Catedral. Passeio essencial, dentro dela é imprescindível fazer um exercício simples de sensibilidade, para sentir a fé de todos os povos que ali estiveram antes que os pés curiosos de turistas levassem a poeira de suas vidas modernas para lá.

Se hoje o templo se mantém como um estupendo centro de louvor ao Deus católico, soberano de mais de 1,2 bilhão de pessoas em todo mundo, também foi a casa de quem estendia sobre o piso de pedra seus tapetes bordados na direção de Meca, pedindo paz a Alá. Essa mistura religiosa talvez seja o recado mais sutil, e também óbvio, para o mundo intolerante de hoje: quem é diferente pode, e também deve, viver em harmonia.


Mesquita-Catedral

Principal atração da cidade, a Mesquita-Catedral foi reconhecida como Patrimônio da Humanidade em 1984 pela Unesco e é considerada a construção mais importante do ocidente islâmico. Trata-se um templo imenso, que mostra como culturas diferentes podem conviver em paz no mesmo espaço. Aqui, é fundamental atentar para cada detalhe, já que há uma mescla única dos estilos arquitetônicos gótico, renascentista, barroco e omeya (antiga arte islâmica). O edifício atual é o resultado da mesquita levantada no ano de 780 d.C, pelo líder Abd al-Rahman I, que a implantou sobre uma basílica cristã dedicada a San Vicente. Com o fim da dominação muçulmana, no ano de 1236, se findaram os cinco séculos de cultuação islâmica no templo, dando lugar ao cristianismo. É um dos pontos mais visitados do mundo segundo o TripAdvisor.

Informações: À exceção de domingos e datas religiosas, o templo pode ser visitado gratuitamente das 8h30 às 9h30. Depois disso, são cobrados ingressos ao custo de 10 euros para adultos e 5 euros para crianças a partir de 10 anos.

Pátio de los Naranjos

É uma espécie de jardim ao lado da Mesquita-Catedral e, assim com o templo, passou por uma série de mudanças ao longo da história. Durante a dominação islâmica, por exemplo, era usado para atividades públicas. Além disso, debaixo das atuais laranjeiras há uma espécie de cisterna que garantia a água necessária para as purificações dos muçulmanos. Nas primeiras décadas do século 16, o espaço passou pela remodelação que lhe deu as características que possui hoje. Dica: as laranjas são amargas.

Informações: O Pátio de los Naranjos tem visitação gratuita.

Torre Campanário

Ponto mais alto da cidade, é de onde se pode ter uma vista panorâmica. A torre está localizada dentro do Patio de los Naranjos e tem 54 metros de altura. Começou como um primitivo minarete muçulmano e passou por diversas alterações até se tornar uma torre de sinos usada pelos cristãos. Em 1589, um terremoto afetou a estrutura, que precisou ser refeita. Permanece como ferramenta de chamamento da comunidade para as celebrações religiosas da catedral.

Informações: Para subir na Torre Campanario é necessário desembolsar 2 euros. O percurso é feito por meio de escadas. Tem visitas a cada 30 minutos, entre 9h30 e 13h30 e 16h e 18h30.


Templo romano

A cidade de Córdoba foi fundada pelo general romano Marco Claudio Marcelo, em 171 a.C., que rapidamente a converteu na capital oficial da província romana Hispania Ulterior. As colunas, em ruínas, são herança deste período, tendo sobrevivido, por exemplo, à guerra ocorrida no ano 49 a.C., entre Julio César e Pompeu, vencida pelo primeiro. Este é o único templo romano da cidade, dedicado ao culto imperial e que foi também parte do fórum provincial e de um circo.

Informações: O local não tem visitação aberta em seu interior, mas pode ser observado por entre os muros de vidro que o cercam.

Puente Romano

Uma das razões de Córboda ter sido, ao longo dos séculos, alvo de desejo dos mais diversos povos, é a navegabilidade do Rio Guadalquivir, que coloca a cidade como ponto importante para o deslocamento e também para a logística de sua produção. Sobre ele, foi levantada uma imensa ponte, no século I a.C. A obra sofreu várias remodelações até chegar ao modelo atual, sendo que sua estrutura principal data do período medieval e a intervenção mais recente ocorreu em 1876. A construção conta com 16 arcos, esculturas de santos, em frente às quais são acesas velas dia e noite, e ainda é ocupada por artistas, especialmente músicos.

Informações: a visitação é gratuita.

Sinagoga

Única sinagoga da região da Andaluzia e uma das três mais conservadas do período medieval em toda a Espanha, foi construída entre os anos de 1313 e 1314. O local serviu como templo até a definitiva expulsão dos judeus da cidade, em 1492, quando passou a ser usado como um hospital e uma escola infantil. Com uma planta quadrangular, conserva detalhes da época, como escritas sagradas nas paredes.

Informações: Fechada às segundas-feiras. Nos demais dias, abre das 9 às 20 horas. Em domingos e feriados, das 9 às 15 horas. A entrada custa 30 centavos de euro.



Puerta del Puente

Localizada ao final da Puente Romano e pouco antes da Mesquita-Catedral, a Puerta del Puente, em sua origem, era parte das muralhas que cercavam a cidade. Foi remodelada no século 16, quando recebeu as características mantidas hoje. Os visitantes podem acessar uma sala de exposições permanente, que ilustra sua história por meio de textos e imagens, e ainda podem ingressar ao mirador, que fica na parte superior, garantindo uma vista ampla do entorno do monumento.

Informações: Horários de visita para subir no monumento, ao custo de 1 euro, são variados.

Galeria de la Inquisición

Exposição permanente que inclui uma série de objetos de tortura utilizados durante o período da Santa Inquisição espanhola, entre os séculos 13 e 19, mostrando uma etapa cruel da história humana. Os utensílios e máquinas preservados contam com explicações em textos e ilustrações, que demonstram a finalidade de cada um. Os 700 anos de aplicação de castigos por infrações, diferenças de credos e outras causas tão absurdas quanto, ainda não encontram uma explicação, mas por meio desta visita é possível refletir sobre até onde vai a intolerância religiosa. São cinco salas.

Informações: Visitação aberta diariamente, das 10h30 às 20 horas, ao custo de 3 euros.



A comida cordobesa

Entre os pratos típicos da culinária cordobesa estão o salmorejo, uma espécie de pasta feita com tomate, pão e alho, servida como entrada, geralmente acompanhada de jamón serrano e ovo. Como pratos principais, estão o flamenquín (foto), que consiste em pedaços de jamón serrano enrolados em lombo de porco empanados e fritos, e o rabo de toro, prato feito com pedaços de rabo de touro cozidos em um molho. Como em toda a Espanha, há ainda as famosas tapas, pequenos lanches ou petiscos servidos como acompanhamento para bebidas em bares e restaurantes. Em geral, paga-se somente a bebida e os aperitivos são gratuitos.

Outras experiências imperdíveis

Para além dos monumentos históricos, Córdoba também é um importante reduto cultural. As ruas estreitas de pedra, as inúmeras varandas floridas e os famosos pátios, também reconhecidos como Patrimônio da Humanidade, são atrativos imperdíveis. Por estar ao sul da Espanha, a cidade não registra temperaturas muito baixas nem mesmo no inverno, sendo, portanto, agradável para visitação durante todo o ano. Entretanto, é na primavera que Córdoba vive seu ponto máximo, com o florescer das plantas dos jardins, especialmente no bairro Alcázar Viejo, onde as varandas e pátios quase explodem num espetáculo colorido.

Também é impossível deixar a cidade sem assistir a um show de flamenco. Há restaurantes que oferecem jantares acompanhados das apresentações dos dançarinos e também outros espaços, como o mercado Los Patios de la Marquesa, onde é possível assistir ao show sem custo.

  • Puerta del Puente
    Foto: Karina Sgarbi/Especial
  • Mesquita-Catedral
    Foto: Karina Sgarbi/Especial
  • Flamenquín é um dos pratos típicos de Córdoba
    Foto: Karina Sgarbi/Especial
  • Templo romano
    Foto: Karina Sgarbi/Especial
  • Puente Romano
    Foto: Karina Sgarbi/Especial

Como chegar

O acesso pode ser feito por trens de alta velocidade ou ônibus (opção mais barata), partindo de Madri, Sevilha, Málaga, Granada ou Barcelona, por exemplo. Córdoba tem um aeroporto que não opera com voos domésticos, então o acesso aéreo tem de ser feito pelas cidades vizinhas. Como o sistema de transporte público europeu funciona muito bem e é seguro, é possível fazer o percurso em pouco tempo. De trem, partindo da capital espanhola, o tempo de viagem é de 1h40. Já de ônibus, pode levar cerca de 4 horas.


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