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Mãos ao alto

Em nove meses, 1,3 mil pedestres foram vítimas de assalto em Novo Hamburgo

Apesar de alto, número ainda é menor do que em 2016
11/10/2017 07:19 11/10/2017 14:37

Juarez Machado/GES
Centro de Novo Hamburgo e Canudos são os bairros com maior número de assaltos
Mesmo sem reação e quaisquer possíveis gestos impulsivos, um homem que trabalha como modelista, de 46 anos, teve seu maxilar quebrado por um bandido há poucas semanas no Centro de Novo Hamburgo. O crime foi pelas 21 horas de um sábado, na escadaria da Rua Gomes Portinho, enquanto o modelista voltava para casa a pé. O caso não é uma exceção.

Diariamente, a comunidade é surpreendida – a caminho do trabalho, da escola, em todos os bairros – por bandidos, armados ou não, e tem seus pertences levados. Ou, pior, assim como o modelista, em muitos casos, as vítimas ainda são espancadas, abordadas com socos, empurrões e outras agressões. “Estou evitando aquele trecho”, confirma o homem de 46 anos. Ele integra os 1.369 pedestres assaltados na cidade de janeiro até setembro deste ano. No mesmo período do ano passado foram 1.504, o que representa um decréscimo de aproximadamente 10%. Porém, um policial civil que não quis se identificar informou que “é possível que algumas ocorrências de menor relevância não tenham sido registradas em parte de setembro deste ano porque a Polícia esteve em greve alguns dias do mês”.

Apesar da aparente queda, a insegurança segue. O modelista teve uma fratura bilateral de mandíbula e passou por uma cirurgia, estando ainda em recuperação. Segundo levantamento do Jornal NH, analisando esse tipo de crime de janeiro a setembro deste ano, o dia de maior incidência de roubo a pedestre na cidade é em segundas-feiras. A noite é o turno mais visado pelos bandidos. O registro em delegacia desse tipo de crime varia diariamente. Às vezes nenhum, outras vezes quatro, seis, sete, nove, dez registros diários. O número ainda pode ser maior, já que os dados analisados são de roubos a pedestres consumados e não os tentados. Sem contar as ocorrências não registradas na Polícia.


Insegurança agravada por diversos fatores

Conforme o irmão do modelista, um analista de sistemas, 43, que se mostrou indignado com a situação, o ladrão estaria desarmado para ter cometido o crime. “Se tivesse arma, seria pior”, comenta. Mas um outro agravante, ainda, é a situação nas Delegacias de Polícia. “Naquele dia fui fazer o boletim de ocorrência enquanto levavam ele (irmão) para o HPS, em Porto Alegre. A delegacia estava tão cheia que não tinha algemas suficientes, porque Novo Hamburgo é o plantão de várias cidades. Daí doei umas abraçadeiras de nylon para liberar a Brigada Militar de Ivoti que estava lá”, conta.

AssaltosEle, casualmente, tinha os aparatos consigo, já que desenvolve com as abraçadeiras cadeiras de locomoção para cães deficientes. “O que eu não imaginava era que tinha só um plantão para várias cidades, isso deve dar bastante deslocamento para a BM. (No dia), acho que eles só podiam voltar depois de concluir a detenção, por isso tentei ajudar, para ganhar tempo”, complementa.

A situação de superlotação não é o único dos problemas. Muitas pessoas da comunidade ainda acreditam na necessidade de se ter mais efetivos nas ruas. É o que reforça o delegado da 1a Delegacia de Polícia, Tarcísio Kaltbach, que atesta que o roubo é sempre uma situação preocupante. “O ideal é aumentar o efetivo da prevenção, ou seja, mais brigadianos e GM (guardas municipais) nas ruas. A presença física é muito importante, pois ajuda a inibir o delinquente”, reforça. “Quanto a Polícia Civil, deve ser feito um monitoramento das regiões ou bairros de maior incidência de roubos, serviço de acompanhamento e operações policiais de surpresa."

Vítimas são 'pessoas distraídas e desatentas'

Não há um perfil de criminoso, segundo a Brigada Militar. Para o tenente-coronel Márcio Uberti Moreira, comandante do 3º Batalhão de Polícia Militar (BPM), toda e qualquer pessoa em situação suspeita ou local de risco podem e devem, a qualquer momento, ser abordado e verificado pelos policiais. Quanto ao perfil de vítima, as análises criminais têm demonstrado que a vítima não é escolhida por características pessoais, mas sim pela oportunidade do cometimento do crime dada ao delinquente. É o que diz Uberti.

"São pessoas distraídas e desatentas, geralmente em locais ermos, sozinhas ou que ostentam um bem ou produto de cobiça para o criminoso. Principalmente no roubo a pedestres e de veículos”, salienta o tenente-coronel da BM quanto ao perfil de vítimas deste tipo de crime.


Para BM, efetivo nas ruas não é solução

Para o tenente-coronel Uberti, o aumento de efetivos nas ruas não é a solução para diminuição da incidência de roubos a pedestres. Sejam eles consumados ou tentados. “A solução passa também pelo investimento em equipamentos e tecnologias de apoio da ação policial. Neste sentido, Novo Hamburgo se recente, pois ao contrário de municípios muito menores da região e que investem na segurança pública local, Novo Hamburgo é carente em apoio e investimentos mínimos e básicos aos órgãos de segurança pública”, reflete.

De acordo com Uberti, alguns exemplos são a falta de GPS nas viaturas, viaturas novas e equipamento eletrônico. “Agora, nosso maior problema é a saída de brigadianos do policiamento ostensivo preventivo para cumprir funções que não nos competem, como as custódias de presos em delegacias e hospitais”, aponta. “Por lógico, cada PM que não está nas ruas fazendo policiamento aumenta a chance da ocorrência criminosa.”

Bruna de Bem/PMCP
Mesmo impondo medo aos criminosos, BM afirma que maior policiamento nas ruas não é solução

'Está longe de ser preocupante'

De acordo com o tenente-coronel Márcio Uberti, a situação de roubo a pedestre em Novo Hamburgo, assim como outros tipos de crimes, vem seguindo uma tendência de redução de indicadores criminais. “Portanto (a situação) está sob aspecto técnico, sob controle, longe de ser preocupante”, enfatiza. Sentimento diferente tem uma agente de saúde, de 25 anos, moradora de Novo Hamburgo. “Eu entro em pânico cada vez que vejo um motoqueiro”, diz ela, rendida e assaltada por um homem em uma moto às 16h15 do dia 23 de agosto, na Avenida Pedro Adams Filho, no Centro.

“O motoqueiro me abordou, mandou eu ficar quieta e pegou as minhas coisas. Não vi se ele estava armado, porque fiquei muito assustada”, contou. Antes, a mulher já fazia acompanhamento médico para tratar depressão e, depois do episódio, a situação piorou. “Tenho mais medo das coisas agora, me sinto num ambiente inseguro e com vontade de me enfiar num buraco.”

Uma estudante de 22 anos também vive com medo. “O maior medo do assalto não é apenas levar os pertences, mas da agressão. Tantas histórias horríveis vêm acontecendo que não tem como não sentir medo. Hoje em dia não tem mais horário ou local e tudo é possível. E isso assusta. Tenho amigos que não saem mais à noite com medo da violência”, relata ela, que já foi assaltada, mas em Porto Alegre.

Na quinta-feira: uma análise minuciosa de dez dias seguidos de ocorrências de roubo a pedestre em Novo hamburgo.


Jornal NH
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