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Comportamento

Precisamos falar de sexualidade

Educação sexual deve ser compartilhada pela sociedade, defende especialista. Em Novo Hamburgo, adolescentes multiplicam informações sobre saúde
09/10/2017 08:00 10/10/2017 08:40

Gabriela da Silva /Gabriela da Silva /GES-Especial
OLHO NO OLHO: alunos abordam temática em escola hamburguense
Falar de sexo ainda é tabu. Deixar de tocar no assunto, no entanto, só faz com que surjam ainda mais dúvidas, medos e preconceitos, além de aumentar a susceptibilidade a doenças sexualmente transmissíveis e a chances de gravidez não planejada. Acostumada a responder questões de “amigos” do público que participa do programa Altas Horas, da Rede Globo, a psicóloga, educadora sexual e jornalista Laura Muller diz que, quando se trata de sexualidade, informação é fundamental, mesmo que isso signifique responder 500 vezes a mesma pergunta. Para os adolescentes, com todos seus dilemas comuns à transição da infância para a vida adulta, falar de sexo e entender transformações e desejos pode ser ainda mais complicado. “Por isso, a educação sexual precisa ser compartilhada, porque não é simples lidar com essas questões. Tem muita coisa pré-sexo. É essencial ter uma fala que oriente e acolha, que diga que não é fácil evitar gravidez, DSTs, falar sobre afeto, diversidade sexual. Os pais precisam educar em casa, mas também é responsabilidade da sociedade formar esse jovem para que tenha senso crítico para fazer escolhas”, destacou em entrevista coletiva concedida em São Paulo, no dia 26 de setembro, durante evento promovido pela farmacêutica Bayer referente ao Dia Mundial da Contracepção.

Laura explica que há quatro eixos que preocupam os jovens quando se fala em sexo: como evitar a gravidez fora de hora; como prevenir doenças sexualmente transmissíveis; a prática sexual em si - com relação ao afeto com o parceiro ou parceira - e a diversidade sexual. “É muita coisa para trabalhar com pouca idade. Além do dilema sexual, tem o dilema pessoal, ‘quem eu sou?’, e os dilemas profissionais, ‘o que eu quero ser?’. É uma tarefa complexa para uma pessoa em formação. Por isso, educação sexual não é só uma tarefa do educador e também não só dos pais, mas de todos”, ressalta.

Fonte de informação
Para mais da metade dos brasileiros (56,2%), a educação sexual nas escolas é insuficiente, mesmo que este seja considerado o local mais comum de aprendizado sobre o tópico, de acordo com pesquisa global feita pelo Guttmacher Institute, com apoio da Bayer. A pesquisa mostrou ainda que os meios mais comuns utilizados pelos brasileiros para se informar sobre sexo são os pais (39,8%), amigos (37,8%), livros ou revistas (35,3%), sites educacionais (31,8%), “materiais pornográficos” (29,9%) e, em último lugar, um aliado fundamental na conscientização sobre atitudes que devem ser tomadas e opções para a prática de sexo seguro: os médicos (25,9%).


Assunto tabu

Educação sexual é ferramenta para evitar doenças sexualmente transmissíveis e gravidez não planejada, mas ainda há muito o que ser falado sobre o tema. “A indicação de que 75% dos jovens brasileiros sexualmente ativos já fizeram sexo desprotegido reforça a necessidade de ampliar o acesso dos jovens a informações essenciais sobre sexo e contracepção”, afirma a obstetra e ginecologista Albertina Duarte Takiuti, responsável pelo Ambulatório de Ginecologia da Adolescência do Hospital das Clínicas de São Paulo. Um dos motivos para a informação não chegar até esse público é o receio e/ou vergonha de iniciar uma conversa sobre sexo, tanto por parte dos adolescentes como dos pais e responsáveis. De acordo com a pesquisa global, por exemplo, mais de 90% dos participantes gostariam que o assunto “contracepção” não fosse considerado um tabu.


Adolescentes multiplicadores

Gabriela da Silva /GES-Especial
INFORMAÇÃO: escola é um dos locais apropriados para abordar temática


Responder perguntas que envolvem sexualidade é bem comum para a estudante Cassiana Almeida, 15 anos. No corredor da escola, ela é parada por colegas e alunos de outros anos para explicar questões como o uso correto do preservativo, por exemplo. Desde o ano passado, Cassiana é parte do Grupo de Adolescentes Multiplicadores de Saúde (GAMS), formado por alunos do 7° ao 9° ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Francisco Xavier Kunst, no bairro Canudos, em Novo Hamburgo. “É importante não só para levar informações para os outros alunos, mas divulgar, falar, mostrar para a sociedade que o adolescente tem que falar de sexo, falar abertamente sobre todos os assuntos que envolvem a sua vida e que muitas vezes não têm espaço dentro de casa”, declara. O principal objetivo do GAMS é justamente permitir que os adolescentes estejam bem informados e possam falar de igual para igual em bate-papos com os amigos, colegas e demais estudantes na própria escola e em visitas a colégios da rede municipal.
Neste segundo semestre, o foco das rodas de conversa que ocorrem toda segunda-feira na Unidade de Saúde da Família (USF) Morada dos Eucaliptos é o tema sexualidade, mas este não é o único assunto abordado nos encontros do GAMS. Questões como nutrição, bullying e higiene pessoal também entram na pauta dessa turma. “Destacamos a importância da leitura, por exemplo, mostrando que leitura também é saúde”, comenta a orientadora educacional da Francisco Xavier, Mônica Reichert. O programa é baseado na importância de levar conteúdo sobre saúde para dentro da escola e no início do ano todos os alunos são convidados a participar.


Protagonismo

Além das questões abordadas nos encontros do GAMS, a coordenadora do Programa Saúde na Escola (PSE) e do setor de Saúde do Adolescente em Novo Hamburgo, Cristine Schüler, diz que a própria presença no grupo já faz diferença para os estudantes. “A socialização, o pertencimento a um grupo, este trabalho voluntário que fazem participando de bate-papos em outras escolas, ser um multiplicador tem um significado muito importante na formação destes adolescentes”, destaca. Cristine foi a convidada do encontro da última semana e falou com os alunos sobre sexualidade e prazer. “Dentro da família, são dados os valores. Aqui, eles recebem informação. Então podem pegar estes valores e estas informações para tomar decisões. Ações como o GAMS valorizam o protagonismo adolescente, o empoderamento para que o jovem possa se bancar nas suas decisões”, acrescenta.

Saiba mais

Implantado oficialmente em 2014, o GAMS tem as suas reuniões no contraturno das aulas na EMEF Francisco Xavier Kunst. Todas às segundas-feiras, com recessos nas férias escolares, a USF Morada dos Eucaliptos serve de sede da equipe para alinhar as pautas da comunidade escolar com as informações sobre saúde, com orientações de agentes comunitários.

O GAMS segue o que preconiza o Ministério da Saúde, por intermédio do Programa Saúde na Escola (PSE), ao enfatizar a importância das boas práticas na atenção básica a essa faixa etária jovem. E o objetivo é tornar mais eficazes tanto as ações de prevenção a doenças quanto a promoção do bem-estar e o enfrentamento a agravos à saúde.

Assunto tabu

Educação sexual é ferramenta para evitar doenças sexualmente transmissíveis e gravidez não planejada, mas ainda há muito o que ser falado sobre o tema. “A indicação de que 75% dos jovens brasileiros sexualmente ativos já fizeram sexo desprotegido reforça a necessidade de ampliar o acesso dos jovens a informações essenciais sobre sexo e contracepção”, afirma a obstetra e ginecologista Albertina Duarte Takiuti, responsável pelo Ambulatório de Ginecologia da Adolescência do Hospital das Clínicas de São Paulo. Um dos motivos para a informação não chegar até esse público é o receio e/ou vergonha de iniciar uma conversa sobre sexo, tanto por parte dos adolescentes como dos pais e responsáveis. De acordo com a pesquisa global, por exemplo, mais de 90% dos participantes gostariam que o assunto “contracepção” não fosse considerado um tabu.


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