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Unfair play

Justiça francesa investiga supostos subornos para trazer Olimpíadas ao Rio

Senegalês ligado ao COI recebeu pagamentos perto de datas-chave na eleição da cidade-sede dos jogos de 2016
07/12/2017 10:07 07/12/2017 10:08

Sebastian Feval/AFP
Carlos Nuzman estava à frente do Comitê Rio 2016
Em 2 de outubro de 2009, o Rio de Janeiro se tornou a primeira cidade da América do Sul a sediar os Jogos Olímpicos de Verão. Mas quanto custou a o voto dos membros do COI? Oito anos depois, o fluxo de dinheiro e e-mails veio à tona, mas agora só restam grandes suspeitas.

Durante muito tempo, Papa Massata Diack foi um personagem que se movia distante do foco da imprensa. Mas o dirigente foi protagonista dos escândalos que sacodem o mundo do esporte há dois anos.

Diack era um dos principais nomes do escândalo de corrupção da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), relacionado com atletas russos dopados. Agora, o senegalês de 52 anos está na mira das justiças de França e Brasil, que investigam as condições da nomeação das Olimpíadas do Rio-2016.


Tânia Rêgo/Agência Brasil
Carlos Arthur Nuzman foi preso em outubro por suspeita de compra de votos na eleição da sede dos jogos olímpicos de 2016
A dúvida é se Papa utilizou a influência de seu pai, Lamine Diack, então presidente da IAAF e membro do Comitê Olímpico Internacional (COI), para enriquecer. A operação "Unfair play", que está em funcionamento desde setembro, e os e-mails analisados pelos investigadores aumentaram as suspeitas. A AFP teve acesso ao conteúdo das mensagens.

Há vários meses, a justiça francesa investiga indícios de fundos que foram lavados em seu território. Em junho de 2016, os magistrados da Procuradoria Nacional Financeira (PNF) colheram depoimento do ex-membro do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Eric Walther Maleson. 

Maleson envolveu o presidente do COB e do comitê organizador da Rio-2016, Carlos Nuzman, declarando que ficou sabendo de subornos para conseguir a sede olímpica para a cidade carioca. Ainda assim, uma fonte próxima da investigação disse que Maleson, que tem contas pendentes com Nuzman, "não parece ter conhecimento dos fluxos".

Carlos Nuzman foi preso em outubro, no Rio, suspeito de corrupção no processo de escolha da sede das Olimpíadas de 2016. 

Já a justiça francesa detectou duas transferências, de US$ 2 milhões cada, que foram feitas no dia 29 de setembro de 2009, três dias antes da votação do COI. O beneficiário foi Papa Massata Diack ou uma de suas empresas, em Moscou e Dacar.

O dinheiro saiu da empresa Matlock Capital, que está relacionada ao empresário brasileiro Arthur Soares. "Rei Arthur" era conhecido pelo apelido e pela proximidade com o ex-governador do Estado do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, condenado a 14 anos de prisão.

Por qual motivo Papa Massata Diack recebeu US$ 2 milhões da Matlock Capital? O senegalês, residente em Dacar, onde nunca pôde ser interrogado pela justiça francesa, não quis responder à AFP.

O que se sabe é que antes e depois da votação dos membros do COI, que definiu a vitória do Rio sobre Madri na terceira e última votação (66 votos a 32), Papa Massata Diack manteve contatos com membros da candidatura brasileira, segundo e-mails analisados pela investigação do Brasil. Entre os destinatários, Carlos Nuzman e o ex-diretor de comunicação e marketing do COB, Leonardo Gryner.

Papa Massata Diack relembra que espera pagamentos em várias ocasiões, como no e-mail do dia 19 de dezembro de 2009 destinado ao gabinete do presidente do COB. Fala-se do valor de 450 mil euros. Dois dias depois se dirige diretamente a Nuzman, em inglês, para pedir "ajuda".

No dia 6 de janeiro, comemora o recebimento de US$ 50 mil e US$ 60 mil em uma conta em Dacar, mas ainda espera US$ 340 mil. "Transmita ao presidente que continuo esperando a finalização do processo, já que agora estou recebendo mais pressões de meus amigos", insistiu Papa em 31 de janeiro de 2010, com Carlos Nuzman em cópia no email.

Em declaração citada na ata da acusação brasileira, Leonardo Gryner disse que Lamine Diack aproveitou o Mundial de atletismo de Berlim, em agosto de 2009, para apresentar seu filho, responsável para tratar de patrocínios de eventos no Brasil.

Uma versão que parece validada por e-mail de Gryner para Papa Massata Diack, em 10 de setembro de 2009: "Estamos dispostos a enviar uma carta de intenção à IAAF sobre os Relays Challenge IAAF 2010-2012". Gryner acrescentou que nenhum evento deste tipo foi organizado. As três edições do World Relays, competição de revezamento criada em 2014, foram realizadas nas Bahamas.

No Brasil, Nuzman, Gryner e Cabral foram acusados pela participação na rede de corrupção, enquanto Papa e Lamine Diack estão formalmente indicados na ata de acusação. Na França, o caso ressoou no ex-atleta da Namíbia, Frankie Fredericks, acusado de corrupção passiva.

A justiça descobriu que a empresa Yemi Limited, fachada do ex-competidor, recebeu transferência de US$ 299,3 mil no dia 2 de outubro de 2009. O valor veio da companhia Pamodzi Consulting, de Papa Massata Diack.

Em Copenhague, cidade onde se votou a sede, Fredericks era um dos encarregados da análise dos votos do COI quando o Rio conquistou as Olimpíadas. Neste mesmo dia, as investigações mostram que US$ 130 mil saíram de Pamodzi Consulting para joalherias de Paris, neste mesmo dia.



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