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Crônica especial

Para refletir no Natal

Leia o texto do pastor, professor e historiador Martin N. Dreher
24/12/2017 10:50 24/12/2017 10:50

Martin N. Dreher*

Poucos dias antes de falecer, o reformador Martim Lutero escreveu uma carta a sua esposa Catarina. Ele se encontrava em viagem, doente e ela se preocupava com sua saúde. A situação estava difícil mesmo. Para tranquilizá-la, ele escreveu: “Deixa-me em paz com tua preocupação. Tenho um cuidador melhor que tu e todos os anjos o possam ser. Ele está deitado numa manjedoura e está pendurado no seio de uma virgem. Ao mesmo tempo está sentado à mão direita de Deus, o Pai Todo-poderoso. Por isso, fica em paz, tranquila. Amém”.

Quem é esse que se preocupa com Lutero, melhor que a esposa e todos os anjos? Que Salvador é esse que está pendurado no seio de uma virgem? Quem é esse que está deitado na manjedoura?

É “Deus conosco” (Emanuel)! É o que nos é anunciado a cada domingo, mas hoje de maneira especial. “Hoje vos nasceu o Salvador!”

Conhecemos a história, até bem demais! Ela nos traz gente muito real: Maria e José, um casal sem-teto. Estão em situação que nem mesmo eles compreendem e que lhes complica a vida. Mesmo assim, caminham obedientes, sem esperar qualquer privilégio. Talvez até esperem o contrário. Depois, temos os pastores, representantes de todas aquelas pessoas que passam por apertos ao longo de toda sua vida. Conhecem a Deus a partir do Catecismo, mas não o confessam como seu Deus e Dele nada esperam. São pessoas que sucumbem na luta diária pela sobrevivência. São eles que, justamente por causa de sua insignificância, de sua humildade, são os primeiros ouvintes e testemunhas da grande mudança.

A história ainda nos traz Augusto e Cirênio, membros da mesma humanidade, cuja noite sem a luz de Deus é caracterizada pela luz dos campos de Belém. No máximo, sua noite é iluminada pelas miseráveis e insignificantes luzes do espírito humano. Ao contrário dos pastores, porém, são aparentemente os mandatários. Os grandes, invejados e temidos atores da História, mandando nas massas humanas, nas quais se inserem Maria e José, os insignificantes portadores da promessa. Augusto e Cirênio não desconfiam que, na realidade, há alguém mandando neles; não sabem que são bonecos nas mãos de grande diretor que deles se vale, nos mínimos detalhes, para que sua vontade seja feita. É Ele quem determina, inclusive, o local, onde esse Salvador deveria nascer. É Ele quem faz dos invejados, pessoas as quais não se deve invejar porque essa história passa por eles, deixando-os ser figuras sem destaque, porque sobre eles não brilha a Luz.

“Dá fartura aos que têm fome e manda os ricos embora com as mãos vazias.” (Lucas 1.53), cantou Maria ao saber que seria a mãe do Salvador. – Além de Maria e José, dos pastores, de Augusto e Cirênio, a história nos traz anjos que deixam de ser seres míticos para se transformar em mensageiros e portadores da voz de Deus. Neles nada mais interessa, a não ser o que fazem: anunciam e louvam. É tão impressionante o que fazem que não precisamos ficar desejando que anjos apareçam a nossa frente. Por quê? Porque a Palavra, à qual servem também vem a nós, hoje! Porque nos unimos a eles no louvor. – Por fim, a história traz o centro da História: a criança, o Salvador, o Senhor da História. Não é o menino dourado, com cabelo cacheado, mas pobre verme, passivo, mudo, tão impotente quanto impotente será, quando estiver pregado à cruz. Por trás da manjedoura já está a cruz. A cada respiração sua há de mais dela se aproximar. Mas, foi para isso que veio: para que seu sofrimento se transformasse “em grande alegria para todo o povo”. Para que assim se transformasse em Salvador e Senhor. Tão impotente é o potente centro dessa história e de toda a História!

Ele é nosso Senhor. Ele é nosso Senhor. Diante Dele trememos, mas Ele nos acolhe. Ele vem no contrário do que Ele é, servo dos servos. Ele nasceu em Belém, na vila. Ele vem para salvar, curar, trazer paz. É presente que torna insignificantes todos os demais presentes. Ele vem, nascido como nós, em pobreza, e continua a vir a nós na palavra que Dele fala e que nos alimenta na eucaristia.

Qual o resultado de sua vinda? É o que expressa o canto dos anjos: “Glória a Deus nas maiores alturas do céu! E paz na terra para as pessoas a quem Ele quer bem!” É assim que o podemos louvar:

“Cantai, cristãos, a Deus louvai, pois hoje abriu o céu; do trono excelso enviou o Pai o eterno Filho seu, o eterno Filho seu.

Trocou a glória por desdém, tornou-se nosso irmão! Na manjedoura de Belém – eis nossa salvação, eis nossa salvação!

O Cristo oculta seu poder, submisso aceita a dor, humilde servo vem a ser do mundo o Criador, do mundo o Criador.

Jesus é servo, eu sou senhor; que troca singular! Não há no mundo amor maior que seu amor sem par, que seu amor sem par.

O paraíso já se abriu ao povo do Senhor, pois os perdidos redimiu, o seu excelso amor, o seu excelso amor.”

Nikolaus Hermann (1480-1561)

*Martin H. Dreher é pastor, professor e historiador


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