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Luiz Coronel

Amar o Mar

''Por isso se diz que Xangri-Lá é a única praia do mundo onde as vacas são frutos do mar.''
07/01/2018 06:00

Luiz Coronel é poeta
www.luizcoronel.com.br

Na dança das estações, de repente é verão, uma estação de promessas mirabolantes e, como sempre, tendo os freios da realidade limitando as expectativas. Mas existe o mar. Sou um homem de fronteira. Abrindo a porta de casa, começa o pampa, imenso e estendido. Amo intensamente essas extensões onde o olhar de perde ao longe e a paz se instaura. “O mar é lagoa lavrada pelos arados do vento” lasquei na primeira milonga que compus, por volta dos anos 1970. Em verdade vos digo, a partir de setembro, começo a sentir uma densa saudade do mar.

Um ano reinicia o ciclo das estações. Para mim, datar o tempo é gravar nosso nome na areia e entregá-lo às ondas do mar. O ano não veio nem se foi. Nós é que seguimos trilhando o roto tapete dos calendários, arrastando a pesada mala das agendas. Sinto-me perplexo ante as indagações que o tempo nos sugere. Em verdade, só existe uma maneira de apoderarmo-nos do tempo, é por meio da memória. Santo Agostinho, cuja frase mais célebre refere-se à santidade dos hábitos: “Castidade sim, mas não agora”, colocava a densidade do tempo na balança para refletir de uma forma exemplar: “Se não me perguntarem o que é o tempo eu sei. Se me perguntarem, ignoro”.

Prossigo nas indagações sobre o tempo, pois já vai longe o meu andar com os pés sobre o planeta. Jorge Luís Borges, um escritor argentino de uma erudição universal, colocava o tempo acomodado nas páginas de sua vasta obra literária. Para ele, o presente era aquele instante fugidio em que o futuro se torna passado. Mas, afirmava: “existe o presente do passado, a que chamamos memória; e o presente do futuro, a que chamamos esperança”. Considero essa reflexão de uma grandeza tal que sugere a qualquer escritor devolver a pena ao ganso e não carecer editar mais.

Mas já que faz bom tempo, voltemos ao mar. O mar é o jardim da infância das baleias, é o sambódromo da lua cheia. Veraneio em Atlântida. Ali, a maresia cede lugar ao convidativo aroma do churrasco assado ao preceito frente às águas frequentemente turvas de nosso Atlântico. Por isso se diz que Xangri-Lá é a única praia do mundo onde as vacas são frutos do mar. Em que pese a imensidão retilínea de nossas praias, é para lá que voltamos. Afinal, é lá que estão as mais belas e bronzeadas sereias que existem neste País bonito por natureza.


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