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Pesquisa

Obesidade está relacionada a alterações de humor

Estudo aponta que quanto maior o IMC, maiores os sintomas de transtornos
08/01/2018 09:00

Alan Machado/GES
Pessoas com IMC maior que 30 têm o dobro de pontuação do que IMC normal em depressão

Além de ser fator de risco para uma série de doenças, como diabetes, hipertensão, doenças cardíacas e pelo menos 13 tipos de câncer, a obesidade está relacionada também a alterações de humor, como depressão, ansiedade, alterações de ritmo biológico e sono. Quanto maior o IMC (índice de massa corporal), maior a chance de transtornos, constatou pesquisa feita pela Universidade LaSalle. “Não é uma questão de causa e efeito, mas a gente viu que quem tem excesso de peso ou obesidade tem o dobro da pontuação de alteração de áreas de humor comparado com quem é IMC normal. Juntando áreas de humor, alteração de sono e ritmo biológico, a gente vê que o IMC aumentado é fator de risco para alterações de humor”, observa o professor Júlio César Walz, coordenador do Grupo de Estudo e Pesquisa Interdisciplinar em Comportamento Obeso (Gepico), responsável por pesquisa sobre a associação entre IMC e alterações psicológicas, que entrevistou 806 adultos de uma cidade do Vale do Paranhana. “Nosso estudo era para avaliar os sintomas de depressão e ansiedade, e constatamos que na medida que aumenta o IMC aumentam os sintomas destes transtornos e alteração de ritmo biológico. Ou seja, IMC e alterações de área de humor têm uma base comum importante e estão intimamente relacionados”, explica o professor Júlio.

A análise comparativa se baseou na aplicação de um teste psicológico com 130 questões relacionadas à alteração de sono e ritmo biológico, baseado na escala Adult Self Report. Os resultados então foram comparados entre pessoas que têm IMC normal, sobrepeso e obeso, e a partir daí se constatou que à medida que o peso vai aumentando, aumenta a pontuação de alteração das áreas de humor. Os pesquisadores identificaram que pessoas com IMC maior que 30 têm o dobro de pontuação do que IMC normal em depressão. “Na prática, estamos dizendo que essas pessoas com IMC mais de 30 provavelmente têm uma depressão sintomatológica gerada por processos inflamatórios no cérebro que a obesidade causa, especialmente por aumento na quantidade de lipídios e açúcar circulante no organismo, isso afeta o cérebro também”, comenta Walz.

Saiba mais

  • A escala Adult Self-Report Scale (ASRS), ou escala de autoavaliação do adulto, é um instrumento de avaliação psicológica usado para identificar transtornos de humor.
  • Envolve a aplicação de um questionário que auxilia no diagnóstico de doenças mentais, como depressão, esquizofrenia e déficit de atenção.
  • É destinada especificamente para adultos de 18 a 60 anos.

Excesso de peso também interfere no sono

Outra pesquisa feita pela Universidade LaSalle, com estudantes de 7 a 12 anos de escolas de Canoas, constatou que existe uma tendência maior de transtornos de sono em jovens obesos. Foram entrevistados 465 alunos. Desse total 30% eram obesos, 23% tinham sobrepeso e 47% peso dentro do “normal”. Ficou constatado que quanto maior o IMC, mais aumentam os episódios de terror noturno, pesadelos e mais os adolescentes dividem o quarto com os pais. “O fato de os obesos dormirem mais com os pais do que os eutróficos pode estar relacionado ao medo noturno que se cria. Essa é uma outra amostragem de que o aumento de peso afeta a área de humor, porque o sono está ligado à área de humor”, comenta o professor Walz.

O que é obesidade?

A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, que causa prejuízo à saúde. Para o diagnóstico em adultos, o parâmetro mais utilizado é o do índice de massa corporal (IMC). O IMC é calculado dividindo-se o peso pela sua altura elevada ao quadrado (IMC = kg/m²). É o padrão utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que identifica o peso normal quando o resultado do cálculo do IMC está entre 18,5 e 24,9. Para ser considerado obeso, o IMC deve estar acima de 30. Quando o índice passa de 39, é considerado obesidade mórbida.

Baixar de IMC 30 é mais difícil

Uma em cada cinco pessoas no Brasil é considerada obesa. Conforme a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada no ano passado pelo Ministério da Saúde, a prevalência da obesidade no País passou de 11,8%, em 2006, para 18,9% da população, em 2016. Mundialmente, havia 1,9 bilhão de adultos acima do peso em 2016. Destes, mais de 650 milhões estavam obesos. Segundo a OMS, estes números são o triplo do que havia sido registrado em 1975. “A obesidade está aumentando no mundo de uma maneira muito severa. Já há estudos mostrando que se em 2030 seguir como está, mais de 50% da população mundial estará obesa e isso vai quebrar o sistema de saúde e de previdência do mundo todo”, comenta Walz, fazendo referência às doenças associadas à obesidade.

Segundo o professor, um dos desafios presentes é entender porque depois que se atinge o IMC 30 dificilmente a pessoa consegue voltar a ter um índice abaixo desse. “Um dos objetivos do nosso estudo é um pouco isso: tentar ver por que essas pessoas são diferentes das outras do ponto de vista comportamental. Não apenas fazer estudos psicológicos, mas mais neuroquímicos mesmo, para tentar entender, por exemplo, fome e vontade de comer”, diz o professor. Para explicar, ele cita o caso de pessoas que fazem cirurgia bariátrica, que não sentem fome, mas vontade de comer. “A gente não sabe dizer o porquê disso, esse é o nó da questão. Aonde que é no cérebro, e se pode fazer alguma coisa, para que a pessoa volte a perceber que ela não tem mais fome? A vontade de comer é um comportamento automático do cérebro, que não tem mais o registro da percepção. A pessoa cortou o estômago, diminui produção de substâncias que vão para o cérebro para avisar que está passada a fome, só que chega lá e não produz o efeito de voltar a chave para trás, então acontece alguma coisa que ninguém sabe explicar até hoje”, observa.

Solução está na alimentação

Quanto mais tempo a pessoa está exposta ao excesso de peso, menor é a chance de reduzir o IMC depois. “Mas não é só um problema de excesso de peso, é um problema de alimentação que é oferecida à população. O mundo de hoje oferece alta quantidade de carboidrato que gera gordura, então desde pequeno os alimentos ultraprocessados estão em tudo que a gente come e parece que uma das explicações é isso. Esse tipo de alimentação, que é muito transformada na indústria, que não é natural no sentido de origem, ele produz alterações bioquímicas nesse alimento que impactam no organismo”, acrescenta o professor Walz.

Ele diz que o tipo de alimentação que o mundo tem atualmente impacta não só na quantidade de calorias, mas no sentido de fazer alterações metabólicas no cérebro. “A pessoa não tem mais fome, mas segue comendo. Não é por má vontade ou desinteresse da pessoa, é o organismo dela que criou esse automatismo alimentar. Do ponto de vista preventivo, a gente teria que mudar a alimentação das crianças. Começar com diminuição de carboidrato, de refrigerante, voltar a tomar água, não tem outro jeito”, afirma.



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