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Cris Manfro

O abraço

"A solidariedade, a empatia com a dor do outro faz abraçar, mas a felicidade faz abraçar ainda mais"
11/02/2018 06:00

Cris Manfro é psicóloga clínica, terapeuta de família e casal e mediadora familiar
acmanfro@terra.com.br

Há 30 anos quando me formei era uma heresia abraçar um paciente. Terapeuta era alguma coisa ligada ao superior, ao divino, e o paciente era um mero paciente. Devíamos ter distância dele. Confundia-se estar “meta” ao sistema terapêutico com ter que ser distante. Mas eu não me sentia bem com aquilo e volta e meia tascava um “abração” em alguém. Até que aos poucos fui abraçando e não parei mais de abraçar. Às vezes me questiono se eu os abraço (de todas as formas) ou se eu fico ali à espera que eles cheguem, dando o melhor de mim, o que eu puder, para ganhar o meu abraço.

Pensei sobre abraço no último Natal quando meu neto menor, muito feliz no momento da ceia, passou a abraçar todo mundo e, quando nos demos conta, ele estava abraçando a árvore de Natal. Isso mesmo, estava abraçando carinhosamente, com braços bem abertos, com rostinho colado a árvore de Natal.

A solidariedade, a empatia com a dor do outro faz abraçar, mas a felicidade faz abraçar ainda mais. Ou seria correto dizer que o abraçar traz felicidade? Não sei dizer o que vem primeiro. O que sei é que pessoas felizes abraçam de verdade. Não tem medo do afeto, se arriscam e se expõem, mesmo que a pessoa que seja abraçada possa estar dando um abraço de urso no sentido pejorativo. Já recebi alguns desses. Desses que por cima do ombro a pessoa está pronta para dar uma punhalada. Mas, procuro não pensar nisso, porque o abraço de pessoas que queiram abraçar você de verdade é curador.

O abraço verdadeiro não tem tempo. Ele é resgatado a qualquer momento mesmo que você faça 30 anos que não vê uma pessoa. Pena eu não ter filmado o abraço de colegas no meu encontro de turma de faculdade. O abraço verdadeiro estava ali intacto, numa catarse de afeto genuíno. Estávamos felizes e nos abraçamos ou nos abraçamos e estávamos todos felizes.

Se você não costuma ser abraçado, experimente passar a abraçar. Pode treinar com uma almofada que não vá julgar você por isso. Pode começar com um abraço fraquinho no seu cachorro, que do jeito dele vai devolver na certa. Abrace a sua esposa, o que pode parecer óbvio, mas tem muita esposa que não recebe um abraço há séculos. Abrace seu marido que você pode achar, que por ser turrão, não precisa e não gosta. Mas abrace com jeito, no tempo do outro. Abraço pode ser intrusivo, pode ser demais num momento, pode ser sufocador. O abraço verdadeiro incentiva, dá permissão, acolhe, acalma, energiza, empolga, conforta. Esse abraço traz felicidade, ou a felicidade faz com que o abraço seja possível? Na dúvida não espere estar feliz para abraçar. Abrace. E quem sabe o abraço traga felicidade dessas que faz com que a gente tenha vontade de abraçar uma árvore de Natal.


Jornal NH
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