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Mauro Blankenheim

A primeira mulher

"Eva incorporou tanto Porto Alegre, que parecia ser gaúcha desde sempre. Insubstituível, inesquecível e incomparável"
11/02/2018 06:35

Mauro Blankenheim Mauro Blankenheim é publicitário
mauroblankenheim.com.br

De um ponto de vista bem egocêntrico, Eva Sopher reservou para mim um presente bem especial. Numa audição dos anos 1990, me apresentou pessoalmente ao maestro Antonio Carlos Jobim. Motivo de sobra para colocar seu nome emoldurado na parede da minha casa. Eva Sopher foi pioneira em muitos aspectos. Montou um acervo de relacionamentos de fazer inveja a qualquer profissional de CRM ou networking, quando essas expressões ainda não eram triviais como hoje. Adolescente ainda, Eva fugiu para o Brasil. O bicho já tava pegando na Alemanha em 1936, para quem cultuava a estrela de seis pontas. Certamente não imaginava que sua passagem por aqui se justificasse tão consistentemente. Sua humildade e doçura foram as ferramentas que colocou a serviço das marcas que eram a sua cara: o Theatro São Pedro e o Multipalco. Foi mecenas, agente, regente e reagente.

Impulsionou nossa cultura de forma tal que dias depois de seu desaparecimento imaginamos sua efígie imortalizada na fachada do prédio.

Os que forem realmente amigos do Theatro São Pedro certamente vão pensar numa maneira de dar seu nome à casa de espetáculos, como foi batizado o Maracanã: estádio Mário Filho, numa homenagem ao notório jornalista esportivo, irmão de Nelson Rodrigues.

Multipalco, outra de suas imaginativas criações, pode aditar seu nome ad eternum, pois foi da sua cabeça brilhante que ele brotou.

Entre tantas características marcantes, fazia quem quer que travasse contato com ela se sentir uma celebridade, coisa que só os extraordinários permitem.

Dizem que a única coisa que a tirava do sério era receber um não, depois de já ter recebido um sim, no trato com centenas de empresários que cooptou no desenvolvimento de sua obra gigantesca, vital e permanente. Eva Sopher turbinou carreiras, ilustres desconhecidas de início, que tomaram um vulto indelével depois de receberem a sua bênção e o seu apoio incondicional.

Adorava receber todos que fossem ao teatro para assistir algum show ou peça, no hall de entrada e depois no foyer em alguma confraternização. Apertava a mão de todos indistintamente, como se os recebesse na porta de sua casa, o que em última análise não deixava de ser verdade, tal o seu grau de entrega e vitalícia dedicação aos empreendimentos.

Eva Sopher era e é um nome respeitadíssimo não só aqui como no centro do País, tambor repercutidor cultural da nação. Uma palavra sua era um cheque assinado pelo gerente do banco, aqui para os nossos artistas, bem como na cena artística principal da nação, e todos sabemos como é importante um cheque abonado para a classe artística.

Eva incorporou tanto Porto Alegre, que parecia ser gaúcha desde sempre. Insubstituível, inesquecível e incomparável. A cortina se fecha, mas todos os atos ficarão para sempre na nossa alma e no nosso coração.


Jornal NH
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