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26 de Junho de 2012 - 07h04

O Meu Espelho

Por Nathalia Maynart Cadó

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Fui ao mercado e conheci pessoalmente Alceu Feijó, jornalista, fotógrafo e pai do meu professor de Sociologia. Leitor fiel de meus textos, elogiou-os e fez uma pergunta que jamais haviam me perguntado. Consequentemente, eu nunca respondera:

- Quem te ensinou a escrever?

            Respondi sem pensar:

- Minha mãe. Ela é professora de Literatura.

            Trocamos mais algumas palavras. Dei um tchau e fui comprar o que deveria, afinal, vamos a um mercado quando precisamos de comida, normalmente.

            Então fiquei pensando na resposta que havia dado a ele. Na verdade, quando respondi a pergunta, não estava me referindo a quem sentou ao meu lado e me ensinou o alfabeto. E creio também que não era isso o que Alceu queria saber.

            Quem me ensinou a escrever e me deixou apaixonada por este verbo, foi mamãe.
            Tive professores maravilhosos, que, ao decorrer do meu histórico escolar, aperfeiçoaram minha escrita e me deram dicas maravilhosas (jamais irei esquecê-las), das quais trato como o meu diamante. Porém, minha mãe foi a peça fundamental para eu gostar de escrever. Desde cedo, me fez conviver com livros, mostrando o mundo mágico das palavras. Cresci vendo-a ler tanto, corrigir tantas provas de alunos, e escrever de um jeito tão bonito e bem estruturado... Vou me sentir a gênia o dia que chegar perto. Se não fosse minha mãe, obviamente eu não estaria aqui. A escrita, hoje, é o sentimento que corre em meu sangue, meu esconderijo quando não estou bem e quando estou feliz; onde coloco o que sinto para fora. Foi ela, mãe, que me deu apoio para seguir com meus textos: desde aqueles contos de princesa, castelo e bruxa que eu escrevia quando criança, como os artigos de hoje, os quais jamais publico antes da opinião e correção dela.

            Mãe, sei que deve estar achando um exagero tudo o que escrevi até agora. Isso é quase nada! Obrigada por me ensinar a amar tanto a escrita. Sem ela, eu não teria tanto amor por meus textos, eu teria amor pelo quê?

            Fazia em média uma hora que chegara do mercado. Fui direto colocar o meu pensamento em prática, transformar em crônica a resposta imediata que dei. É tão engraçado! Uma simples frase me fez refletir sobre tudo isso, sobre aquela pessoa que soube me indicar o que realmente amo fazer. Acertou em cheio.

            Mamãe, meu espelho. Não consigo me cansar de enxergar teu reflexo nele.

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