

Enviar por e-mailAntes, uma advertência: esse texto é baseado em fatos reais. Se você não estiver interessado em realidade, por que diabos então está lendo um jornal?
Serei direto: há mais ou menos um mês, eu quase fui atropelado. Atravessava a Rua General Osório, na faixa de segurança e com a sinaleira de pedestre no verde (vermelha para os carros, portanto), quando uma morena com o cabelo preso e dirigindo um Fiesta preto decidiu que a minha vida não valia grande coisa (como terá ela descoberto isso?) e deu uma aceleradinha. Pressenti que seria atropelado e dei um salto para trás. Por pouco, muito pouco, não viro carne moída de segunda. Mas daí você deve estar pensando: “Grande coisa! Isso acontece todos os dias nas nossas cidades de tantos maus motoristas”. Calma, que a história não termina aqui.
Três semanas depois, eu estava novamente caminhando na General Osório quando quase fui atropelado novamente. Desta vez por um carro que saía de ré da garagem de uma casa. Eu estava na calçada, mas a motorista ignorou esse pequeno detalhe. Novamente pressenti o que estava para acontecer e consegui dar um salto, só que agora para frente. Evitei assim o “sinistro” (curioso termo que as companhias de seguros usam para se referir às ocorrências de trânsito). Já adivinhou quem era a motorista? Isso mesmo: uma morena com o cabelo preso e dirigindo um Fiesta preto. Dois a zero para mim, por enquanto.
Será que foi apenas uma coincidência do nosso trânsito louco? Será que a motorista tirou a carteira pelo Twitter? Será que eu estou na mira de uma assassina profissional especializada em matar usando um carro 1.0 flex? Ou será que devo tentar a sorte no salto triplo nos Jogos de Londres? Dúvidas ainda sem respostas. Uma coisa, porém, é certa. Se dentro de 14 dias o leitor não encontrar um texto meu neste espaço, já pode especular o motivo: posso ter sido atropelado. E daí ficará fácil imaginar quem estava na direção.
Crônica publicada no Jornal NH do dia 16.4.2012.