

Enviar por e-mailZak Stevens brincou, lá pelo meio de seu show em Porto Alegre, que terça-feira não é um bom dia para shows. Mas, sinceramente, quando o show é bom, não faz a mínima diferença em que dia da semana cai. E a apresentação acústica dos ex-vocalista do Savatage foi mais do que boa. Intimista, mas muito divertido, o show foi um dos melhores dos últimos tempos na cidade.

O público era pequeno, não lotou nem a minúscula pista do Dhomba, mas era fiel. Afinal, a perspectiva era de ver muito de perto uma das grandes vozes do heavy metal, e uma fileira de clássicos de uma das bandas mais respeitadas do gênero. E foi exatamente isso que esses parcos sortudos tiveram. Acompanhado pelo baixista de sua atual banda, Circle II Circle, Mitch Stewart, no violão, do brasileiro Maurício Del Bianco (Soulspell) nos teclados – e de uma caixa cheia de garrafas de Devassa – Zak Stevens mostrou uma baita presença de palco, mesmo quando sentado no banquinho, uma voz incrível, e um bom humor e simpatia quase incomparáveis.
Foram só três músicas de sua atual banda, bem recepcionadas pelos fãs. Mas não se compara a reação causada pelas canções do Savatage. A dobradinha The Ocean e Welcome abriu a apresentação, seguida de Take Back Yesterday (CIIC) e Watching You Fall. Mas a quadra seguinte é que foi responsável pelo primeiro delírio geral da noite. Começou com Edge Of Thorns, monstruosa, em grande versão, seguida das lindas Believe e All That I Bleed – que arrancaram muitos suspiros - e terminou com a poderosa A Handfull Of Rain.

A noite também teve uma meia-surpresa – a internet praticamente acabou com set lists desconhecidos – com a execução de Desiree, um lado B do Savatage. Essa só os mais fanáticos cantaram, ao contrário de outros clássicos entoados como hinos: Gutter Ballet ficou incrível, com Maurício e Zak Stevens alternando os vocais, como o vocalista fazia com Jon Oliva nos tempos de Savatage e Sleep ficou linda.

Tudo isso era alternado por diálogos do vocalista com seus fãs, que iam da brincadeira com o nome da cerveja, a corneta em Stewart por só beber Jäggermeister ou por não saber como mexer no teclado, a tentativa de falar algumas palavras em português, além de posar para fotos no meio das canções. Mas o mais importante de tudo: Zak Stevens manteve a voz impecável em todo o show. Ao final, todos voltaram para a pista para tirar fotos, dar autógrafos e conversar com os fãs, coisa muito rara e que sempre conta pontos. Agora é esperar que, como prometeu, ele realmente volte à Porto Alegre com o Circle II Circle. Ou, quem sabe, com o Savatage?