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Modos de ser e estar

Todas as formas de amor

Amorosidade tem faltado. Ternura ainda mais... Porém, sempre é tempo de resgatar a suavidade dos afetos alegres....

Milton Nascimento já cantou lindamente que “qualquer maneira de amor vale à pena, qualquer maneira de amor vale amar” na música Paula e Bebeto. Adoro o Milton e, espero realmente, que muita gente ainda escute, verdadeiramente, esta dança das palavras. Todos acham lindo o amor romântico. Não há quem não tenha se apaixonado e também sofrido (algumas vezes esta dor até pode ser boa ou bonita), mas é preciso pensar o amor em todas as suas formas. Para além dos casais hétero e homossexuais.

Atos e discursos de ódio, rancor e muita rivalidade é o que mais tem atingido e violentado diariamente às famílias, os colegas de trabalho, os casais e diferentes relações entre as pessoas e, principalmente a si mesmo. O ressentimento, por exemplo, é tóxico o suficiente para gerar um autoenvenenamento mortal. Sabe-se que a raiva consome quem a alimenta, pois ela é o troco que devolve na mesma moeda tudo aquilo que foi recebido.

Amorosidade tem faltado. Ternura ainda mais... Porém, sempre é tempo de resgatar a suavidade dos afetos alegres, que podem ser todos aqueles que nos potencializam, que afirmam a vida e que nos colocam a viver à altura do que nos acontece, como se pode aprender com o filósofo Nietzsche e tantos outros. Mas não só com eles. Aprende-se carinho, recebendo. Aprende-se afeto quando alguém vai se tornando um sujeito que precisa e merece zelo, cuidado, dedicação. Constrói-se vínculo se apegando ao outro e criando intimidade. Para isto, é preciso aceitá-lo este outro como ele é entre diferenças e semelhanças. Aprende-se respeito praticando a aceitação e a lealdade.

O amor dos namorados é deslumbrante de comemorar com prazer e diversão (quando isto está contido na relação). Mas não se pode deixar de lado todas as outras maneiras de amar. Gente é todo sujeito que se percebe afetuoso e vive disto. E não apenas sobrevive.

Brincantes e alegres

Você já pensou porque existem mais pesquisas e artigos sobre depressão, pânico e transtornos de ansiedade do que sobre a alegria? Que relações têm estes assuntos? Este foi o desassossego do início da semana passada....

Você já pensou porque existem mais pesquisas e artigos sobre depressão, pânico e transtornos de ansiedade do que sobre a alegria? Que relações têm estes assuntos? Este foi o desassossego do início da semana passada quando assisti ao documentário “Tarja Branca” durante o lançamento da 2ª Semana Municipal do Brincar de Novo Hamburgo. A atividade, que integra as comemorações acerca do Dia Mundial de Brincar, segue até o dia 31 envolvendo a participação de escolas públicas e privadas, empresas, clubes e associações. Com o tema “Ruas Para Brincar” a proposta não se dirige somente às crianças, mas as diferentes gerações como forma de estimular o convívio e a ocupação dos espaços públicos.

Mas qual é mesmo o sentido que o brincar tem em uma sociedade que apenas valoriza o que rende e dá lucro? Foi lembrando do elástico no recreio da escola, da sapata, do pega-pega, de jogar caçador e tantas outras brincadeiras, que não pude deixar de pensar que a necessidade de brincar com a vida vai para além da infância. O desejo de brincar está na cultura humana e toda criança que brinca tem um olhar que reaprende o que é a humanidade.

Saí do cinema lembrando de uma foto de quando eu tinha uns 5 anos (tal como meu filho hoje). Uma imagem que nunca sai de mim, mas que sempre gosto de olhar. Uma menina sorridente encantada por descobrir sua primeira bicicleta, embaixo de um lençol, escondida pelo pai na sala de casa em um domingo pela manhã. Uma das imagens que mais gosto por me fazer nunca esquecer da infância que me povoa até hoje. Que me faz ser quem sou como mulher, mãe e psicóloga que sai em defesa da “tarja branca” frente os “tarja preta”.

Manoel de Barros já nos disse que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós. Obrigada Manoel!

Mães de todos os tipos

...uma das minhas configurações atuais é a mãe guardanapo. Já imaginou? Quando menos espero tem uma boca sendo limpa em mim, no meu braço, na minha mão, na minha blusa, na minha bochecha com um beijo disfarçando a travessura..

Existem vários tipos de mães mas, no fundo, são todas meio parecidas... Todo mundo já conhece a famosa mãe polvo. Aquela que tem múltiplos braços para realizar todas as tarefas que estão ao seu alcance e que não estão também. Sempre se consegue juntar ou pegar algo a mais. Quem já não tem os braços suficientemente alongados pelas exigências da vida, começa a exercitá-los logo no início da maternidade.

Mas uma das minhas configurações atuais é a mãe guardanapo. Já imaginou? Quando menos espero tem uma boca sendo limpa em mim, no meu braço, na minha mão, na minha blusa, na minha bochecha com um beijo disfarçando a travessura. Não vejo isto como falta de respeito, mas justamente, como uma oportunidade de educar e de perceber o contato físico e afetivo.

Quando pensei em algumas destas palavras, estava sendo uma mãe cobertor. Na última semana fui beijar meu filho na sua cama enquanto ainda dormia, antes de sair. Abaixei-me, senti seu cheiro, seu calor, sua pele, sua respiração. Ao me levantar, uma mãozinha me enlaçou entre seu braço e seu corpo e me transformou imediatamente. A mãe cobertor é aquela que esquenta e acalenta. Ali fiquei, imóvel. Sentindo tudo e querendo que o mundo parasse. Todos os fantasmas, meus e dele, foram embora do quarto e permanecemos por um tempo, aconchegados como se fossemos um só.

A mãe inventora tem a maior capacidade de criar oportunidades para lidar com as situações mais inusitadas. Mas isto não é mágica. É treino. Depois de cair em muitas ciladas (todas aquelas que se acha que já sabe antes de ter filho) que fazem você ser politicamente correta jurando que estava preparada para acertar. A mãe inventora opta pela habilidade de compor com o seu entorno, com a experiência e com a sorte. Inventar histórias e criar situações, não para enrolar, mas para envolver é seu maior talento. Na grande maioria das vezes dá certo.

São todos nossos filhos

É muito possível prevenir sofrimentos e adoecimentos que podem se agravar em um futuro próximo com a atenção e proteção pertinentes, a busca pelo entendimento, a tolerância e a prudência indispensável para cultivar relações humanas mais resistentes e sujeitos mais resilientes. .

Muito se falou, nas últimas semanas, sobre o Desafio da Baleia Azul e sobre a série da Netflix chamada 13 Reasons Why (“Os 13 Porquês”), oportunizando diálogos entre as famílias, professores, profissionais da área psi e pessoas que tratam com a devida importância estas questões tão caras a uma sociedade. Certamente, ganhamos todos com este debate, pois a necessidade de conversar e se comunicar mais e melhor está clara e podendo, em alguma medida, acontecer. Talvez, não seja preciso deixar situações desta relevância tomarem uma proporção tão assustadora e fragilizante para conseguir olhar verdadeiramente e escutar o que as crianças e os adolescentes estão querendo dizer.

É muito possível prevenir sofrimentos e adoecimentos que podem se agravar em um futuro próximo com a atenção e proteção pertinentes, a busca pelo entendimento, a tolerância e a prudência indispensável para cultivar relações humanas mais resistentes e sujeitos mais resilientes. Para que as pessoas se desenvolvam com uma saúde mental suficientemente boa é necessário investir nas relações primárias que se baseiam em vínculos afetivos que promovem cuidados, segurança e confiança. Isto se dá, fundamentalmente, através das relações familiares e com os adultos que se relacionam e zelam pela infância. Mas, quando a adolescência chega, este processo ainda não terminou. Os jovens precisam muito dos pais, avós, tios, tias, professores, professoras, amigos e amigas que estão ao seu lado e que demonstram percebê-los realmente.

Tudo isto demanda o desejo genuíno por esta conexão, tempo para que isto aconteça (e não só qualidade de duração escassa) e muito afeto para compartilhar. Eis um norte de algo que não tem receita, mas que se exercita mutuamente na magia e na beleza da convivência e dos aconchegos da alma que sustentam o humano.

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