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Modos de ser e estar

Corações reciclados

Foi numa certa segunda-feira pela manhã (cinza e meio triste) que o Inácio se aproximou quando já estávamos dentro do carro saindo do lugar. Inácio veio nos contando que estava com dor no coração e paramos imediatamente o veículo que já saía andando....

Todas as semanas, eu e meu filho Vicente, levamos o lixo (que de lixo não tem nada) para ser reciclado na usina perto de casa. É assim, reaproveitando, que vamos sendo apresentados a tudo que pode ser reutilizado para o bem do planeta. Nosso bem. O pequeno lembra, toda vez, que seus chinelos arrebentados hoje devem ser outra coisa, mesmo sem saber exatamente o que. Lá, no Catavida, também trabalham pessoas que, aos poucos, estamos conhecendo. E que, ao catar vidas pela cidade, nos encontraram.

Foi numa certa segunda-feira pela manhã (cinza e meio triste) que o Inácio se aproximou quando já estávamos dentro do carro saindo do lugar. Inácio veio nos contando que estava com dor no coração e paramos imediatamente o veículo que já saía andando, como muitas vezes arrancamos no piloto quase automático da rotina semanal da vida apressada que levamos todos. Inácio nos surpreendeu ao falar do seu coração e suas dores, assim, tão espontaneamente. E nos parou, sem qualquer vacilo. Não havia nada mais importante do que escutá-lo e saber o que tinha para compartilhar com a gente.

Após algumas trocas de palavras e afetos, rimos um pouco quando chegamos juntos a conclusão de que as dores do coração também podem ser belas e recicladas. Que nada como uma segunda-feira após a outra para reaproveitar as experiências que a vida nos proporciona e que não devem jamais ser colocadas na lata do lixo. Devem ser recicladas para o nosso bem e do planeta também. Todo mundo ganha com isto... conhecimento, discernimento, tarimba, prudência, renovação, transformação, vida reciclada...

E é assim, que acredito que seja ensinar para uma criança e reaprender sempre, o que é viver. Agradeço ao Inácio e a todos os seus colegas a gentileza que sempre nos recebem, pelos sorrisos e doses de boas palavras que fazem com que saiamos dalí para a vida reciclados e de coração mais abrandado e feliz.

Dicotomias e tolerâncias

Numa sociedade que apresenta inúmeras resistências em relação às maneiras de fazer políticas públicas que funcionam para a maioria da população, a tentativa de não polarizar entre direita e esquerda para avançar, faz pensar formas mais concretas de efetivar melhorias na vida de todos (todos mesmo) e não somente de alguns..

Tenho escutado algumas pessoas falando sobre as dicotomias de pensamentos e posicionamentos frente a realidade. Em tempos de guerra à alteridade, ódios e rancores, linchamentos on e off line, tenho um desejo que me atrai muito que é pensar tudo aquilo que não precisa chegar aos extremos. Achar maneiras de escutar (leia-se compreender) o outro com a capacidade de ouvir o diferente. Suportar o que não é igual ao que se pensa. Procurar condições de respeitar o outro sem menosprezar, sem ridicularizar, sem crucificar, sem achar que o sujeito é automaticamente canalha por não pensar da mesma maneira, pode ser um caminho mais coerente e aberto à diversidade.

Escutei a Ilona Szabó, especialista em segurança pública e política de drogas e diretora do Instituto Igarapé, falando sobre estas questões de maneira a buscar novas práticas nas áreas em que atua. Numa sociedade que apresenta inúmeras resistências em relação às maneiras de fazer políticas públicas que funcionam para a maioria da população, a tentativa de não polarizar entre direita e esquerda para avançar, faz pensar formas mais concretas de efetivar melhorias na vida de todos (todos mesmo) e não somente de alguns.

O Denis Burgierman, colunista do Nexo, escreveu nestes dias que o mais importante, no final das contas, é mais o que as pessoas fazem na sua prática cotidiana do que o que elas falam aos sete ventos. A interessantíssima Yasmin Thayná, que também publica no mesmo site, nos auxilia com uma bela reflexão sobre a violência que tanto reclamamos (com razão), porém incluindo a pergunta sobre quais violências nós cometemos e produzimos no mundo.

É preciso priorizar a paz, a tolerância, a garantia de direitos, a diminuição da pobreza e da fome, a justiça social, a inclusão, os modos de viver mais ecológicos e autônomos e outras tantas lutas necessárias e dignas, ao jeito arrogante de olhar para o próprio umbigo.

Instinto de Vida

A campanha Instinto de Vida, que reúne 32 organizações latino-americanas com um cardápio de políticas públicas baseadas em evidências com objetivo de reduzir em 50% os homicídios nos próximos dez anos..

Jamais conseguiria ficar sem escrever sobre determinados assuntos que considero muito caros a todos nós. Não apenas porque estudo e trabalho há bastante tempo com eles, mas porque são questões centrais na complexa sociedade em que vivemos. Na última semana, algumas notícias deram ainda mais visibilidade ao que estamos vivendo em relação a violência. Construir novos presídios remediando a situação já e comprovado que remete à falência dos órgãos e das políticas de segurança.

A América Latina concentra 38% dos assassinatos globais. O problema se concentra em sete países: Brasil, Colômbia, El Salvador, Honduras, Guatemala, México e Venezuela. Só o Brasil responde por pouco mais de 10% dos assassinatos, conforme o Instituto Igarapé que se dedica à integração das agendas da segurança, justiça e desenvolvimento. Articulou-se então a campanha Instinto de Vida, que reúne 32 organizações latino-americanas com um cardápio de políticas públicas baseadas em evidências com objetivo de reduzir em 50% os homicídios nos próximos dez anos. A América Latina é a região mais violenta do mundo e a situação tende a piorar se nada for feito, pois a cada 15 minutos ocorrem quatro homicídios.

O problema é grave e persistente. Projeções realizadas pelo Observatório de Homicídios, deste Instituto, mostram que, ao mesmo tempo em que os homicídios estão se tornando raros em algumas partes do mundo, eles continuam aumentando na América Latina. Homicídios são multi causais e decorrem da acumulação de fatores de risco. Desigualdade social, desemprego e baixa escolaridade são alguns.

Políticas de prevenção e reabilitação, de âmbito local, são necessárias. Investimentos extra nas famílias mais vulneráveis, também. Investir na primeira infância, bem como realizar busca ativa de jovens que abandonaram a escola podem ser alternativas fundamentais para criar mais segurança e menos violência.

Feira Viva e Alegre

Em Novo Hamburgo, temos gente propondo oportunidades bem interessantes para deixar um pouco de lado a aridez e o excesso de seriedade na tentativa de nutrir corpo e alma de maneira a aumentar nossa capacidade de agir no mundo..

A alegria, mais do que um sentimento, é algo que pode nos acontecer ou não. Em um mundo tão produtor de afetos que nos entristecem, podemos tentar provocar bons encontros para preservar e enaltecer a vida. Procurar espaços, tempos, pessoas, eventos, ideias, comidas, bebidas, arte e cultura que nos façam bem, é vital para produzir alegrias em si mesmo e na convivência.

Em Novo Hamburgo, temos gente propondo oportunidades bem interessantes para deixar um pouco de lado a aridez e o excesso de seriedade na tentativa de nutrir corpo e alma de maneira a aumentar nossa capacidade de agir no mundo. Um afeto de alegria, para o filósofo Espinosa, acontece quando nossa potência de ser e agir no mundo se amplia. Isso porque encontramos um “corpo” que combina com o nosso como, por exemplo, o abraço de um grande amigo, a água fresca quando temos sede, a comida quando temos fome, a boa música que nos chega aos ouvidos.

A Feira Viva é isso. Um bom encontro que acontecerá no dia 15 de julho, das 10h às 16h, na Praça da Bandeira, em frente à Biblioteca Pública Municipal. Com atrações culturais locais, vivências de espiritualidade e rodas de conversa, a feira comercializa produtos orgânicos da região como frutas, verduras, lanches, cerveja artesanal e também oferece artesanato e roupas sustentáveis, itens de higiene e limpeza naturais, livros, incensos e coleta de óleo usado e medicamentos vencidos. Além disso, tem a solidariedade, as trocas afetivas, de livros e brinquedos, o consumo consciente, as resistências todas, a busca pela equidade social, pelo respeito à natureza, aos animais e as pessoas como sua aposta em transformar a realidade sempre com muito respeito à diversidade.

Fortalecendo o comércio justo, fazendo bem a todos e ao planeta, sua organização é feita de forma voluntária por quem decidiu levar a ideia para que mais pessoas fossem beneficiadas. Vamos lá?

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