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Modos de ser e estar

Adaptar é preciso

A máxima de Darwin, já bastante popularizada e desgastada, não quer dizer que é o mais forte que sobreviverá, mas, justamente, aquele que terá maior capacidade de adaptação conseguirá melhor resistir. E este entendimento muda muita coisa..

Cada vez mais se pesquisa e se estuda o quanto a capacidade de adaptação dos seres marca sua sobrevivência. Darwin, biólogo e naturalista revolucionou a forma de ver o mundo através da sua Teoria da Evolução das Espécies por seleção natural. Atualmente, valoriza-se muito a capacidade de adaptação das pessoas. A máxima do pesquisador, já bastante popularizada e desgastada, não quer dizer que é o mais forte que sobreviverá, mas, justamente, aquele que terá maior capacidade de adaptação conseguirá melhor resistir. E este entendimento muda muita coisa.
A depressão é um sintoma do mundo contemporâneo, e com ela o desânimo e a dificuldade de persistir acabam prevalecendo. Aqueles que sentem e pensam que não vão conseguir determinadas conquistas podem estar muito enganados, desde que construam um caminho que vai se tornando possível durante o processo de conquista e que exige esforços e capacidade de adaptação. Afinal, nem tudo que se encontra pela frente são pérolas. Há pedras no caminho. Não é a toa que a tolerância é exigida, e com isto a saúde mental passeia por uma montanha-russa moderna.
Na psicologia, muito se fala em desacomodação e mudanças ao olhar para a adaptação como herança de um passado que não permitia uma vida diferente da prevista nas normas estabelecidas. Não se pode perder de vista as exigências que o “habitat” impõem. É preciso se adaptar às situações da vida. Isto significa ter jogo de cintura, flexibilidade, paciência e uma capacidade de aceitação que é longe de ser passiva, mas que também não gera somente revolta e vitimação, como muitas pessoas justificam seus mimimis. Pode-se dizer que estas habilidades têm aparecido pouco nas relações com a família, no trabalho, nas amizades, nas tarefas cotidianas como parar na fila do supermercado, na ida ao banco, no tratar com o marceneiro, no trânsito, no cuidado com o planeta... Adaptar-se não é fácil. Talvez leve milhões de anos para conseguir algumas transformações. Enquanto indivíduos, não temos todo este tempo. Enquanto espécie, também não temos mostrado muitas avanços. Mas precisamos nos empenhar mais para fazer valer esta capacidade que num esforço diário pode-se construir.

Viagem dentro e fora

Mudar costumes e conhecer um pouco mais deste mundão múltiplo e variado o suficiente para nos surpreender a cada novo passo dado em direção ao desconhecido pode ser revigorante e suficiente para recarregar as baterias..

Tenho sempre a necessidade de escrever sobre férias da mesma forma que tenho de usufruí-las. E não poderia ser diferente. Depois de um ano de muitas atividades e compromissos, todos precisam dela! Um povo trabalhador como o nosso precisa descansar o corpo, aliviar a mente para então, se abrir a novas ideias e percepções do mundo, do próprio universo e de si mesmo. Quando se tem a oportunidade de sair de casa e passear por outros lugares esta sensação pode ser potencializada. Mudar costumes e conhecer um pouco mais deste mundão múltiplo e variado o suficiente para nos surpreender a cada novo passo dado em direção ao desconhecido pode ser revigorante e suficiente para recarregar as baterias.
Porém, é possível enxergar somente aquilo que nos é familiar, que nos conforta e que nos redireciona ao que já conhecemos e ao que já somos. Sem mudar esta forma de olhar que nos permite reparar mais, não é possível ver o que um descanso faz o olho alcançar. Podemos ser turistas na potência elevada, não visitando somente os mesmos pontos das rotas percorridas, mas nos percebendo diferentes durante os quilômetros rodados. Numa viagem ou em um passeio, não importando a distância da nossa casa, pode nos fazer voltar outro. Talvez esta seja uma mudança pouco aparente e não tão visível quanto um bronzeado adquirido, uma nova roupa ou souvenir trazido na mala. É uma bagagem que vai aumentando com o grau de abertura que vem de dentro para fora e que exercitamos durante toda a vida, no cotidiano ou naquele tempo onde apenas sonhamos com as férias, mas estamos mesmo é “matando os leões”. É no dia a dia que praticamos tudo aquilo que se intensifica com mais tempo e em outro ritmo durante o recesso de trabalho.
Férias é investir na saúde física e mental. É qualidade de vida. É prevenir adoecimentos e sofrimentos. É a possibilidade de retomar a jornada tendo revisado o percurso alcançado até ali com a distância necessária para mudar a rota, alterar o sentido ou continuar com mais confiança. Os trabalhadores carecem deste tempo. A produtividade e as relações de todo ambiente de trabalho agradecem.

Um ano difícil

Apostar no ano novo é sempre renovar a esperança, é vibrar como uma criança, é não perder a capacidade de se emocionar e retomar a intensidade que vida tem..

Neste momento de compartilhar alegrias, generosidades natalinas, comemorações de fechamentos de ciclos e de ano está difícil escrever ou fazer uma reflexão mais otimista diante da atual conjuntura. De maneira extremamente sofrida 2016 não foi dos melhores, definitivamente. Crises políticas, econômicas, sociais, pessoais se deram intensamente durante os últimos 365 dias. Não foi um período qualquer, nem para os brasileiros, nem para a população mundial.
Muitos direitos conquistados, empregos ou trabalhos, salários, benefícios e garantias têm se perdido devido a manobras arbitrárias, decisões tendenciosas e mau caráter dos governantes. Um panorama bem complicado e pouco esperançoso para quem sonhou e lutou por uma vida com a mínima dignidade. Ou seja, para a maioria esmagadora dos brasileiros. Os trabalhadores do país, aposentados e seus familiares e descendentes têm tido consequências bastante complexas como resultados de todo este pandemônio em que estamos vivendo. Guerras, destruições, desastres tem sido o cotidiano influenciando-nos direta ou indiretamente. Cidadãos inocentes pagam o preço de discórdias das mais diferentes ordens. A violência se dissemina e contamina as relações, o corpo e alma.
É necessário refazer o pacto com toda a paz que pode estar ao nosso alcance. Resolver conflitos de maneiras inéditas, priorizando a escuta do outro, a aceitação e o respeito às diferenças, investindo em alternativas que transformem algumas práticas em outras vivências. Há que se apostar em novos caminhos de ver a vida como o bem maior. Restaurar a ética e as possibilidades de existir de maneira menos opressora. Fortalecer os espaços de diálogos, a capacidade das pessoas exercerem seus protagonismos e de serem autoras das suas próprias histórias fortalecendo o coletivo e não renunciando a ele.
Quanto mais parece que falta tudo isto, mais aparecem novos modos de viver e de se subjetivar para dar conta do mundo e da maneira em como ele vem se transformando. Apostar no ano novo é sempre renovar a esperança, é vibrar como uma criança, é não perder a capacidade de se emocionar e retomar a intensidade que vida tem.

Preparação para Aposentadoria

As poucas certezas de uma vida inteira foram colocadas em xeque e aquela reunião de pessoas foi um exemplo do que toda a população brasileira viveu nestes últimos dias e que poderá modificar os rumos da história da nossa gente com consequências significativas para toda uma nação..

Na última semana realizei, junto com o estagiário de psicologia Gilson Barth, mais uma etapa de um trabalho com algumas pessoas sobre a importância de preparar-se para o momento tão esperado que é a aposentadoria. Não foi uma ocasião fácil! Justamente na semana em que o governo federal enviou à Câmara dos Deputados a proposta de reforma da Previdência. As poucas certezas de uma vida inteira foram colocadas em xeque e aquela reunião de pessoas foi um exemplo do que toda a população brasileira viveu nestes últimos dias e que poderá modificar os rumos da história da nossa gente com consequências significativas para toda uma nação.
Sabemos que o exercício profissional promove impactos, tanto na subjetividade, como na vida de forma geral. Ele tem um lugar central na vida de todos nós. É por isso que sabemos também que o trabalho é constitutivo do sujeito, ou seja, ele diz quem somos e o que fazemos. Não é a toa que as pessoas se apresentam e se reconhecem dizendo o que fazem em suas atividades laborais, identificando-se mais ou menos com o lugar que a tarefa realizada ocupa na sociedade. No entanto, há quem faça contagem regressiva desde os primeiros anos de trabalho colocando toda a expectativa de uma “boa vida” somente para a etapa da aposentadoria e resolve fazer da juventude um acúmulo de bens e investimentos. Ou apenas de muito trabalho sem conseguir, de fato, juntar o necessário para que o restante da vida seja digno o suficiente. E esta já é a realidade!
Não é um período fácil, para quem investiu sua força de trabalho pela vida inteira, realizar esta transição quando chega o tempo de se preparar para receber os benefícios adquiridos. Mas a angústia de se sentir perdendo os direitos conquistados ao longo da trajetória de vida tem fragilizado demasiadamente um povo que trabalha muito mas parece que cada vez mais terá menos retorno. A classe trabalhadora que toca o país com garra e muito suor pode precisar se preparar não apenas quando for se aposentar mas, para arcar com uma dívida que não é sua. Haja força de trabalho, saúde e resistência para todos nós!

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