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Questão de Gênero

Hora de repensar os elogios

Documentário traz para o debate a reflexão sobre a maneira de como os filhos e as filhas são elogiados/as..

Estreou nessa semana o documentário Repense o Elogio, produzido pela Maria Farinha Filmes e dirigido por Estela Renner, que problematiza os elogios. Com muita sensibilidade, o filme mostra como meninos e meninas crescem sendo impactados pelo que escutam de todos nós, uma vez que, enquanto os meninos são elogiados por suas habilidades, os elogios direcionados às meninas são sobre como elas aparentam.

Uma iniciativa da Avon, o filme propõe uma reflexão sobre como meninas e meninos são elogiados de maneira diferente e o impacto que isso pode ter no desenvolvimento deles. "Somos bichos que falam e palavras moldam quem somos. O filme é sobre igualdade de gênero e celebração das diferenças", disse Renner na pré-estreia do documentário. "Não é uma aula, uma imposição, mas uma reflexão por meio dos pensamentos das pessoas."

O documentário dá voz a adultos, crianças e adolescentes – entre elas, algumas conhecidas e porta-vozes de uma nova geração, como a cantora MC Soffia e as youtubers Carol Santina e Natália Correa. Foram entrevistadas mais de 80 pessoas nas cidades de São Paulo, Curitiba, Piracicaba, Santos e Recife em uma produção que durou 10 meses. Assista abaixo ao trailer:

Cerca de 80% dos termos utilizados pelos adultos para elogiar meninas têm relação com aparência e atributos físicos, como “linda”, “princesa” e “bonita”. Essas palavras são a expressão de uma cultura que acredita que elas precisam ser vaidosas, delicadas, emotivas, quietas, que devem usar roupas cor-de-rosa e fazer o serviço de casa, mas não podem praticar esportes ou desenvolver atividades consideradas “masculinas”.

Por outro lado, 70% dos elogios direcionados aos meninos são ligados as suas habilidades, como “esperto”, “inteligente” e “corajoso”. A sociedade espera que eles sejam heróis, fortes, racionais, que salvem e protejam as princesas e nunca expressem os seus sentimentos.

Sendo assim, o documentário Repense o Elogio é um convite para pensarmos: até que ponto estes adjetivos aprisionam o verdadeiro ser de cada um? Este é um filme que reflete sobre o poder das palavras e da cultura que trouxe este desequilíbrio tão profundo na forma que elogiamos os meninos e as meninas. Por isso, acredita-se que o que se diz às meninas hoje, influencia quem elas serão amanhã.

Comunicado urgente para pais e mães

O que a publicação da Omo nos convoca a pensar e o que as reações polêmicas em torno da campanha podem nos revelar..

Quase uma semana depois de uma postagem no Facebook em sua página oficial, a publicação da marca de sabão em pó Omo referente ao Dia das Crianças ainda causa polêmica, principalmente na internet. Com cerca de 562 mil visualizações, 2.554 compartilhamentos e 11 mil comentários, o post possui, até as 20h deste sábado, 13 de outubro, em torno de 26 mil reações, sendo destes: 17 mil Grr - 5,6 mil Amei - 4,1 mil Curtir - 150 Triste - 106 Haha - 28 Uau.

Com o título de “COMUNICADO URGENTE PARA PAIS E MÃES”, a publicação afirmava que a Omo convoca pais e mães a fazerem recall de todas as brincadeiras que reforcem clichês sobre gênero. A principal crítica à campanha foi a de que a marca nacionalmente conhecida estava promovendo a chamada “Ideologia de Gênero” e querendo influenciar como pais e mães deveriam criar seus filhos e suas filhas.

Meninas podem, sim, se divertir com minicozinha, miniaspirador e minilavanderia, mas também podem ter acesso a fantasias de super-heróis, carrinhos velozes e dinossauros assustadores. E meninos também devem ter toda a liberdade para brincar de casinha, trocar fraldas de bonecas e ter uma incrível coleção de panelinhas.” diz parte do texto da publicação.

Algumas personalidades da mídia têm se posicionado em relação à campanha, muitas surpreendendo seus fãs pelos comentários extremistas e radicais. Porém, no cenário de intolerância em que vivemos atualmente, faz-se de fundamental importância o posicionamento de marcas para a reafirmação ao combate contra todo tipo de LGBTfobia, machismo e racismo.

Porque mais importante do que o brinquedo é a brincadeira, a participação dos pais nesse processo e os momentos que vão marcar a vida delas para sempre. Junte-se à OMO na campanha pelo direito de toda criança de se sujar e brincar livremente. Compartilhe seus #MomentosQueMarcam ao longo da semana com a gente. Não deixe o Dia das Crianças passar em branco.”, finaliza o post.

E no dia 11 de outubro, véspera do Dia das Crianças e após o início de toda a polêmica, a página do Omo no Facebook reiterou a campanha publicando novo post, que já teve, também até as 20h deste sábado, 13 de outubro, cerca de 78 mil visualizações, 291 compartilhamentos e 5,6 mil comentários, além de 9,8 mil reações, sendo destas 5,7 Grr - 2,9 mil Amei - 1,4 mil Curtir - 57 Haha - 34 Triste - 6 Uau.

Mais do que julgar ou não o posicionamento da marca Omo sobre o fim das brincadeiras que reforçam os clichês de gênero entre meninos e meninas, é importante pensar sobre o que essas reações nos dizem. Na publicação da campanha no Facebook no dia 7 de outubro, 64% das reações indicaram uma posição negativa referente ao seu conteúdo, mostrando uma insatisfação dos usuários com a campanha.

Juntamente a isso, comentários atacando a empresa e convocando os demais usuários da rede social para um “boicote” organizado nos permitem refletir para além do poder de uma postagem virtual, mas também o quanto ainda precisamos debater esses temas – como brincadeiras estereotipadas em gêneros – em todos os âmbitos, seja o educacional ou o familiar, e o que o medo dessa discussão significa para os mais conservadores.

Recortes do Senado - Setembro

Questões relacionadas com gênero e sexualidade em leis e projetos do Senado Federal para todos e todas ficarem sabendo..

A página do Senado Federal brasileiro no Facebook, atualizada diariamente, divulga informações, leis e projetos de leis de interesse da população que tramitam e tramitaram no Congresso. Como muitas dessas postagens envolvem as questões de gênero e sexualidade, mensalmente o blog QUESTÃO DE GÊNERO publica um recorte dessas publicações por meio de imagens, links e textos. Abaixo, seguem as publicações de setembro de 2017.

1 – Pensão Alimentícia: O Código Civil diz que "sendo várias as pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem concorrer na proporção dos respectivos recursos, e, intentada ação contra uma delas, poderão as demais ser chamadas a integrar a lide."

2 – Tipo de crime: Estupro? Contravenção penal? Ou outra coisa? A polêmica em torno do caso do homem que ejaculou sobre uma mulher em São Paulo motivou a apresentação do PLS 310/2017. O objetivo é especificar esse tipo de crime claramente no Código Penal, para que não haja dúvidas sobre seu enquadramento.

3 – Trabalhadoras grávidas: É vedada a demissão de empregada grávida sem justa causa de acordo com o art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal/88. Mesmo na hipótese de admissão mediante contrato por tempo determinado, ou se a gravidez for confirmada durante o aviso prévio, é garantida à gestante estabilidade provisória.

4 – Licença paternidade: A licença-paternidade de até 20 dias está na Lei 13.257/2016. Vale lembrar que a licença de 20 dias vale para quem trabalha em firmas cadastradas no programa Empresa Cidadã. Se aquela em que você trabalha ainda não faz parte, mostre para ela as vantagens.

5 – Nomes de tratamento: Projeto proíbe uso de pronomes como "excelência" e "doutor" para falar com autoridades.

6 – Salários iguais: Deve haver multa para empresa que pagar salários diferentes a homens e mulheres?

7 – Saúde da mulher: O objetivo é auxiliar as que não puderam se consultar ou fazer os exames preventivos, por enfrentar dificuldades sociais, geográficas ou culturais, a mantê-los em dia. O projeto ainda precisa ser votado pelo Plenário do Senado.

8 – Assédio sexual: A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou dois projetos que visam combater o assédio sexual em transportes públicos. Um deles tipifica o crime de constrangimento ofensivo ao pudor, e outro, o crime de molestamento. Os projetos agora devem seguir para a Câmara dos Deputados.

Atenção ao Setembro Amarelo

11 mil pessoas se suicidam todos os anos no Brasil, sendo a taxa entre os homens quatro vezes maior que entre as mulheres..

O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio foi em 10 de setembro, mas o mês todo está sendo dedicado à prevenção ao ato de suicidar-se. De acordo com o primeiro boletim epidemiológico sobre suicídio, divulgado há poucos dias pelo Ministério da Saúde, entre os anos de 2011 e 2016, cerca de 62.804 pessoas tiraram suas próprias vidas no país, sendo que 79% delas são homens e 21% são mulheres.

Mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida por ano no mundo. Por isso, em 2013, a Organização Mundial da Saúde desenvolveu um plano de ações em saúde mental no intuito de reduzir em 10% da taxa de suicídio até 2020. Os casos acontecem em quase todo país, mas a Região Sul concentrou 23% dos suicídios entre 2010 e 2015.

As questões de gênero permeiam fortemente o debate acerca do suicídio. Abaixo, alguns dados divulgados pelo Ministério da Saúde no boletim epidemiológico sobre suicídio:

  • No mundo, mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida por ano, sendo o suicídio a segunda maior causa de mortes dentre jovens de 15 a 29 anos.
  • Já no Brasil, 11 mil pessoas tiram a própria vida, por ano, em média, sendo a quarta maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.
  • Brasil registrou aumento de 11,9% no número de óbitos entre 2011 e 2015.
  • As principais causas de morte na idade de 15-29 anos entre homens são agressões, acidentes de transporte e lesões autoprovocadas voluntariamente.
  • Entre as mulheres na mesma faixa etária, as principais causas de morte são gravidez, parto e paupério, acidentes de transporte, agressões e lesões autoprovocadas voluntariamente.
  • A maioria das tentativas de suicídio é entre as mulheres, que representam 69% das tentativas.
  • Envenenamentos ou intoxicação são os principais meios utilizados na tentativa de suicídio, seguido de utilização de objeto pérfuro-cortante e enforcamento.
  • Mulheres são mais reincidentes na tentativa de suicídio.
  • Homens morrem mais por suicídio, representando 79% das mortes.
  • Taxa de mortalidade entre homens é 3,6 vezes maior do que entre as mulheres.

Quanto ao risco de suicídio, entre os fatores estão os transtornos mentais, como a depressão, o alcoolismo e a esquizofrenia; as questões sociodemográficas, como o isolamento social; os psicológicos, como as perdas recentes; e as condições clínicas incapacitantes, como as lesões desfigurantes, a dor crônica e as neoplasias malignas. No entanto, destaca-se que tais aspectos não podem ser considerados de forma isolada e cada caso deve ser tratado no Sistema Único de Saúde conforme um projeto terapêutico individual.

Confira alguns materiais divulgados pelo Ministério da Saúde: Cartilha com dicas para jornalistas de como abordar o tema aqui; Cartilha com dicas para população de como identificar sinais de alerta em pessoas que estão pensando em suicídio aqui; Perfil Epidemiológico das tentativas e óbitos por suicídio no Brasil e a rede de atenção à saúde aqui; Agenda de Ações Estratégicas para a Vigilância e Prevenção do Suicídio e Promoção da Saúde do Brasil aqui; e Cartilha com dicas para os profissionais de saúde sobre a importância da notificação correta do suicídio aqui.

O Ministério da Saúde, desde 2015, tem uma parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV), que começou com um projeto-piloto no Rio Grande do Sul. O CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail, chat e voip 24 horas todos os dias.

O objetivo da parceria é ampliar gradualmente a gratuidade de ligações para o CVV, mesmo que por celular, por meio do número 188. Além do Rio Grande do Sul, a partir de 1º de outubro, pessoas de mais oito estados poderão ligar gratuitamente para o serviço: Acre, Amapá, Mato Grosso do Sul, Piauí, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Rondônia e Roraima.

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