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Questão de Gênero

Um outro olhar para a Diversidade

Série de cinco capítulos sobre diversidade produzida pelo site mineiro de cultura, entretenimento e música Vai Ali..

O site Vai Ali, de Juiz de Fora, em Minas Gerais, denomina-se um canal multiconteúdo e acredita que, hoje em dia, ser uma coisa só não está com nada. “Na moda, na profissão, na hora de se divertir existem várias possibilidades e isso vale também para o amor”, afirmam. No site é possível encontrar dicas de baladas, festas, eventos culturais, os melhores filmes para assistir ou aquele livro que merece estar na sua estante.

A equipe do Vai Ali abraça a diversidade e, por isso, apresentam uma série divida em cinco episódios para falar de temas divertidos, mas também querem ter uma conversa séria. "Vamos falar de direitos e vamos falar, SIM, de amor. Entrevistas, informações e muito conteúdo sobre quem deixa nossa vida muito mais colorida", destacam. Assista abaixo ao teaser da série:

Nesta semana, de 14 a 18 de agosto, foi ao ar no canal do site no YouTube um capítulo por dia da série "Diversidade: um outro olhar", que conta com apresentação de Bruno Bomtempo, roteiro e produção de Nange Sá, direção de fotografia, montagem e finalização de Rodrigo Ferreira e animações de Anna Carolina Miranda. A seguir, links e sinopses de cada episódio:

Episódio 1

Falar sobre sexualidade é a chave para desenvolver o pensamento social das pessoas. Somos seres diversos e convivemos em uma sociedade que ainda considera a identidade de gênero um tabu. No primeiro episódio da série “Diversidade: um outro olhar”, vamos falar um pouco sobre a realidade de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais e a busca por representatividade e pelos direitos LGBT.

Episódio 2

Identidade de gênero é o modo como o indivíduo se reconhece, que pode ser homem, mulher, ambos ou nenhum dos gêneros. O que determina essa identificação é a maneira como a pessoa se sente ou se percebe na sociedade, independente do gênero que lhe foi atribuído no nascimento. Identidade de gênero não tem nada a ver com sexo ou atração sexual.

Episódio 3

O crime de homofobia ainda é muito presente na nossa cultura. Infelizmente, o número de casos de agressões, xingamentos, insultos e até morte de homossexuais e transgêneros é muito grande e cresce a cada dia - não só no Brasil. Está na hora de falarmos mais abertamente sobre esse assunto e dar um basta nesse comportamento tão hostil e desnecessário. Neste episódio, falamos sobre preconceito. Mas antes de qualquer coisa, abra a sua mente e o seu coração para a #diversidade.

Episódio 4

Quem não gosta de uma boa festa, hein?! Melhor ainda é quando rolam aquelas baladas em que você pode interagir, socializar e criar uma experiência inesquecível. Nesse quesito as festas LGBT são um prato cheio pra quem busca diversão, gente feliz e muita lacração. A série mostra, neste episódio, como é o mercado de festas temáticas em Juiz de Fora.

Episódio 5

O último episódio da série fala sobre um evento tradicional e de grande importância para Juiz de Fora: o Miss Brasil Gay. A competição, que nasceu em 1976, é reconhecida nacionalmente e registrada como patrimônio imaterial do município desde 2007. Além disso, o Miss Gay é responsável por fomentar as discussões sobre os direitos LGBT no Brasil.

O gênero dos jogos online

Entrevista com a professora Liliane Prestes sobre os jogos online e suas reafirmações da desigualdade e dos estereótipos de gênero..

Ao pesquisar por “jogos online” em sites de busca, um dos primeiros a aparecer apresenta o seguinte slogan: “Jogos online grátis: jogos de carros, futebol, motos, ação, aventura, jogos de meninas e muito mais!”. Então nos deparamos com uma categoria de jogos online bastante interessante para debatermos as questões de gênero: os ditos “jogos para meninas”.

O blog QUESTÃO DE GÊNERO entrevistou a professora e pedagoga Liliane Madruga Prestes, Mestre em Educação nas Ciências pela UNIJUI e Doutora em Educação pela UFRGS, cuja tese, “Enredadas na rede: jogos para crianças (re) produzindo relações desiguais de gênero”, investiga os conteúdos veiculados em sites de jogos que se autodeclaram como voltados ao público infantil, especialmente os direcionados para meninas.

Para sua pesquisa, a professora se utilizou dos conteúdos do site Click Jogos, um dos mais famosos de jogos online, cuja seção Jogos de Meninas apresenta tópicos como bebês, celebridades, cozinha, decoração, manicure, maquiagem, moda e noivas. A própria seção do site destaca: “Os melhores jogos de meninas online, 100% grátis. Jogue os mais populares jogos de vestir roupas, maquiar, fazer as unhas e cuidar de animais da internet”.

Liliane afirma que, em primeiro lugar, precisa-se delimitar o que estamos definindo por gênero para que possamos subsidiar o debate sobre tal temática. “Justifico tal posicionamento, pois, enfocar as relações de gênero que circulam na rede, em particular, nos sites de jogos, requer compreendermos que, conforme evidencia Joan Scott (1995), gênero consiste em um modo primeiro de significar as relações de poder”.

Segundo a professora, “ao analisarmos tal divisão, chamo a atenção para dois pontos: o primeiro se refere à propagação do binarismo que coloca em evidência uma determinada feminilidade tida como padrão e que determina modos de ser menina incluindo como estética corporal e comportamentos”. O segundo ponto, de acordo com Liliane, é o quanto tal divisão também funciona como um mecanismo de disciplinamento e vigilância. “Ao definir os jogos "de menina", acaba também por demarcar o que não é jogo “de menino", ou seja, as escolhas são direcionadas a partir de uma heteronormatividade”.

Destacamos aqui o jogo chamado Plastic Surgery, em que “Por questões médicas, uma garota será submetida a uma cirurgia de lipoaspiração e você será a pessoa responsável por conduzir o procedimento”. Abaixo, observe os passos do jogo, em que a menina que joga deve demarcar o local da cirurgia, aplicar anestesia, cortar a pele, sugar a gordura e colocar ataduras para ter o resultado considerado ideal:

Para exemplificar como funcionam as estratégias de disciplinamento, em particular, das meninas, podemos citar como exemplo o texto introdutório do jogo Girl Makeover 3, cuja descrição apresenta: “Realize uma transformação radical no visual de uma garota desleixada, mudando seu corte de cabelo, sua roupa e sua maquiagem. Assim ela ficará gatinha e pronta para arrasar em qualquer lugar”.

Liliane destaca que “tal descrição mostra o quanto aquelas meninas que não se pautam pelos padrões estéticos para o gênero feminino são rotuladas de desleixadas, que no texto está associada à ideia de descuido com a aparência pelo simples fato de não se render a esses padrões”. Neste sentido, o corpo feminino parece ser feito para exibição e, nesta lógica apresentada pelo jogo, deverá ser produzido a fim de “arrasar em qualquer lugar”.

De acordo com Guacira Lopes Louro (2004), problematizarmos tais representações requer compreender que os corpos são significados pela cultura e são, continuamente, por ela alterados. Portanto, os jogos acabam por tornar as meninas mais consumistas, preocupadas com a aparência e o peso, assim como na obrigação de saber cozinhar bem e cuidar de bebês.

"Os jogos de menina colocam em evidência determinados padrões de beleza e de feminilidade, os quais passam a ser naturalizados nas práticas cotidianos, ao mesmo tempo em que produzem os próprios sujeitos, neste caso, as meninas. Ao mesmo tempo, acabam as responsabilizando por estarem fora de tais padrões, o que pode ser observado nas descrições dos jogos ao designá-las como garota desleixada, pobre menina, entre outros", complementa.

Em análises da sua tese, a professora pode constatar o quanto tais artefatos acabam difundido padrões estéticos e também conteúdos de cunho erótico, os quais são acessados livremente por crianças, sem quaisquer orientações e/ou acompanhamento de adultos. "Com isso, elas acabam se tornando vulneráveis na rede, uma vez que acabam tendo acesso não somente a tais conteúdos, mas também a estabelecerem contatos com pessoas em diferentes contextos", explica.

A professora Liliane ainda destaca a questão do crescente número de denúncias e relatos de casos de pedofilia que conduzem o Brasil ao primeiro lugar do ranking mundial. “O uso da internet tem sido uma das principais ferramentas utilizadas por pedófilos para acessar crianças e adolescentes, pois a amplitude da rede torna limitadas as tentativas de regrar e/ou controlar o acesso das crianças a determinados conteúdos, em especial no campo da sexualidade".

Ressalta-se que não há uma intenção de demonizar as novas tecnologias ou criar um pânico moral, evocando uma infância idealizada e saudosista, com aquela áurea de pureza e ingenuidade. “Reitero a importância de que as crianças sejam orientadas acerca dos conteúdos acessados na internet e para isso é importante que os adultos com as quais convivam compartilhem de tais experiências e aprendizagens”, conclui a professora Liliane.

#DicaDeLeitura: Jogos de meninas: (re) produzindo padrões estéticos e relações desiguais de gênero

Aprendizagens com Orientando.org

Um espaço para esclarecer questões sobre identidades, explicando acerca de conceitos como gêneros e orientações..

O site Orientando.org tem a missão de ensinar sobre diferentes termos e identidades, e sobre questões que cercam tais identidades, sendo um espaço seguro para pessoas de orientações marginalizadas, pessoas intersexo e pessoas não-cisgênero de qualquer natureza. A proposta foi criada por causa da falta de recursos sobre identidades e da hegemonia implícita na maioria das comunidades LGBT.

Esse espaço virtual não trata de identidades incomuns como “controversas” ou como “complexas demais para serem divulgadas” apenas por não serem conhecidas, assim como não trata identidades como inválidas apenas porque a pessoa poderia ignorar ou utilizar outro rótulo; há a possibilidade desta pessoa escolher entre rótulos mais gerais ou específicos.

Identidades que fogem do padrão perissexo, cisgênero, heterossexual e heterorromântico são considerados válidos, mesmo que elas não fujam tanto deste padrão. Uma demimulher designada como mulher ao nascimento ainda é uma pessoa não-binária que pode se identificar como trans, se quiser. Um homem cis, demissexual e heterorromântico não deve ser obrigado a se identificar como hétero apenas. Uma pessoa intersexo pode se identificar assim mesmo que sua intersexualidade não seja visível.

É claro que privilégios devem ser levados em questão. Um homem trans hétero e perissexo é bem-vindo em na comunidade, mas ainda pode perpetuar misoginia, heterossexismo, diadismo e outros preconceitos de forma séria, e pode ter sua atenção chamada para isso.

O que mais importa é aceitar as mais diversas identidades e tentar ao máximo não perpetuar preconceitos de qualquer tipo, e não um medidor do quão queer cada pessoa é. Mas, afinal, o que é tudo isso? O site Orientando.org tem o objetivo de ensinar e ajudar pessoas com as seguintes questões:

Gênero - Como alguém se percebe em relação aos gêneros existentes em sua experiência de vida. Na maioria das sociedades eurocêntricas ocidentais, temos os gêneros binários mulher e homem, enquanto temos diversas identidades não-binárias (bigênero, gênero-fluido, agênero, etc.) para pessoas que não se encaixam nesse binário. Saiba mais aqui!

Orientação - Orientações descrevem as mais diversas experiências com atração ou falta de atração a outros indivíduos. Muitas pessoas erroneamente classificam todas as orientações como sexuais, mas é possível também que sejam apenas românticas ou de outros tipos. Ver lista aqui!

Intersexo - Várias pessoas não nascem ou se desenvolvem corporalmente com o que é considerado "sexo biológico feminino" ou "sexo biológico masculino". Caso queiram, essas pessoas podem adotar a identidade intersexo. Saiba mais aqui!

Como o site afirma, essas três questões mexem com o que a sociedade ocidental atual acha que compõe gênero: uma pessoa com certas características corporais que atendem a um dos dois padrões "certos", que é de um gênero associado a estas características corporais, e que sente atração romântica e sexual frequentemente e exclusivamente por pessoas do gênero binário considerado oposto. Isso causa confusão, frustração e discriminação a pessoas que não podem atender a estes padrões.

A conscientização é importante tanto para as pessoas afetadas terem recursos para lidar com o que são e com o que isso significa na sociedade, quanto para as pessoas não afetadas poderem entender e auxiliar pessoas afetadas pela discriminação. Leia aqui o guia de estilo sobre como escrever sobre ou tratar a comunidade LGBTQIAP+.

O site explica os conceitos de LGBTQIAP+, intersexo, gênero, orientação sexual, orientação romântica e outros tipos de orientações. Além disso, disponibiliza listas de orientações, de categorias de gênero, de gêneros não-binários, identidades restritas culturalmente, sistemas opressivos e tipos de linguagem. E também há materiais para imprimir sobre questões gerais, questões de orientação e questões de gênero.

Uma questão de identidade

Nossas diversas identidades e suas legitimações que nos permitem refletir sobre o que pode afirmar quem realmente somos..

Apenas nós mesmos podemos dizer quem somos, mas, perante a legislação do Estado, são os documentos oficiais que devem afirmar isso, como o Registro Geral (RG), o Cadastro Nacional da Pessoa Física (CPF), a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), o Título de Eleitor, o Passaporte e o Documento do Estudante.

Atualmente, há cerca de 20 diferentes documentos de identificação utilizados pelos brasileiros, o que acaba ocasionando as falsificações – para comprar bebidas alcoólicas, entrar em festas, realizar provas no lugar de outra pessoa, etc – que têm gerado grandes prejuízos anuais ao país. Tal crime, previsto no Art. 298 do Código Penal, por falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento particular verdadeiro, gera pena de reclusão, de um a cinco anos, e multa.

No dia 11 de maio, o presidente Michel Temer sancionou a Lei 13.444, que cria a Identificação Civil Nacional. O texto do Projeto de Lei da Câmara 19/2017, aprovado pelo Senado, prevê a criação de um cadastro único nacional, com dados da Justiça Eleitoral e de um novo sistema integrado de registro civil. Assista abaixo ao vídeo do Jornal do Senado explicando por que a nova lei reduz a burocracia e aumenta a segurança contra a falsificação de documentos.

O conceito de identidade varia conforme a área, podendo ser analisado pela antropologia, pelo direito, pela filosofia, pela medicina e pela sociologia, entre outras. Se tratando das questões sobre a sexualidade humana, podemos pensar na identidade sob três aspectos que nos ajudam a compreender melhor os outros e a nós mesmos: a biológica, a de gênero e a sexual.

A identidade biológica se refere ao sexo conforme a genética, a anatomia e a fisiologia da pessoa, identificando-a como macho, fêmea ou intersexo. Esta identidade não tem relação direta com as outras, mas, pela matriz heteronormativa que vivemos, todos esperam que um sujeito que nasce com pênis seja homem e sinta atração por mulheres, assim como aquele que nasce com vagina seja mulher e sinta atração por homens.

Já a identidade de gênero é sobre como você se sente, independente do seu sexo. Cada pessoa pode se identificar como homem ou mulher de acordo com sua identidade biológica (cis) ou pode se enxergar como sendo do gênero oposto ao qual se é esperado (trans); e há também as pessoas que podem se identificar com os dois ou com nenhum dos gêneros.

E a identidade sexual se relaciona com a atração e o desejo sexual de uma pessoa por outra (ou não). Nesse aspecto, temos quem sente atração pelo gênero oposto (heterossexual), mesmo gênero (homossexual), ambos os gêneros (bissexual), todos os gêneros (pansexual) e por nenhum gênero (assexual). Há ainda outras identidades e se acredita em diversas possibilidades que até mesmo a palavra gênero não dê conta.

Nos dias atuais, há uma grande luta pelo direito ao nome social, aquele pelo qual pessoas trans e travestis preferem ser chamadas, uma vez que o nome oficialmente registrado ao nascerem, que foi com base em sua identidade biológica, não reflete sua real identidade de gênero. Quanto mais sabemos sobre nossa sexualidade, melhor compreendemos quem somos e como podemos viver com qualidade.

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#DicaDeClipe: Preta Gil - Sou Como Sou

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