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Questão de Gênero

Doe se você puder doar

O perfil de quem doa sangue no Brasil e a legislação que ainda restringe a doação por homens gays..

Doar algo que você não quer ou não usa mais é um gesto nobre. Ainda mais nobre quando se doa um pouco do que se tem, na intenção de repartir e ajudar o/a próximo/a. Doar sangue é assim, um ato que faz bem a quem doa e, mais ainda, a quem recebe. Hoje, 14 de junho, Dia Mundial do Doador de Sangue, é propício para pensar um pouco nessas questões sob a perspectiva do gênero e da sexualidade.

Ao ato de doar sangue leva cerca de 15 minutos e pode ajudar a salvar até quatro vidas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), se entre 3% e 4% da população fosse doadora de sangue de maneira regular, não haveria problemas de estoque do tecido líquido. Contudo, dados do Ministério da Saúde apresentam que pouco mais de 1% da população brasileira doa sangue.

Para doar sangue é necessário estar em boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido feita antes dos 60 (menores de 18 anos devem apresentar autorização dos responsáveis), pesar no mínimo 50 kg, estar alimentado/a (evitar alimentação gordurosa nas quatro horas que antecedem a doação) e apresentar documento original com foto emitido por órgão oficial.

Durante a doação, são coletados por volta de 450 ml de sangue, e a reposição do volume de plasma ocorre em 24 horas, o dos glóbulos vermelhos ocorre em 4 semanas e o nível de ferro pode levar 8 semanas para homens e 12 semanas para mulheres. Após a coletada, ele é divido em componentes sanguíneos, pois cada um deles tem uma validade; além de serem realizados exames para que o Banco de Sangue garanta que a transfusão seja segura tanto para o doador quanto para o paciente que vai receber o sangue.

No Brasil, de acordo com o Art. 64, item IV, da portaria 158/16 do Ministério da Saúde, “homens que tenham mantido relações sexuais com outro homem no último ano não podem doar”. Na prática, essa determinação faz com que gays sejam impedidos de fazer a doação. Apesar do Ministério da Saúde declarar que não considera as restrições discriminatórias, elas se configuram como tal e, ainda, são inconstitucionais.

Em novembro de 2016, o site da Revista Superinteressante publicou uma reportagem destacando que o Brasil desperdiça 18 milhões de litros de sangue ao ano por preconceito, uma vez que homens gays não podem ser doadores – a menos que passem 12 meses sem sexo. A matéria ainda apresenta dados sobre a incidência de Aids no país, afirmando que apenas 0,4% da população brasileira é portadora do vírus

Em janeiro do ano passado o médico Drauzio Varella postou em seu canal no YouTube o vídeo “Homossexuais e doação de sangue” em que comenta sobre a questão de o que justifica colocar restrições a homossexuais na hora de doar sangue. Assista abaixo:

De acordo com o 4º Boletim de dados de Produção Hemoterápica Brasileira (Hemoprod), elaborado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e divulgado em abril deste ano, o perfil do doador de sangue brasileiro é homem, tem mais de 29 anos, possui tipo sanguíneo O+ e vive principalmente nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país.

Segundo o documento, houve uma queda no número total de candidatos à doação: em 2015 foram 4 milhões de pessoas, enquanto no ano anterior, 2014, foram 4,2 milhões, sendo este o maior número já registrado no Hemoprod. Em relação ao perfil de tipo sanguíneo dos doadores, o relatório da Anvisa destaca que há uma prevalência dos tipos O e A, sendo que o tipo O+ é o de 43% da população de doadores e o A+ é doado por 30%. O mais raro é o AB-, doado apenas por 0,5%.

Existem quatro grupos sanguíneos: A, B, AB e O, que podem variar de acordo com o Fator Rh – um antígeno presente no sangue de determinadas pessoas, cuja presença significa que a classificação será Rh+, e os indivíduos que não possuem naturalmente o tal antígeno recebem a classificação Rh-. Para compreender as possibilidades de doação, observe a tabela de compatibilidade sanguínea abaixo:

A Fundação Pró-Sangue disponibiliza uma lista com todos os hemocentros (bancos de sangue) do Brasil. Confira no site qual é o centro de coleta mais próximo de você e faça a sua doação!

Entre masculinidades e machismos

Alguns recortes acerca do que é ser homem e sobre as masculinidades e os machismos disseminados pela mídia e na sociedade..

Engana-se quem pensa que as questões de gênero envolvem somente as mulheres. É preciso, e cada vez mais, se falar dos homens, dos seus papéis na sociedade e na sua importância na desconstrução de práticas que inferiorizam as mulheres e as minorias. Em tempos em que a expressão “homão da porra” é utilizada para descrever aquele masculino viril, que cozinha e constrói tudo com as próprias mãos, percebemos que o título apenas reafirma o quanto vivemos em um mundo estereotipado, excludente e machista.

Em 2001 foi laçado o desenho animado “Minha Vida de João”, uma parceria da ECOS – Comunicação em Sexualidade, Instituto Promundo, Instituto PAPAI e Salud y Gênero, criado para gerar questionamento entre homens jovens sobre machismo, socialização masculina e relações de gênero. O vídeo acompanha a vida de João e ilustra aspectos de uma educação sexista, situações de violência doméstica, primeira experiência sexual, gravidez de sua namorada, primeiro emprego, entre outros. Assista abaixo:

Uma situação preocupante é a estatística que apresenta que os homens se matam de três a quatro vezes mais do que as mulheres, sendo o principal a cultura machista de que eles devem pagar todas as contas e jamais demonstrar fraqueza. O Mapa da Violência elaborado pela Flacso Brasil e divulgado em 2014, mostrou que 78,1% dos suicídios no país em 2012 foram cometidos por homens.

Publicado em 2016 e desenvolvido pelo Instituto Promundo, o Relatório de Paternidade no Brasil busca apresentar a situação da paternidade no nosso país em áreas distintas. “A valorização da paternidade é uma proposta de política pública voltada para os direitos das crianças e adolescentes, para a equidade de gênero e para a saúde do homem”, comenta Viviane Manso Castello Branco, uma das organizadoras do material.

O documento procura mapear os esforços e os sujeitos que têm contribuído para promover a paternidade e o cuidado no cenário nacional, assim como apontar as ideias e recomendações que podem ser úteis na discussão da promoção da igualdade de gênero por meio do envolvimento dos homens na paternidade e no cuidado. Acima de tudo, é uma política voltada para o fortalecimento de vínculos, para a afetividade e para o amor.

Lançada em novembro de 2016, a cartilha Vamos falar sobre masculinidade? foi elaborada pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo e Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher. O material questiona o que é ser homem e estabelece parâmetros para diferenciar feminilidade e masculinidade, com textos de fácil entendimento.

O documento segue com a problematização da relação de masculinidade com machismo e responde a perguntas como Ser homem é ser violento?, Como esse comportamento é reproduzido? e Quem ama, controla?, finalizando com questões relativas à violência doméstica e familiar contra a mulher: para que serve a Lei Maria da Penha?, inclusive questiona se a Lei Maria da Penha fala dos homens.

Uma pesquisa lançada recentemente e produzida pelo Instituto Avon/Locomotiva foi a O Papel do Homem na Desconstrução do Machismo. O documento afirma que a maioria das pessoas reconhece e rejeita a desigualdade entre homens e mulheres, mas, na prática, grande parte ainda tolera costumes e situações de violência contra a mulher; o machismo é visto como negativo, mas tem defensores, e quanto mais se conhece o feminismo, mais se apoia o movimento, sendo que e a maioria acredita que homens também podem ser feministas.

A pesquisa ainda aponta que a pressão do grupo tem grande influência sobre a propagação do machismo; metade dos homens ainda não admite que o homem cuide da casa e a mulher trabalhe fora; o trabalho doméstico é ainda visto por muitos como responsabilidade da mulher; boa parte dos homens deixou de praticar algum tipo de violência contra as mulheres nos últimos tempos e o principal fator motivador para a mudança foi o diálogo com outra pessoa.

E em 2015 foi lançado o documentário “A Máscara em que Você Vive”, dirigido por Jennifer Siebel Newsom e que aborda como a ideia do macho dominante afeta psicologicamente crianças, jovens e, no futuro, adultos nos EUA. No filme, jovens que foram detidos por condutas violentas falam sobre como a violência se tornou uma válvula de escape e uma forma de se afirmar como viril nos seus grupos de amigos. Disponível no Netflix, assista ao trailer:

Pelo movimento All Out

O movimento que mobiliza pessoas para construir um mundo onde ninguém precise sacrificar algo por ser quem é e amar quem ama..

A All Out é um movimento global que procura construir um mundo onde ninguém tenha de sacrificar sua família ou liberdade, segurança ou dignidade, por ser quem é ou amar quem ama. Com ações conduzidas por uma equipe com integrantes em Boston, Cidade do México, Lagos, Londres, Milão, Nova York, Rio de Janeiro e Santiago, a organização é financiada e administrada de maneira independente, registrada como organização sem fins lucrativos nos Estados Unidos.

Preocupada com os dados de estudos recentes que apontam que em 71 países é crime ser gay e, em 10 desses, ser gay pode custar uma vida, a equipe do All Out trabalha de perto com organizações e ativistas em todo o mundo, desenvolvendo estratégias criativas – tanto online quanto offline – para mobilizar milhares de pessoas e defender a igualdade de direitos para lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans.

A equipe mundial da All Out é dirigida e aconselhada por um Conselho Diretivo, e o movimento não possui uma sede física. Por ser uma equipe pequena, está espalhada em diferentes cidades do mundo todo atenta quando surge uma oportunidade ou um momento de crise – como a votação de um projeto de lei antigay, uma Parada do Orgulho sendo proibida, uma empresa atacando os direitos de pessoas trans –, para usar a tecnologia e oferecer a seus membros maneiras inspiradoras de entrar em ação.

Para se juntar ao movimento e se tornar um membro da All Out há diversas maneiras, como assinar uma petição, que é a principal ferramenta que usam nas campanhas, que podem ser acessadas na página no Facebook; ou também se inscrevendo para receber as atualizações sobre as campanhas no mundo todo sempre que surgir uma oportunidade de entrar em ação.

Ainda se pode tornar membro fazendo uma doação para apoiar o trabalho do movimento clicando aqui, pois a All Out depende de pequenas doações para levar o trabalho adiante. Qualquer uma das opções faz com que se torne membro e passe a receber atualizações sobre campanhas nas quais sua voz pode fazer a diferença na vida das pessoas LGBT.

Em agosto de 2013 o Diretor de Programas da All Out, Leandro Ramos, participou do Tedx com a apresentação “Vamos falar sobre sexualidade?”, em que narra quando ele se torturava por alguém ter lhe dito que não era um "homem de verdade". Hoje, esclarecido e engajado pelos direitos humanos, afirma que "existem 7 bilhões de buscas, jornadas e descobertas grandes demais e complexas demais para caber dentro de um caixote". Assista ao vídeo abaixo:

A identidade real do gênero fluido

Sobre as pessoas cujas identidades de gênero não se limitam a apenas uma categoria e fluem entre ser/se fazer homem ou mulher..

Seguindo o pensamento de que gênero é uma construção cultural e social que independe de sexo biológico ou identidade sexual, também é possível afirmar que existem mais gêneros além da binaridade homem e mulher. Há pessoas que fluem entre dois ou mais gêneros, sujeitos que mudam a intensidade de um gênero constantemente e indivíduos que são vários gêneros ao mesmo tempo.

O chamado gênero fluido é uma identidade de gênero não-binária que se configura pela identificação com os gêneros de maneira inconstante, uma vez que a pessoa flutua entre o ser/se fazer homem ou mulher. Essa fluidez de gênero, ou seja, a intensidade, a maneira e o tempo que essas relações funcionam, é sempre a nível pessoal, assim como a sua expressão.

Diferentemente das pessoas não-binárias – aquelas que não se identificam nem com o masculino e nem com o feminino –, as pessoas com o gênero fluido podem ter compreensões dinâmicas acerca do próprio gênero, alterando de um para outro. Em função disso, por essa identidade ser considerada um tanto abstrata com sua sexualidade fluida, acaba sofrendo muitas críticas pela opressão machista.

Importante destacar que o gênero fluido não é uma mistura de identidades, mas sim uma identidade própria, e que apenas cada pessoa pode saber e afirmar que conceito(s) é(são) adequado(s) para a própria identidade. O que parece ser uma questão muito simples para algumas pessoas dizer se é homem ou mulher, para outras pode ser uma dificuldade bastante grande e com pouca visibilidade.

Com pesquisas, podemos ler relatos de que a palavra genderfluid (gênero fluido) já existia nos anos 90, visto que a expressão é citada em alguns livros de 1999. Imagina-se que pessoas que se vestiam e/ou atuavam como sujeitos de outro gênero, seja por diversão, estilo de vida ou trabalho – como as drag queens – se identificariam com o gênero caso soubessem da existência dessa identidade e não tivessem receio da imagem que ela carrega.

A bandeira do gênero fluido foi divulgada em agosto de 2012 no tumblr We are Genderfluid, por JJ Poole. Com o objetivo de que a bandeira representasse a flutuação e a flexibilidade do gênero em pessoas gênero fluido, foram escolhidas cores com seus significados: rosa para feminilidade, branca para ausência de gênero, roxa para combinação de masculinidade e feminilidade, preta para todos os gêneros e azul para masculinidade.

Querendo dar voz a outras pessoas que também se identificam como gênero fluido, a atriz e modelo australiana Ruby Rose, da série Orange is the New Black, lançou em 2014 um curta-metragem chamado Livre de Gêneros, em que debate a identidade sexual das pessoas e problematiza os rótulos que a sociedade costuma envolver todo mundo. Assista ao vídeo a seguir:

E recentemente a modelo Rain Dove desafiou os estereótipos de ser/se fazer homem ou mulher e mostrou como isso não é importante. Desfilando para marcas da moda tanto femininas quanto masculinas, ela explora as diferenças em relação às vestimentas entre homens e mulheres, demonstrando como essas definições sobre como é pertencer a um gênero já não são mais tão válidas. Confira abaixo algumas fotos:

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