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Questão de Gênero

Assassinatos de LGBT no Brasil

Precisamos falar sobre o Relatório 2016 do Grupo Gay da Bahia sobre os assassinatos da população LGBT no nosso país..

Somente no ano de 2016, um total de 343 lésbicas, gays, bissexuais e transexuais foram assassinados no Brasil, número esse nunca registrado antes. A cada 25 horas, um LGBT foi assassinado vítima da LGBTfobia, fazendo do nosso país o campeão mundial de crimes contra as minorias sexuais, matando mais homossexuais aqui do que nos 13 países do Oriente e África em que há pena de morte para essa população.

As informações são do Grupo Gay da Bahia, uma associação de defesa dos direitos humanos dos homossexuais no Brasil fundado em 1980 e presidida pelo historiador Marcelo Cerqueira, que coleta e divulga esses dados há 37 anos. Tais mortes, de acordo com o Relatório de 2016, cuja capa estampa foto do adolescente Itaberli Lozano, que foi assassinado por ser gay pela própria mãe, crescem de 130 homicídios em 2000, para 260 em 2010 e para 343 no ano passado.

Dos 343 assassinatos que ocorreram em 2016, 173 eram gays (50%), 144 (42%) trans (travestis e transexuais), 10 lésbicas (3%), 4 bissexuais (1%), incluindo 12 heterossexuais, como os amantes de transexuais, além de conhecidos ou familiares de LGBT que foram assassinados por algum envolvimento com a vítima.

Segundo o Relatório, a média de assassinatos da população LGBT no Brasil é de 1,69 por um milhão de habitantes, sendo que a região Norte registrou quase o dobro: 3,02 para um milhão. O Nordeste, que nas últimas décadas liderava tais “LGBTcídios”, baixou para 1,94 mortes por um milhão; enquanto as regiões menos violentas são o Sul, com 1,24 e o Sudeste, com 1,19.

Na configuração de um perfil das vítimas, predominaram as mortes de LGBT entre 19-30 anos (32%), menores de 18 anos representam 20,6% e 7,2% das vítimas eram da terceira idade. Quanto à cor de pele, 64% eram brancos e 36% negros. Sob a ótica de profissões/ocupações, entre os mortos predominaram professores (17%) e estudantes (16%), seguidos em menor número por comerciantes, padres, empresários, enfermeiros, etc.

Cerca de 31% desses assassinatos foram praticados com arma de fogo, 27% com armas brancas, incluindo ainda enforcamento, pauladas e apedrejamento, além de tortura e queima do corpo. Travestis geralmente são assassinadas a tiro ou espancadas na rua, enquanto gays são mortos dentro de casa, com objetos domésticos: facas, fios elétricos ou sufocados na cama.

Apenas em 17% desses homicídios o criminoso foi identificado (60 de 343), e menos de 10% das ocorrências resultou em abertura de processo e punição dos assassinos. Dentre os 60 criminosos de LGBT, a metade mantinha contato próximo com a vítima, seja como companheiro atual (27%), ex-amante (7%) ou parente da vítima (13%). Clientes, profissionais do sexo e desconhecidos em sexo casual foram responsáveis por 47,5% desses crimes de ódio.

Importante ressaltar que esses dados foram coletados pelo GGB com base em notícias publicadas na mídia, internet e informações pessoais, e não são estatísticas governamentais. Por falta de um levantamento oficial do governo sobre tais assassinatos, é que talvez ainda não tenha sido aprovada alguma lei de criminalização da LGBTfobia, somado também ao fato de termos um parlamento em sua maioria fundamentalista e religioso que rege o congresso.

Até a data de hoje, 20 de fevereiro de 2017, já foram levantadas 52 mortes de LGBT no país, sendo que hoje é o 51º dia do ano, ou seja, um LGBT morto a cada menos de 24 horas. É possível manter um acompanhamento desses números e também acesso a outras informações pelo site Quem a Homofobia Matou Hoje?.

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#DicaDeLeitura: Leia o Relatório 2016 de assassinatos de LGBT completo clicando aqui.

Meu corpo, minhas... nomenclaturas

A relação de como chamamos as genitálias com a repressão sexual e entrevista com a professora Eliane Maio, autora do livro "O nome da coisa"..

Com o objetivo de problematizar a importância e/ou a necessidade da utilização de tantos sinônimos que se refiram a sexo/sexualidade e sua relação com a repressão sexual, principalmente no ambiente escolar, a professora Eliane Maio desenvolveu uma pesquisa intitulada “Palavrões ou palavras: um estudo com educadoras/es sobre sinônimos usados na denominação de temas relacionados ao sexo”, como sua tese de doutorado em Educação Escolar na UNESP de Araraquara, São Paulo.
ONDCA pesquisa, que é original de 2008 e foi publicada em formato de livro em 2011 pela Editora Uni Corpore, com o título "O Nome da Coisa", durou quatro anos e foi aplicada em seis estados brasileiros, compreendendo quatro regiões: sul, sudeste, centro-oeste e nordeste, em cursos de formação em Orientação Sexual escolar, com a participação de 4.916 pessoas, sendo pais/mães e professores/as, com as idades entre dezoito a sessenta e oito anos.
Foi coletado, por meio de uma pesquisa qualitativa, um total de 1.308 palavras que representam os nomes para a genitália masculina e feminina e para algumas práticas sexuais. Sem repetir, dentre as palavras, sinônimos, “palavrões” ou fala popular, levantaram-se 408 para pênis, 494 para vulva, 177 para masturbação (sendo 20 para a feminina e 157 para masculina) e 229 para relação sexual.
Os dez nomes mais comuns para pênis foram: pau, pinto, caralho, cacete, bráulio, rola, pipi, bilau, pirulito e pingolin; e as categorias de análise se dividiram em força e virilidade, diminutivos, nomes próprios, alimentos e nomes de animais. Já entre os mais citados para vulva, estão: perereca, chana, buceta, periquita, perseguida, xoxota, aranha, prexeca, xereca e xavasca; cujas categorias eram desprezo, força, violência e vergonha, diminutivos, nomes próprios, alimentos, nomes de animais e receptáculos.
Para masturbação, as palavras que mais apareceram na pesquisa foram: bater punheta, siririca, cinco contra um, descascar a banana e descabelar o palhaço para o ato masculino; já para o feminino, as mais comuns foram: dedada, socar o dedo, bater sininho, clicar um mouse e colar velcro. E para a relação sexual, com categorias de agressividade, modismos e suavidade, as palavras mais comuns foram: transar, meter, afogar o ganso, trepar, dar uma, foder, comer, nhanhar, molhar o biscoito e fazer amor.
Pode-se afirmar que o estudo, que trata de aspectos relacionados com a sexualidade do brasileiro, revelou uma irreverência com a qual o assunto é tratado. Durante a pesquisa e após a análise das palavras, foi constatada a dificuldade que os participantes demonstraram em verbalizar palavras de cunho sexual. Essas resistências e desinformação são passadas aos estudantes, configurando uma repressão sexual e a consequente necessidade da orientação sexual no ambiente escolar.
O blog QUESTÃO DE GÊNERO entrevistou a professora Eliane Maio, graduada e mestre em Psicologia, doutora e PhD em Educação Escolar. É professora da Universidade Estadual de Maringá, líder do grupo Núcleo de Pesquisa e Estudo em Diversidade Sexual – NUDISEX e autora de cinco livros. Tem experiência na área de educação, atuando principalmente em temas como aprendizagem, diversidade sexual, educação em sexualidade, gênero, psicopedagogia e sexualidade.
Blog QUESTÃO DE GÊNERO – Como se configura a repressão sexual na área da educação?
Eliane – As questões da sexualidade, nos espaços escolares no Brasil, sempre foram vistas com certa repressão. A partir das pessoas que educam: os/as professores/as, bem como a equipe diretiva e administrativa. Por não terem estudado tal temática no curso de formação, como também por, talvez, não terem educação sexual familiar, nem escolar. Muitos/as profissionais de educação ou evitam falar sobre este tema ou recriminam que o faz. Há vezes que convidam pessoas de fora da escola, para tratar de assuntos ligados à prevenção, DST e gravidez precoce, tais como: médicos/as, biólogos/as, enfermeiros/as, psicólogos/as, padres, pastores etc. Isto explica o quanto a escola não está preparada para tais temas, pois delega a sua obrigatoriedade/autoridade para outras pessoas.
ElaineBlog QUESTÃO DE GÊNERO – Você percebe mudanças nesse cenário desde a conclusão de sua pesquisa em 2011?
Eliane – Infelizmente poucas mudanças, apesar de muitos avanços em pesquisas, publicações, eventos e pesquisas sobre esta área, mas na prática tenho visto poucas conquistas, pois as escolas, principalmente as públicas, acabam regidas pelo Plano Municipal de Educação, em que várias cidades, por meio de seus/suas vereadores/as, não aceitaram as discussões sobre gênero, sexualidade, orientação e diversidade sexual.
Blog QUESTÃO DE GÊNERO – Quais os principais desafios na relação entre educação e sexualidade?
Eliane – São de lidar com os preconceitos, desconhecimentos, informações cheias de inadequações ligadas à religião, falta de estudos, senso comum etc. Os desafios se encontram em lidar com estas características. Transformar/mudar/complementar o pensamento das pessoas que atuam na educação é um grande desafio, mas a luta é muito importante!
Blog QUESTÃO DE GÊNERO – Como ocorre o trabalho de estudo e pesquisa dentro do NUDISEX?
Eliane – Nosso grupo é composto de estudantes de graduação e pós-graduação Lato sensu e stricto sensu, bem como profissionais da educação e da saúde. Nos reunimos quinzenalmente, às quartas-feiras, no período vespertino. Discutimos textos sobre as temáticas estudadas, bem como promovemos muitos eventos e cursos de extensão, proporcionando à comunidade estudar temas tão pouco vistos em cursos de graduação e áreas complementares.
Blog QUESTÃO DE GÊNERO – Qual seu atual trabalho de pesquisa dentro do campo da educação e sexualidade?
Eliane – Oriento no Programa de Mestrado e Doutorado em Educação, vários/as alunos/as que discutem as seguintes temáticas; transexualidade e espaço escolar; violência sexual infanto-juvenil; violência de gênero; formação docente e sexualidades; mídia e sexualidade etc.

O Valente não é Violento

Pela erradicação das práticas culturais danosas e dos comportamentos prejudiciais às meninas e mulheres gerados pelo machismo..

A iniciativa O Valente não é Violento faz parte da campanha UNA-SE Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, lançada em fevereiro de 2008 pelo Secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon. O movimento, cujo site você pode acessar clicando aqui, conta com a participação de todas as agências da ONU e é coordenada pela ONU Mulheres.
ONU
Lançada já em oito países da América Latina – Argentina, Bolívia, Brasil, Costa Rica, Cuba, Equador, Honduras, Nicarágua, Paraguai, Peru e Venezuela – a iniciativa tem como objetivo estimular a mudança de atitudes e comportamentos machistas, enfatizando a responsabilidade que os homens devem assumir na eliminação da violência contra as mulheres e meninas.
A iniciativa convida as pessoas a repensar e transformar os estereótipos, ou seja, as ideias pré-concebidas dos papéis sociais denominados femininos ou masculinos e das crenças sobre o que as mulheres e os homens devem ser ou fazer. Afinal, essas ideias profundamente arraigadas em nossas culturas são a base da desigualdade de gênero, da discriminação das mulheres e, consequentemente, da violência exercida contra elas.
Assista abaixo a um dos vídeos oficiais da iniciativa, chamado “Pai Violento”:
A violência contra mulheres e meninas é uma das violações mais generalizadas dos Direitos Humanos. As Nações Unidas definem a violência contra as mulheres como “todo ato de violência baseado no fato de a vítima pertencer ao sexo feminino e que tenha ou possa ter como resultado um dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico para a mulher, assim como as ameaças de tais atos, a coação ou privação arbitrária da liberdade, tanto na vida pública como na vida privada”.
Veja os principais dados da violência contra meninas e mulheres no Brasil:
  • De acordo com o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), 40% das mulheres brasileiras já sofreram violência doméstica em algum momento de sua vida.
  • Segundo pesquisa do Data Popular em parceria com o Instituto Patrícia Galvão, 54% das pessoas entrevistadas afirmaram conhecer uma mulher que já foi agredida pelo parceiro, e 56% afirmaram conhecer um homem que já agrediu a parceira.
  • Em 2012, segundo dados do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mais de 50 mil mulheres foram estupradas, número 20% maior em relação ao ano anterior.
  • O Mapa da Violência 2012, que analisa dados do Ministério da Saúde, aponta o Brasil na 7ª posição de maior número de assassinatos de mulheres no mundo, num ranking com 84 países.
  • Mais de 92 mil mulheres foram assassinadas desde 1980 até 2012, metade delas na última década. Isso significa que a cada duas horas uma brasileira foi morta sob condições violentas, em sua maioria no ambiente doméstico e por homens com os quais tinham ou tiveram relações afetivas.
  • Como muitos casos não são reportados, estes números podem ser ainda maiores.
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#DicaDeLeitura: Valente não é violento, de Marcos Nascimento & Silvani Arruda, publicado em novembro de 2014.

Entre princesas e heróis reais

Coleção de livros sobre antiprincesas e anti-heróis para auxiliar na desconstrução dos estereótipos de gênero..

Ariel, Branca de Neve, Cinderela, Jasmine, Pocahontas, Rapunzel. Por nascimento (que são filhas de reis, rainhas, governantes) ou por casamento (por terem se casado com um príncipe), são todas princesas. Pelo menos para a Disney. E para as crianças que, desde pequenas, são apresentadas aos Contos de Fadas e outras histórias infantis... são somente essas personagens que representam o que é ser uma princesa e uma certa necessidade de ser assim?
Disney
Em tempos de Escola de Princesas, está sendo publicado no Brasil a Coleção AntiPrincesas e Anti-Heróis, pela Sur Livros. Trata-se de obras, originalmente publicadas pela editora argentina Chirimbote, com personagens inspirados em mulheres e homens latino-americanos, que não se encaixam nos estereótipos feminino e masculino de ser princesa e ter superpoderes.
Frida Kahlo, Violeta Parra, Juana Azurduy, Clarice Lispector, Gilda, Julio Cortázar, Eduardo Galeano e Che Guevara compõe um time mais que especial apresentado nessa coleção, escrita por Nadia Fink e ilustrada por Pitu Saá. Além de retratar a história da antiprincesa ou anti-herói, as edições ainda contam com páginas de atividades que dialogam com os personagens.
Sur
No Brasil, até agora já foram lançados quatro livros: sobre a pintora mexicana Frida Kahlo; sobre a cantora, compositora e artista plástica chilena Violeta Parra; sobre a escritora e jornalista ucraniana naturalizada brasileira Clarice Lispector; e sobre o escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano. Todos os livros mostram pessoas da nossa realidade, nem tão distantes assim, com suas trajetórias que envolvem coragem, luta e revolução.
Por que sempre que nos falam de história, contam sobre mulheres e homens “importantes”? Importantes como as princesas tão bem vestidas que não podem sair para brincar e se sujar? Ou importantes como os super-heróis e seus superpoderes que estão tããão longe da gente? Algo assim, mas não: quando aqui dizemos “importantes”, estamos falando de quem se sujou para crescer e se divertir, de quem não ficou esperando sentado e de quem também usou superpoderes, mas outros: ter a coragem de fazer algo mais, procurar entender o mundo de outra maneira, saltar obstáculos e deixar uma obra que está além de qualquer tempo.
A Coleção AntiPrincesas e Anti-Heróis inspira meninas e meninos a mostrarem que elas e eles podem e devem ser muito mais do que princesas e heróis, e que não há um único modelo - já muito estereotipado - a ser seguido. Cada criança precisa ser protagonista de sua própria história; princesas e heróis da literatura infantil podem ser inspiradores, mas é necessário conhecer e prestigiar pessoas reais que não se acomodaram, que fizeram a diferença e que mudaram para sempre o nosso mundo.

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