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Questão de Gênero

Freeda - Espaços de Diversidade

A plataforma colaborativa para avaliação de estabelecimentos no quesito respeito à diversidade sexual e igualdade de gênero..

A iniciativa gaúcha Freeda é uma rede colaborativa que propõe um compromisso ético, tem como objetivo empoderar as mulheres e a população LGBT - Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais / Travestis na luta contra a bi-homo-lesbo-transfobia e toda forma de sexismo, envolvendo entidades públicas e privadas na promoção de boas práticas.
Freeda
A Freeda se configura como uma rede de confiança entre empresas e clientes por meio de um sistema de certificação com foco no respeito à diversidade sexual e de gênero. A equipe é formada por Guilherme Ferreira, pesquisador e ativista em gênero e sexualidade; Patrícia Becker, advogada e ativista; Gabriel Galli, jornalista, militante LGBT; e Bárbara Arena, weblover & developer. Entusiasta de UX.
O grupo Freeda vem desde 2014 formando e capacitando locais na região de Porto Alegre e interior do Rio Grande do Sul para prevenir casos de violência contra mulheres e população LGBT. O projeto, composto por profissionais do Direito, Comunicação, Tecnologia da Informação e Serviço Social oferece um curso interdisciplinar explorando tópicos como sexo, gênero, orientação sexual e identidade de gênero, misoginia, machismo, sexismo e cis-heteronormatividade.
Segundo pesquisa realizada pela Freeda em outubro de 2014 com 234 participantes, 94% deixaria de frequentar um local onde ocorreram episódios de bi-homo-lesbo-transfobia, 52% já presenciou ou sofreu discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero e 92% gostaria de saber se o estabelecimento respeita LGBT+ antes de frequentá-lo.
SeloO Selo Espaços de Diversidade é uma ferramenta que tem o objetivo de divulgar e valorizar instituições que estejam dispostas a adotar políticas de respeito à diversidade e à igualdade de gênero em suas atividades no contato com o público e em suas politicas internas.
Para receber o selo, o estabelecimento deve comprometer-se com a postura social de respeito à diversidade sexual, à identidade e à igualdade de gênero, além de seguir os princípios do projeto Freeda, que são:
1. Os princípios de igualdade e da não-discriminação por motivo de orientação sexual e identidade de gênero devem ser observados em todas as interações com o público e políticas internas da instituição.
2. As manifestações públicas de afeto serão respeitadas sem nenhuma discriminação por identidade de gênero ou orientação sexual.
3. Nenhuma violência no espaço da instituição será perpetrada, estimulada ou tolerada, sejam elas verbais, físicas ou simbólicas.
4. Em caso de violência no interior da instituição, a prioridade será sempre o acolhimento das vítimas, sua proteção e o acionamento das autoridades competentes.
5. É dever de todos os entes públicos, privados e demais organizações da sociedade civil adotar boas práticas que promovam o respeito à diversidade e à igualdade de gênero.
6. A rede Freeda é solidária e colaborativa, prezando pela circulação e multiplicação de informações e boas práticas.
O blog QUESTÃO DE GÊNERO entrevistou Bárbara Arena, co-fundadora do Freeda, graduada em Jornalismo pela PUCRS, com pós-graduação em Qualidade de Software pela Unisinos, e que atualmente cursa Tecnólogo em Gestão da TI e trabalha como técnica em Tecnologia da Informação na UFRGS.
Blog QUESTÃO DE GÊNERO – Como você percebe o atual cenário laboral quanto às políticas de promoção da igualdade de gênero e de respeito à diversidade sexual?
Bárbara – Temos visto avanço em relação a essas questões. A área de TI, principalmente, tem tido bastante visibilidade e atuação nesse contexto. No Brasil temos o Fórum de Empresas LGBT, além de grupos de diversidade se auto-organizando nas empresas. No RS temos o LGBTI Summit. Já no âmbito público, temos um cenário desencorajador com a tomada do conservadorismo que ameaça direitos já conquistados pelos trabalhadores e trabalhadoras, mesmo fora das questões de diversidade. É preciso, entretanto, ter atenção com empresas que utilizam a pauta LGBT como uma forma de passar uma imagem de progressismo, mas que têm ações controversas em outras áreas, como exploração de mão de obra ilegal, trabalho escravo ou que dão suporte financeiro a grupos conservadores que lutam contra os direitos das minorias. Essa prática de tentar esconder os problemas envolvendo direitos humanos com o apoio às pautas LGBT não é nova e tem até nome: pinkwashing.
BarbaraBlog QUESTÃO DE GÊNERO – De que forma os estabelecimentos têm recebido os princípios do Freeda?
Bárbara – De forma positiva e com curiosidade. Muitos gestores de estabelecimentos nunca tinham parado para pensar em algumas das questões que trazemos, então a mudança de comportamento fica muito evidente. Os princípios são bastante simples, mas trabalhamos com exemplos práticos, exercendo sempre a empatia, para abarcar situações mais complexas.
Blog QUESTÃO DE GÊNERO – Entre a diversidade sexual e a igualdade de gênero, qual ainda é a mais difícil de ser trabalhada?
Bárbara – De certa forma, o debate sobre as questões de gênero acabam sendo um pouco mais difícil para algumas pessoas, pois demanda desconstruir o conceito binário de gênero. Ademais, acreditamos que é preciso trabalhar de forma integrada, por isso seguimos o conceito de interseccionalidade, abordando os conceitos de gênero, raça, classe, orientação sexual, etc, mas compreendendo as diferenças das sobreposições dessas características na vidas dos indivíduos e no contexto econômico, social e histórico.
Blog QUESTÃO DE GÊNERO – O que envolve a promoção das boas práticas do Freeda?
Bárbara – Boas práticas para a Freeda são uma expressão bastante ampla para englobar ações que podem ocorrer em diferentes âmbitos da instituição. Em nosso curso trabalhamos boas práticas na contratação, como, por exemplo, processos seletivos livres de estereótipos de gênero; boas práticas no ambiente de trabalho, como, por exemplo, formar um ambiente acolhedor e não hostil à expressão da identidade de gênero e orientação sexual de integrantes da equipe; boas práticas no espaço físico e no relacionamento com consumidores, como não decorar o ambiente com imagens objetificantes do corpo da mulher ou não estabelecer políticas de distinção de preço entre homens e mulheres no valor da entrada ou para qualquer outro produto. Estar preparados para acolher as vítimas e gerir situações de violência também é um dos pontos-chave de nossa formação, em que a primeira preocupação é sempre com o bem-estar da parte mais vulnerável, seja físico ou psicológico. Esses são alguns exemplos, mas as possibilidades de boas práticas são infinitas e devem ser constantes, como a formação de grupos de discussão, projetos e atividades culturais que engajem funcionários e consumidores.
Blog QUESTÃO DE GÊNERO – Em sua visão, qual o poder do ativismo nas mídias e redes sociais?
Bárbara – É importante, pois possibilita que os indivíduos se expressem e se identifiquem entre si, criando uma rede de apoio que muitas vezes não existe fora do meio virtual. Possibilita a visibilidade e o diálogo entre diferentes realidades. Juntos somos mais fortes, mesmo que essa união se dê mediada pela internet.

Let's Think Olga

Conheça a ONG feminista que luta pelo empoderamento feminino por meio de informação..

A OLGA é um projeto feminista criado em abril de 2013 pela jornalista Juliana de Faria, com o objetivo de criar conteúdo que reflita a complexidade das mulheres e as trate com a seriedade que pessoas capazes de definir os rumos do mundo merecem, com a missão de empoderar mulheres por meio da informação e retratar as ações delas em locais onde a voz dominante não acredita existir nenhuma mulher.
Olga
A luta da ONG é para que as mulheres possam ter mais escolhas, nunca menos; bem como garantir que elas façam suas escolhas de maneira informada e consentida, sem que nunca tenham que pedir desculpas por tais decisões. O projeto acredita no poder e na responsabilidade que os meios de comunicação têm na formação da nossa sociedade.
Recentemente, para ajudar a combater um problema que nos deparamos comumente – o de reportagens que tratam assuntos sérios, como a violência de gênero, com machismo e descaso, o Think Olga lançou o Minimanual do Jornalismo Humanizado, um guia de bolso para jornalistas, redatores, blogueiros, veículos de comunicação e produtores de conteúdo saberem o que fazer - e do que não fazer - para que os textos não colaborem com a perpetuação de preconceitos e estereótipos contra a mulher e outros grupos minorizados na nossa sociedade.
Dividido em temas, as três primeiras partes podem ser acessadas clicando em seus títulos:
Parte 1 - Violência Contra a Mulher
Parte 2 - Pessoas com deficiência
Parte 3 - Racismo

E ainda nessa semana a ONG estreou seu Canal no YouTube chamado TV OLGA, em que, toda quarta-feira, haverá novos episódios com convidadas, convigatos e assuntos interessantes para serem debatidos. No primeiro episódio de Yes We Cat, Mulheres na Internet, tem a participação das youtubers Jessica Tauane, do Canal das Bee e Jout Jout, para um papo sobre mulheres que criam conteúdo na internet. Assista:
Conheça mais da ONG Think Olga acessando aqui o site e aqui a página no Facebook.

A perspectiva de gênero na saúde

Breve análise sobre a procura pelos serviços de saúde a partir da perspectiva do gênero..

Quem procura mais pelos serviços de saúde nos dias de hoje, são os homens ou são as mulheres? Parece até simples responder a essa questão apontando para elas como a população que mais frequenta consultórios médicos e realiza exames periódicos. Mas e qual seria o real motivo para que os homens procurem menos esses serviços, especialmente aqueles com foco na promoção e na prevenção da saúde?
Variados estudos recentes demonstraram que os homens, quando comparados às mulheres, realmente buscam com menor frequência os serviços de saúde e, quanto aos principais motivos para justificar tal conclusão, estão os aspectos sociais, histórico-culturais, financeiros e de organização dos próprios serviços.
As principais respostas para essa problemática se originam de diversos fatores, como o pensamento cultural de que existe uma masculinidade que não permite a vulnerabilidade masculina, as jornadas de trabalho que ocasionam em falta de tempo e na impossibilidade de deixar as atividades profissionais, além da deficiência dos serviços públicos de saúde em relação ao atendimento e a invisibilidade dos homens na atenção básica à saúde.
Gomes, Nascimento e Araújo (2007) afirmam que o imaginário de ser homem pode aprisionar o masculino em amarras culturais, dificultando a adoção de práticas de autocuidado, pois, à medida que o homem é visto como viril invulnerável e forte, procurar o serviço de saúde poderia associá-lo à fraqueza, ao medo e à insegurança.
Para Abreu, Cesar e Franca (2009), a variável sexo pode ser mais uma questão a ser analisada no enfoque da desigualdade social, pois os homens tendem a apresentar uma menor morbidade autorreferida do que as mulheres, mas apresentam uma maior sobremortalidade.
Já Toneli, Souza e Muller (2010) comentam que o cuidado dos homens, no geral, é mais restrito aos cuidados com o corpo, por meio de uma vida menos sedentária, e a procura por serviços médicos restringe-se a casos extremos, quando a doença já está instalada e os métodos caseiros de cura não foram suficientes para curá-la.
Alves (2011) destaca que se percebe que os homens estão presos a concepções machistas e hegemônicas de que compõem um grupo invulnerável e forte e que cuidados preventivos são preciosismos tipicamente femininos. O que se quer alcançar é estimular nos homens a incorporação de novas práticas mais salutares ao seu modo de vida.
Já Carvalho (2013), aponta que os homens não procuram os serviços de Atenção Primária à Saúde a fim de se instrumentalizarem no cuidado à saúde, mas são vistos nesses serviços quando há algum sintoma que não pôde ser controlado no espaço domiciliar e/ou não foi devidamente tratado/controlado no âmbito hospitalar.
E Moura (2014) constata que, embora haja interesse dos homens em ampliar sua participação nas atividades desenvolvidas pelas equipes da Estratégia Saúde da Família e da Unidade Básica de Saúde, ainda há lacunas significativas a serem preenchidas desde a adequação da estrutura / ambiência à motivação e desenvolvimento de ações de promoção, tratamento e recuperação dos agravos mais frequentes nessa população.
Partindo dessas constatações, é possível observar a existência de algumas barreiras nessa área em relação à procura aos serviços de saúde pelos homens e, em consequência, os desafios no sentido de reorganizar esses serviços e melhorar a oferta de ações com enfoque na população masculina, possibilitando uma maior promoção e prevenção a fim de aumentar suas condições de saúde.

Retrospectiva de Gênero

Uma breve retrospectiva sobre o debate de gênero em 2016 neste trigésimo e último post do ano no blog Questão de Gênero..

O projeto do Blog Questão de Gênero nasceu no início de 2016, com o intuito de comentar e problematizar sobre tudo aquilo que envolva a cultura e a diversidade sexual, as relações de conceitos, práticas e teorias sobre sexualidade e o respeito pela igualdade de gêneros.
Com sua divulgação oficial de início em julho, na página do Jornal NH no Facebook, a ideia do blog foi recebida pelos internautas leitores entre apoios e críticas, e ambos os retornos motivaram ainda mais o trabalho de pesquisa e produção de conteúdo sobre temas como corpo, cultura, direitos sexuais, educação, gênero, políticas públicas, saúde e sexualidade.
As publicações ao longo do semestre apresentam vários temas relevantes, como tolerância, aceitação / apoio, estereótipos de gênero, linguagem, diferenças entre sexo x gênero x orientação, feminismos e machismos, pessoas queer, cultura do estupro, estatuto da família, ENEM e binarismo de gênero.Também tiveram dicas de canais no YouTube, livros e programas de TV, além de nove entrevistas que enriqueceram ainda mais os textos, debatendo sobre as mulheres, drag queens, cultura, políticas e turismo LGBT, pessoas trans e gênero na escola.
O site Gênero e Número, uma iniciativa independente de jornalismo de dados voltada ao debate de gênero, publicou na semana passada um vídeo com uma rápida retrospectiva que afirma que em 2016 o Brasil avançou no debate sobre desigualdade de gênero e discutiu o estrago causado diariamente pelo machismo enraizado. Assista:
Para 2017, o Blog Questão de Gênero continuará, firme e forte, na luta pelo tema, com novas propostas de debate e entrevistas, além de um perfil no Facebook para divulgação de notícias sobre gênero e debate entre internautas. Agradeço ao Jornal NH - Grupo Sinos pelo apoio e pela confiança para com meu trabalho e desejo a todos os leitores e todas as leitoras um ótimo 2017 com muita sabedoria! o/

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