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Sétima das Artes

Curta Pelos Velhos Tempos é rodado em São Leopoldo

Sexto filme do diretor Ulisses Da Motta é uma experiência de linguagem.

Pelos Velhos TemposEstá sendo rodado em São Leopoldo o curta-metragem Pelos Velhos Tempos, novo trabalho do cineasta radicado na cidade Ulisses Da Motta. As filmagens aconteceram no último domingo, dia 10. A locação escolhida foi o Funny Feelings Cupcake Rock Café. 

O curta, que tem roteiro de Roger Monteiro, conta a história de dois bandidos conversando em um bar após um assalto que dá errado. A proposta é nunca mostrar o rosto dos personagens, mas contar a história através dos detalhes do cenário e da ação. No elenco estão Leandro Lefa e o músico Maia D'Oxum, em sua estreia como ator. 

É o sexto curta dirigido por Ulisses, e o quinto a ter São Leopoldo como cenário. Anteriormente, O Gritador (2006), Kassandra (2013) e Luz Natural (2015) tiveram algumas cenas feitas na cidade. Já mais recente Venatio (2016) foi inteiramente rodado no município, assim como Pelos Velhos Tempos. A estreia está prevista para o ano que vem.  

Ficha Técnica: 

Direção: Ulisses Da Motta
Roteiro e Codireção: Roger Monteiro
Produção: Freddy Paz
Fotografia: Tiemy Saito
Direção de Arte: Gianna Soccol
Música: Chico Pereira 
Som Direto: Raysa Fisch
Elenco: Maia D'Oxum, Leandro Lefa, Fabiano Chaves

O sucesso de Mulher-Maravilha

Filme da heroína quebra tabus com sua arrecadação surpreendente.

Mulher MaravilhaRecentemente, Mulher-Maravilha ultrapassou a marca de US$ 813 milhões nas bilheterias mundiais. É um marco por ser a maior arrecadação de um filme dirigido por uma mulher -- no caso, Patty Jenkins. Põe abaixo o tabu de que, para ser rentável, um blockbuster precisa ser dirigido por um homem. 

A maior parte do sucesso deste que é o quarto título do universo DC (chamado oficialmente de DC Extended Universe, ou DCEU) vem dos Estados Unidos. Lá, o filme bateu diversas marcas e sua bilheteria está hoje em US$ 409 milhões. É a maior entre filmes de origem de super-heróis de todos os tempos (posto ocupado até então pelo primeiro Homem-Aranha), por exemplo. Está na 14a semana de exibição e não quer saber de sair do Top 15 semanal. 

Para a crítica de cinema e jornalista Júlia Manzano, a importância desse sucesso reside numa maior representatividade das mulheres nas telas. "Ver que mulheres são fortes, que mulheres sabem lutar, que mulheres enfrentam os vilões sozinhas - papel que era sempre reservado aos homens - abre diversas portas no imaginário das pessoas", argumenta. "A imagem do corpo feminino era sempre objetificada como algo ora desejável, ora proibido, ora ignorado. Já em Mulher-Maravilha nós vemos que o corpo dela é uma arma. A ideia de empoderamento através da luta é maravilhosa". 

É o que pensa também a cineasta Cíntia Domit Bittar, uma das mais respeitadas da nova geração de realizadores da Região Sul. "A importância cultural de se ter mulheres em blockbusters se dá devido à grande inserção que esses filmes têm em vários e distintos mercados, chegando a garotinhas de vários lugares do mundo que, de repente, podem se enxergar no lugar da Mulher-Maravilha, podem ter uma heroína para chamar de sua, podem descobrir que quem está atrás da câmera é uma mulher, podem desejar fazer filmes, contar histórias", avalia. 

O êxito de uma obra protagonizada por uma mulher (a atriz israelense Gal Gadot) e dirigida por outra (Patty Jenkins) ganha ganha mais relevo se analisarmos a franquia na qual está inserida. Apesar dos bons números, o DCEU ainda não tinha emplacado com a crítica com suas fitas anteriores (a saber: Homem de Aço, Batman Vs. Superman e Esquadrão Suicida). Mulher-Maravilha consertou isso e fez público e crítica acreditar neste universo cinematográfico. Vale ressaltar também que o projeto recebeu orçamento menor entre seus pares, US$ 149 milhões - os demais custaram, respectivamente, US$ 225, US$ 250 e US$ 175 milhões).

"Se não há mulheres como protagonistas e mulheres realizadoras em filmes de grande orçamento, isso se dá apenas por vivermos em uma sociedade patriarcal machista e misógina, pois filmes de médio orçamento escritos e dirigidos por mulheres, com protagonistas mulheres, via de regra, se pagam e dão lucro", defende Cíntia. "Portanto, não há desculpa atrelada a fatores econômicos que sirva". A cineasta também traça um paralelo com a situação do Brasil, onde "há muitas diretoras mulheres e também boas protagonistas". "Mas esse número ainda é muito baixo se levarmos em conta os últimos indicadores da Ancine (Agência Nacional de Cinema) e compararmos com a realidade brasileira, na qual somos maioria em número de habitantes".

Tanto Júlia quanto Cíntia chamam a atenção que a obra não é perfeita. "Em questões de ideais feministas o filme ainda é muito simples. Parece que ele introduziu questões mais leves de representatividade pra não desagradar uma audiência que é conhecida por ser muito machista", pondera a crítica e jornalista. E exemplifica: "eu não entendo porque Hollywood não vê que pode existir mais de uma mulher no mesmo ambiente e elas podem se amar, se ajudar, cooperar. Dois terços do filme é Diana e aquele macharedo todo (risos) andando de um lado pro outro". Para Júlia, as melhores cenas são as do primeiro ato em Temiscira, onde a heroína vive com as demais Amazonas.

Já a cineasta chama a atenção para a questão de modelos de beleza. "Essa Mulher-Maravilha ainda é branca, magra, alta, sexy, de cabelos longos e sedosos, ainda representa um padrão comercial", ressalta Cíntia. "Por isso é importante ter cada vez mais filmes de grande bilheteria feito por mulheres, com mulheres - de todas as formas, tamanhos, nacionalidades, tons de pele". 

O sucesso de Mulher-Maravilha, portanto, não é definitivo. É mais um passo num longo caminho por um cinema mais igualitário. Onde quem ganha são todos: artistas, público e a sétima arte em si. 

Crítica: Os Guardiões

Filme russo de super-heróis dói de tão ruim.

Os GuardiõesAno passado, surgiu o trailer de uma produção russa que chamou a atenção nas redes sociais. Chamava-se Os Guardiões e seria uma fita de super-heróis criados durante a Guerra Fria. Prometia ser muito divertido. Talvez também pudesse ser bem bom; afinal, a atual produção de filmes de fantasia na Rússia é interessante e traz algumas coisas novas.

Lançado em sua terra natal no início do ano, Os Guardiões chega agora ao Brasil. Antes não tivesse chegado. A promessa de entretenimento irresponsável é, em realidade, um filme muito do ruim. Sério candidato a pior do ano.

O maior pecado de Os Guardiões é que a sua ruindade não é transcendente. Há filmes que são tão ruins que, por suas falhas, ultrapassam uma barreia e ficam divertidos. É o famoso "tão ruim que é bom". Os Guardiões é só ruim.

A premissa é interessante, mas no fundo é batida: na antiga União Soviética, experiências criam super-humanos com poderes especiais, assim como um super-vilão.

Não precisa ser um especialista para ver que é tudo um arremedo de Quarteto Fantástico. E o único filme bom que o Quarteto Fantástico inspirou nem é da franquia, mas sim a animação da Pixar Os Incríveis (uma clara homenagem -- e melhoria -- dos quadrinhos).

Se não, vejamos. Os Guardiões em si são quatro: uma mulher capaz de ficar invisível, Ksenya; um guerreiro que anda em altas velocidades (com o acréscimo de espadas circulares), Khan; um sujeito que manipula e se recobre de pedras, Ler; e um cientista que muda de forma -- no caso, se metamorfoseia num urso--, Arsus. Que, aliás, tem um crush em Ksenya. O vilão também cai no lugar-comum: Kuratov é um deformado que dispara raios das mãos, o que o faz controlar equipamentos mecânicos e eletrônicos. 

Sim, eu sei: ainda parece divertido. Tinha tudo para ser.

Mas o fato que, mesmo para ser descompromissado, um filme precisa ter algumas coisas básicas. Como consistência de personagens e história. A quantidade de furos é inaceitável e é até difícil enumerá-los. Parece que o roteiro foi sendo escrito sem a preocupação do que aconteceria na cena adiante. 

Não ajuda a dramaturgia pior que novela brasileira ruim, em que cada heróis expõe seus dramas -- em diálogos vexatórios de ruins. São informações que nunca fazem a menor diferença na história e que nunca são resolvidas. Parecem estar ali para aumentar o tempo de projeção. A trilha sonora aparece de maneira tão invasiva para mostrar as emoções dos personagens que arranca risadas.  

As sequências de ação poderiam ser bacanas, ao menos. Mas elas são truncadas e mal-feitas. Há momentos em que os capangas avançam apontando armas e "esperam" ser atingidos, quando poderiam facilmente terem derrubado os heróis. Até mesmo os poderes dos heróis são esquecidos (a partir de certo ponto, Ler parece esquecer seu poder de manipular rochas e fica movendo um chicote energético bem ridículo).  

Embale tudo isso com efeitos visuais que transitam entre o eficiente e o medonho -- Arsus, em sua forma de urso, só não é mais falso que a maquiagem do vilão. Fuja. Só para ilustrar, ele foi um fracasso na Rússia. 

Parece que cogitam uma sequência (há uma cena durante os créditos), que seria coproduzida com a China. Quem sabe um pouco de know-how chinês de ação não ajuda? 

Crítica: Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

Filme francês voltado para mercado internacional tem visual deslumbrante e história confusa.

ValerianA nova empreitada do diretor Luc Besson (de O Quinto Elemento e O Profissional, entre outros) tem um problema. Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é baseado numa história em quadrinhos que foi publicada na França há 50 anos. Era uma HQ revolucionária que influenciou toda a produção cinematográfica de sci-fi das décadas seguintes. Guerra nas Estrelas, principalmente, bebe muito dessa fonte. Mesmo em obras recentes, como Avatar, encontramos seu eco. 

O problema é precisamente esse: Valerian nasce como um filme que, mesmo se baseando num material original, se parece com muita coisa que o público já assistiu. 

Besson luta na sua adaptação para manter o frescor, porém. Ele investe pesadamente no aspecto visual da fita, com um grau de detalhismo muito belo. Os efeitos por computação gráfica são magistrais e as cores e texturas deste universo são fascinantes. 

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas, apesar do elenco falando em inglês, é uma produção francesa (a mais cara já realizada no país, 190 milhões de euros). Prometia-se como um candidato a quebrar a monotonia visual das grandes produções de Hollywood. Quase consegue.

As imagens de tons pasteis contrastam com a estética de cores dessaturadas e contrastes tendendo para o escuro que vemos nos títulos da Marvel (para ficar apenas num exemplo mais exitoso). O próprio uso do 3D se justifica plenamente num sem-número de enquadramentos e é um dos poucos filmes recentes no formato que valem a pena.

Triste é que não há visual que se sustente sem uma boa narrativa.

O roteiro, também assinado por Besson, é muito confuso para contar uma trama relativamente simples. Há constantes furos e inconstâncias, como se ninguém tivesse revisado o texto. Os diálogos são ruins. O problema maior, contudo, fica nos personagens e na escolha dos atores para interpretá-los.

Os jovens Dane DeHaan (Valerian) e Cara Delevigne (Laureline) não tem o carisma necessário para segurarem os protagonistas -- que já são mal desenvolvidos no roteiro. Pior ainda, não possuem química entre si que os justifique como casal. Diz-se que a relação de ambos nas HQs influenciou a interação entre Han Solo e a Princesa Leia. Mas a dupla escolhida por Besson não chega nem perto de algo assim.

O que resulta num filme aborrecido, apesar da grande quantidade de cenas de ação bem realizadas. Não nos importamos com os personagens. Não temos motivo para torcer por eles. 

A despeito de ideias muito divertidas (como a alienígena que assume diferentes formas interpretada por Rihana, ou o hilário trio de criaturas que vende informações) e da beleza estonteante de cada cenário e criatura que aparece na tela, fica difícil se empolgar. Contudo, sua estética funciona melhor na tela grande do que funcionará na tela pequena. Se for pra ver, veja no cinema.

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