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Sétima das Artes

Crítica: A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell

Adaptação de animação japonesa é irregular.

Ghost in teh ShellA Vigilante do Amanhã é a refilmagem americana com atores de uma animação japonesa lançada aqui no Brasil como O Fantasma do Futuro, que por sua vez adaptou o mangá The Ghost in the Shell.

Incrível o esforço dos tradutores das distribuidoras brasileiras em subestimar a inteligência do espectador: a fim de vender mais facilmente, criam esses títulos genéricos, que vagamente tentam referenciar a sucessos familiares. O destino é eles caírem na vala comum da memória do público. Quantos filmes com tramas de sci-fi ganharam as palavras "futuro" ou "amanhã" no seu lançamento nacional nos últimos anos? Qual seria a dificuldade de, em ambos os casos, terem traduzindo "Ghost in the Shell" literalmente? (Em tradução livre, "O Fantasma na Concha"). 

Bom, vamos ao filme. É um caso de remake hollywoodiano para faturar em cima de um filme internacional consagrado. O anime de 1995 possui uma ampla e fiel base de fãs. Precisaria ser revisto? Ou melhor, simplesmente reproduzido e mastigado para audiências americanas? 

É provável que não, como na maioria desses casos. Particularmente, eu não sou grande admirador da animação original. Lembro de momentos visualmente lindos e marcantes -- como a construção da androide Makoto, seu salto do alto de um prédio, o combate final contra o tanque. A estética da animação é realmente magnífica. Mas havia algo na história que não me conquistou; não era um filme bem narrado. 

O mesmo acontece com essa versão live-action: o que surge na tela é deslumbrante, especialmente os grandes panoramas de uma Tóquio futurista. Há um cuidado no uso do 3D e vários planos são muito belos. Mas falta conteúdo para segurar os takes uns nos outros. 

A história da androide (agora chamada de Major e interpretada por Scarlett Johansson) que tem consciência humana e que é integrada a um comando policial de elite tem dois problemas. O primeiro deles é que a discussão metafísica sobre a condição dela como ser é sempre ensaiada, nunca aprofundada. A outra é que a trama de mistério que tenta costurar a história é fraca e linear. O filme acaba ficando apenas na grandiloquência estética vazia. 

Há um terceiro problema: o tipo de discussão e reflexão que o filme busca não tem nenhuma abordagem na sua novidade. A relação orgânico e hardware já foi melhor explorada como debate ou simplesmente como drama em pencas de outros filmes desde Matrix (1999). Ou antes mesmo. Ou seja, não propõe nada de novo que faça valer a pena a sua existência. 

O elenco, pelo menos, tenta minimizar esses danos e fazer o que pode com o que têm. Aliás, foi exatamente sobre a escalação da protagonista que surgiu uma polêmica. Críticos reclamaram da transformação de uma personagem japonesa (a Makoto do original) na ocidental caucasiana Johansson. É uma prática que em Hollywood se chama "whitewashing", ou seja: atores brancos interpretando personagens que originalmente são de outras etnias. 

Até que os realizadores se esforçaram em justificar essa escolha, ao fazer com que o elenco fosse multinacional: temos o dinamarquês Pilou Asbaek, a francesa Juliette Binoche e o astro japonês Takeshi Kitano -- que fala exclusivamente em japonês durante todo o filme, mesmo quando se dirigem a ele em inglês. Kitano, aliás, rouba a cena.

De toda a forma, Johansson é uma das melhores coisas em A Vigilante do Amanhã. A atriz tenta contribuir ao máximo para a personagem. Por ter uma voz e um rosto marcantes demais, ela busca na postura corporal uma forma de diferenciar Major das suas outras heroínas de ação (como Viúva Negra e Lucy). Ela compõe sua androide com os ombros curvados e caminhar nervoso e rápido -- o que ressalta ao mesmo tempo a natureza maquinal da Major e o seu deslocamento em relação ao resto do mundo. Pena que o roteiro não dá mais para ela trabalhar.  

Crítica: Kong: Ilha da Caveira

Nova versão do Gorila gigante é uma divertida colagem de referências pop.

Divulgação/
Kong: Ilha da Caveira
Importante contextualizar que essa nova versão de King Kong está inserida no projeto da produtora Legendary, junto com a Warner Bros., de ciar um universo cinematográfico de monstros gigantes chamado MonsterVerse. Ele começou com o Godzilla de 2014 e, depois de Kong: Ilha da Caveira, tem mais dois títulos programados: Godzilla: Rei dos Monstros (para 2019) e Godzilla Vs. King Kong (para 2020). 

Ou seja, Kong: Ilha da Caveira nos apresenta um King Kong diferente do que estamos acostumados, tanto em trama quanto em algumas características. Há coisas que permanecem as mesmas: uma ilha desconhecida é dominada por um gorila de tamanho colossal, que combate outros monstros que vivem lá. Há também uma cultura humana que vive dos restos de uma civilização antiga.

Quer entender melhor? Leia a retrospectiva que eu publiquei de todos os filmes estrelados por King Kong. 

De diferente, temos as dimensões de Kong: dos sete ou oito metros da versão original de 1933 e da refilmagem de 2005, o símio tem agora mais de 30 metros de altura. A maior distinção é que a história se passa inteiramente na Ilha da Caveira, sem o clímax na civilização. Além da abordagem, claro: o filme se propõe a ser uma grande diversão descompromissada, sem as necessidades épicas da versão de 2005, por exemplo.

Comparado com o já citado Godzilla de 2014, é uma fita bem distinta em termos de tom. Aquele Godzilla tinha muito conceito, uma visão bem sólida de seu diretor de dar ênfase na destruição causada pelos monstros e no mistério da sua existência. Kong: Ilha da Caveira, por outro lado, recheia o seu conteúdo com cultura pop. 

Há referências e subversões a torto e a direito durante a projeção. A começar pelos títulos pregressos de Kong. O filme consegue referenciar todos eles: do original de 1933 (em especial no design do monstro), as versões japonesas dos anos 1960 (como a luta com um polvo gigante), a refilmagem de 1976 (um plano foca uma metralhadora rotatória) e até mesmo a versão dirigida por Peter Jackson em 2005 (nos closes da criatura solitária contemplando o horizonte).

Mas tem muito mais do que auto-referência do personagem. Tem citação até a Jurassic Park, quando Samuel L. Jackson repete uma das suas falas daquele filme -- eu ri sozinho no cinema. Nada melhor, contudo, do que as brincadeiras feitas com o clássico Apocalipse Now. A trama se passa logo depois da Guerra do Vietnã, logo é algo que faz sentido. Sabe a famosa cena dos ataque de helicópteros ao som de A Cavalgada das Vaquírias? Aqui a música é substituída, muito inspiradamente, por Paranoid, do Black Sabbath. É divertidíssimo.

Em alguns gêneros cinematográficos, o único pecado a não ser cometido é a chatice. Filme de monstro pode ser bobo, mas não pode ser enfadonho. Kong: Ilha da Caveira tem a sua maior qualidade aí: apesar de não ser nada inovador, não quer fazer nada além de proporcionar duas horas divertidas -- é um filme simples, mas que não ofende a inteligência do espectador.

A história é aquela coisa: expedição mezzo científica, mezzo militar vai para a recém-descoberta Ilha da Caveira, é atacada por Kong (numa ótima cena de ação) e tem que lutar para sobreviver não só ao gorila, mas a outras criaturas, especialmente os "lagartos da caveira", seres de caudas longas e cabeças ósseas que são o principal inimigo de Kong.

Todos os personagens são rasos e cumprem funções bem específicas: o bom caçador, a fotógrafa ambientalista, o militar doido, o eremita sobrevivente, o cientista obcecado. São quase nada desenvolvidos -- até poque podemos argumentar que o verdadeiro protagonista é Kong. Por sorte, são bons atores que os interpretam e que emprestam a eles seu carisma natural: Tom Hiddleston, a vencedora do Oscar Brie Larson, Samuel L. Jackman e especialmente John C. Reilly e John Goodman, sempre ótimos de se assistir.

O diretor é o jovem Jordan Vogt-Roberts e esse é apenas seu segundo filme. Porém, revela-se aqui um cineasta consciente do seu trabalho, em especial nas cenas de ação. Sabendo que o filme seria distribuído no formato 3D, ele se esmera em decupar as sequências com planos mais longos e, sempre que possível, bastante abertos e com a câmera fazendo movimentos estáveis e precisos. Dessa forma, o espectador pode contemplar toda a ação sem se confundir. Esse rapaz poderia dar umas aulas para Michael Bay, diga-se.

Com efeitos visuais muito bons da Industrial Light and Magic, Kong: Ilha da Caveira é um espetáculo decente e saboroso. Não esqueça, há uma cena pós-créditos que cria ligação com o próximo Godzilla.   

Crítica: Logan

Velhice e desespero retratados num filme feito à imagem dos westerns deste milênio.

Logan será considerado um excelente filme por conta do cosmos em que se insere -- no caso, o filme de super-herói. Explico: se formos compará-lo ao universo geral de filmes, ele não possui nenhuma grande novidade. Ele bebe na produção de westerns deste novo milênio, querendo fazer par a títulos como Onde os Fracos não têm Vez ou o recente A Qualquer Custo: ambientação contemporânea, personagens desolados como a terra árida onde habitam, violência crua e sem glamour ou glória. 

Mas Logan é um filme de super-herói, e dentro deste subgênero ele é um sopro de qualidade e dramaturgia. Torna-se, no comparativo, uma grande película porque não obedece às convenções que a produção recente do subgênero determina. 

É a despedida de Hugh Jackman do personagem que o lançou ao estrelato. Foi um sucesso tão grande que todos os filmes estrelados pelos X-Men até o momento (estamos falando de nada menos que dez títulos) têm a participação do ator em algum nível. É o único mutante a ter uma trilogia própria, e aparece mesmo sem aparecer, com a foto de Jackman numa capa de revista em Deadpool. Mas também também podemos dizer que é uma despedida de Patrick Stewart como o Professor Xavier. 

Nada a dizer muito sobre a história -- no futuro, um Wolverine perdendo os poderes com a idade precisa cuidar de um Professor X com problemas de saúde e de uma jovem mutante, Laura. O filme fica em torno dos personagens e da relação familiar que estes três criam entre si. O que, aliás, não é sutil: em dado momento, eles realmente se passam por uma família. 

São na agonia de um Logan cada vez mais fraco -- ao contrário de Wolverine: Imortal, sua condição não é temporária -- e nas perdas e ganhos emocionais do personagem que reside o segredo do filme. A tríade de atuações de Jackman, Stewart e da atriz-mirim Dafne Keen (que rouba boa parte do filme para ela) são a potência que arrebatam o público. 

Isso apesar das generosas doses de ação que o diretor James Mangold traz. As sequências de lutas e perseguições são sanguinolentas e intensas, mas acima de tudo tem arco dramático próprio. Pegue a cena da fuga no deserto, no início do segundo ato: a história não é interrompida para que a ação aconteça, mas continua sendo contada dentro dela. 

Mas voltemos aos personagens: para mim, o aspecto fascinante está na relação tanto de Logan quanto de Xavier com a velhice. Se num ela provoca a perda dos poderes, no outro leva a perder o controle sobre eles. Ficam ao mesmo tempo mais fracos e mais poderosos. A incapacidade que toma conta dos personagens se transfere para seus sentimentos e relações interpessoais, cada vez mais difíceis. 

Há uma moda em Hollywood de fazer filmes com atores idosos, fazendo crer que eles continuam fodões. A idade serve como fonte de piadinhas sobre colesterol. Diverte, como na série Mercenários. Mas em Logan a velhice não é divertida. Ela é real. É inexorável, exaustiva. 

Ver os personagens tão frágeis, portanto, passa a ser angustiante. Jackman interpreta Logan sem prazer. Vemos na sua expressão a agonia de quem quer lutar como fazia no passado -- o que só o deixa ainda mais ferido e incapaz a cada investida. Não torcemos para que ele entre no combate e vença, mas sim que ele pare de se machucar. Um Xavier rabugento e impaciente é trágico, porque está despido totalmente daquela veneração pelo ofício de professor.

Os realizadores sabiam que os personagens trariam o investimento emocional do público. Então são inteligentes em não enganar sua audiência. Há uma cena específica em que torcemos que ela seja um pesadelo -- porque ela é construída como esse clichê moderno de "sonho oculto". Esperamos que os personagens acordem, mas aos poucos vamos nos dando conta que o que está na tela é a verdade da narrativa. James Mangold e os roteiristas merecem aplausos pela coragem a mais que seus colegas de Hollywood mostrada nessa sequência. 

Outra decisão digna de aplausos é fazer um clímax simples, empurrado mais pelo drama dos personagens do que pela necessidade de se fazer um espetáculo. Tinha medo que os realizadores terminassem o filme apelando para o que eu chamo de "grande efeito visual". Ou seja, que recorressem a um combate superlativo num cenário de grande escala (como os dois filmes anteriores do protagonista), oferecendo um espetáculo de luz e som para promover a catarse fácil da audiência. Aqui, a catarse é dramatúrgica. Lógico que há efeitos visuais, mas construção visual e narrativa a sequência não é definida por eles. Os efeitos, aqui, são ferramentas e praticamente "invisíveis". 

Logan cita Os Brutos Também Amam, clássico de 1953, daqueles que envelheceram muito mal. Pode ser uma citação cheia de veneração, mas também repleta de auto-sarcasmo: nem tudo que é velho é bom. E como eu citei mais acima, Logan deve mais a Onde os Fracos não têm Vez do que à era dourada do western. 

Entretanto, por outro lado, há de se admitir que a força do título não está somente nesse filme, mas na vida pregressa de seus personagens nas telas. A jornada que acompanhamos é mais longa. Ajuda muito a se emocionar se o espectador for fã dos mutantes, seja dos quadrinhos ou do cinema. 

Há alguns anos, a Marvel pensava em fazer alguns de seus personagens chegarem às telas em produções com estilo independente. Isso era antes da consagração do Universo Cinematográfico Marvel (MCU) como modelo de negócio. A ideia da pegada indie foi para as séries, como Jessica Jones e Demolidor. Mas com os sucessos de filmes com esse mesmo instinto -- além de Logan, podemos colocar Deadpool nessa lista --, talvez vejamos veremos encarnações de super-heróis mais interessantes com mais frequência por aí.

Restrospectiva King Kong

O novo filme do Rei estreia semana que vem, é uma boa hora para se relembrar da sua trajetória nos cinemas.

King Kong é um dos personagens mais reconhecíveis da cultura pop. Sua característica mais marcante é a de ser uma criatura do cinema: nasceu nas telas antes das páginas de livros ou imagens de quadrinhos, através de técnicas só possíveis no audiovisual. 

No dia 9 de março de 2017, ele estará de volta em sua sétima encarnação cinematográfica. Parece pouco, se pensarmos que ele primeiro estrelou uma produção há 84 anos atrás. Vamos aproveitar a ocasião para fazer uma retrospectiva da carreira do monstro. 

1. King Kong (1933). Direção de Merian C. Cooper e Ernest B. Shoedsack. Efeitos especiais de Willis O'Brien.

Entende-se muito da Hollywood de hoje assistindo ao King Kong original. Ele assenta as diretrizes do que a partir dos anos 1970 se fundamentou como o cinema "blockbuster": uma obra de grande apelo popular, transitando entre diferentes gêneros, que oferece uma catarse espetacular de som e imagem. É também uma espécie de "filme de comitê": aquelas produções onde várias cabeças idealizam em conjunto, tirando da responsabilidade de um artista só a concepção artística da obra. 

Há muito que dizer sobre o primeiro King Kong, pela sua importância para a época e pela sua influência. Vamos aqui tentar ser básicos: ele é fruto dos talentos de quatro pessoas. A ideia veio de Merian C. Cooper, não só um produtor audacioso, mas também um aviador de combate que participou tanto da Primeira como da Segunda Guerra Mundial. Durante anos, ele gestou a ideia de um filme em que um gorila gigante enfrentasse répteis monstruosos -- inclusive, ele pensou em efetivamente ir à África capturar um gorila vivo e colocá-lo para lutar contra dragões de komodo.

O entusiasmo para essa maluquice cinematográfica era dividido com Ernest B. Shoedsack, um operador de câmera indomável. Shoedsack filmou o front francês durante a Primeira Guerra, e um ferimento nos olhos não foi o bastante para que ele largasse a carreira. Viajou para lugares distantes na Ásia para filmar "dramas naturais" (documentários) com povos indígenas e animais selvagens em frequentes situações de perigo para ele mesmo. Se Cooper veio com o sonho, Shoedsack veio com a vontade de filmar. 

Ambos passaram algum tempo, porém, sem um roteiro para sua ideia. A questão foi resolvida por Ruth Rose. Aventureira por natureza, foi atriz na Broadway antes de virar historiadora. Conheceu Cooper e Shoedsack numa expedição às Galápagos e passou a ser parceira de ambos, escrevendo e produzindo os "dramas naturais". Ao assumir o texto de Kong, criou o trio de personagens humanos à imagem e semelhança de si e dos dois amigos -- uma curiosa personalização de uma história aparentemente tão superlativa. 

O quarto principal responsável foi artista de efeitos especiais Willis O'Brien, pioneiro da técnica de animação em stop-motion (que consiste em animar pequenos bonecos quadro a quadro). O'Brien já tinha realizado o primeiro grande sucesso baseado em efeitos visuais ainda nos tempos do cinema mudo, O Mundo Perdido (1925), em que ele dava vida a várias espécies de dinossauro. Ao conhecer a técnica, Cooper se deu conta de que era o que precisava para transformar seu primata gigante em realidade. 

Ao ser lançado, King Kong foi recebido com choque pelo público, que não acreditava na grandiosidade do que via. Foi uma das maiores bilheterias de 1933, e ainda teria relançamentos muito exitosos em 1938, 1942 e 1952. Foi uma obra revolucionária tecnicamente, tanto nos efeitos como no uso de sons e música. Ainda hoje, apesar da idade, possui um ritmo intenso e um delicioso aspecto de sonho. Vale a pena assistir e estudar sobre essa obra. A história é conhecida: expedição encontra uma ilha reinada por um gorila gigante, Kong, que se apaixona pela mocinha. Ele é capturado e levado para Nova York, onde causa o caos. 

No mesmo ano, Cooper, Shoedsack, Rose e O'Brien receberam do estúdio RKO um pedido para uma continuação. O resultado é um filme infantil em que King Kong não aparece, O Filho de King Kong (1933). O novo gorila é uma espécie de filhote grande, chamado apenas de Pequeno Kong. O título costuma ser considerado parte do histórico oficial do personagem, mesmo sem a sua presença. Demoraria algum tempo até um novo Kong surgir na tela grande -- de maneira um pouco torta, diga-se. 

É importante dizer que o quarteto de realizadores ainda faria mais um filme tendo um símio gigante como protagonista, O Poderoso Joe original (1949). De certa forma, montaram uma trilogia não-oficial. 

2. King King Vs. Godzilla (1962). Direção de Ishiro Honda. Efeitos especiais de Eiji Tsuburaya.

A história é mais ou menos assim: o King Kong original fez muito sucesso no Japão na década de 1930, inspirando duas imitações nipônicas hoje perdidas. Num dos relançamentos internacionais da obra, em 1952, mais uma vez os cinemas japoneses lotaram. A popularidade do gorila fez o produtor Tomoyuki Tanaka, da produtora Toho, criar seu próprio monstro, copiando um pouco a trama de outro filme americano da época, O Monstro do Mar (1953). O resultado é o igualmente icônico Godzilla (1954).

Ao sucesso de Godzilla seguiu-se um sem número de produções de fantasia e ficção-científica japonesas nos anos seguintes, que inundaram também o mercado ocidental. Enquanto isso, tanto Cooper quanto O'Brien tentaram, sem sucesso, viabilizar outros filmes com Kong. Os direitos do personagem são bastante confusos e havia uma guerra nos tribunais para saber quem tinha a propriedade intelectual de Kong.

Uma das ideias de O'Brien era colocar o gorila lutando contra uma versão gigante do monstro do Dr. Frankenstein. A ideia chegou ao Japão e Tanaka, interessado, juntou-se ao esforço. A criatura de Frankenstein foi substituída por Godzilla e O'Brien, no fim das contas, não teve participação. 

Não é preciso dizer que a animação stop-motion era muito cara, o que fez os realizadores optarem pela técnica japonesa de efeitos, que consistia em vestir um ator com uma sofisticada roupa de borracha (na época, nem tão sofisticada assim) e colocá-lo num cenário em miniatura. Em termos de características, o Kong japonês ganhou tamanho (dos cerca de 6 metros de altura de 1933 para 45 metros) e a capacidade de ficar mais forte se alimentando de eletricidade. Na história, Godzilla ressurge de sua prisão de gelo, enquanto Kong é encontrado numa ilha e levado para o Japão. Os dois monstros à solta promovem a destruição do país, até se encontrarem e lutarem um contra no outro no alto no Monte Fuji. 

O resultado de King Kong Vs. Godzilla é tecnicamente risível, do tipo "tão ruim que é bom". Virou objeto de culto com o passar dos anos. Mas também arrastou multidões no Japão, tendo feito mais de 11 milhões de espectadores. 

3. A Fuga de King Kong (1967). Direção de Ishiro Honda. Efeitos especiais de Eiji Tsuburaya.

O sucesso do primeiro filme fez a Toho e Tomoyuki Tanaka encomendarem uma continuação, em que Kong enfrentaria um monstro marítimo. Os parceiros americanos do projeto, porém, tinham outra ideia. Apresentaram um roteiro totalmente diferente, baseado numa série animada protagonizada por Kong, bastante popular naquela época. Contanto novamente com a direção do mestre de filme de monstro Ishiro Honda, o título recebe o nome de A Fuga de King Kong.

A história é um pastiche de tudo que se imagina: Kong é redescoberto numa ilha habitada por dinossauros e é capturado por cientista malévolo chamado Dr. Who (não, nada a ver com a série inglesa). O vilão quer usar o monstro para minerar um elemento radioativo e, quando perde o controle de Kong, lança contra ele seu robô gigante. 

O grande atrativo dessa aventura é a luta de Kong contra sua versão robótica, Mechani-Kong. Já o filme com o monstro do mar foi feito, mas com Godzilla substituindo o gorila (chama-se Ebirah, Terror dos Abismos). 

4. King Kong (1976). Direção de John Guillermin. Efeitos especiais de Carlo Rambaldi, Glen Robinson e Frank Van der Veer.

Pouco tempo depois das aventuras japonesas com Kong, Hollywood se agitou com uma disputa pela refilmagem do clássico. De um lado, estava a Universal, que pretendia fazer um remake mais fiel ao original. De outro, o produtor italiano atuando nos EUA Dino De Laurentiis, que queria modernizar a história. Laurentiis venceu a queda de braço e entregou a direção ao veterano John Guillermin, que vinha do grande sucesso de bilheteria Inferno na Torre.

Apesar do orçamento farto, mais uma vez não se optou pela animação em stop-motion, mas sim por uma versão mais elaborada dos efeitos japoneses. O ator dentro da roupa de King Kong era Rick Baker, que depois viraria um premiadíssimo maquiador de efeitos (tem sete Oscars na sua prateleira). O roteiro segue a mesma história de encontrar Kong e levá-lo para a civilização, mas sem dinossauros e com temas e ambiente setentistas.

O filme foi massacrado pela crítica, mas ganhou o público graças a uma estupenda campanha de marketing e durante décadas cimentou o imaginário moderno sobre o gorila. Recebeu o Oscar de efeitos visuais.

5. King Kong 2 (1986). Direção de John Guillermin. Efeitos especiais de Carlo Rambaldi.

Uma década depois do sucesso da refilmagem, Laurentiis junta parte da mesma equipe e faz uma continuação direta. O resultado é um fiasco absoluto: o filme é horrível e foi um desastre nas bilheterias. Na história, Kong é trazido à vida com um coração artificial, enquanto encontra-se uma gorila fêmea gigante para lhe fazer par. 

6. King Kong (2005). Direção de Peter Jackson. Efeitos especiais da Weta Digital. 

Peter Jackson ainda era um jovem cineasta neozelandês quando recebeu a primeira proposta, vinda da Universal, de dirigir uma nova refilmagem de King Kong. O original sempre foi o filme favorito do diretor, que inicialmente recusou -- depois, disse ter ficado assombrado de alguém assumir o posto e fazer um trabalho ruim. 

Jackson passou então anos no projeto, que seria mais fiel ao de 1933. A produção foi interrompida no fim da década de 1990, e Jackson acabou se dedicando a outro projeto pessoal: a trilogia O Senhor dos Anéis. Com o sucesso da franquia, a Universal retomou o projeto e deu carta branca a Jackson. Os efeitos, lógico, usam o melhor da computação gráfica produzida pela mesma equipe da saga do Anel. 

O resultado é um ótimo filme de aventura e fantasia, que honra a fonte. A história é ambientada nos anos 1930 e o design reproduz o clima fantástico do primeiro. Apesar disso, foi um sucesso moderado nas bilheterias. 

7. Kong: Ilha da Caveira (2017). Direção de Jordan Vogt-Roberts. Efeitos especiais da Industrial Light and Magic.

No início da década, a Legendary Pictures (empresa associada à Waner Brothers) anunciou uma nova versão hollywoodina de Godzilla (o 29o. título com a criatura). Logo após a estreia, em 2014, a companhia anunciou planos de elaborar um universo cinemático de monstros (chamado de MonsterVerse) baseado nos clássicos japoneses da Toho. Além de uma continuação para seu Godzilla, foi anunciado também uma nova versão de Kong. Não uma refilmagem do original, mas uma obra que se relacione com Godzilla para um novo reencontro deles nas telas.

Se a nova história cair no agrado do público, esse novo Kong terá data para voltar: 2020, em um novo Godzilla Vs. Kong

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