

Enviar por e-mailA parte mais chatinha de mudar de casa é resolver o que levar e o que colocar fora/dar/consertar/guardar. É um processo longo e que muitas vezes evoca emoções diversas. Para quem não leu nos meus posts anteriores, meu namorado e eu estamos nos mudando de uma casa que dividimos com duas amigas nossas para um apartamento de dois quartos onde vão morar nós dois e pronto. Sem mais divisões, sem mais esperar para usar a cozinha, sem ter que fazer silêncio ao andar pelos corredores de madrugada e, principalmente, sem ter que limpar a bagunça dos outros que, pra ser sincera, é o que mais me incomoda.
Mas voltando ao assunto deste post... vamos nos mudar para um lugar só nosso, mas que é menor do que a casa onde moramos atualmente. Por exemplo, aqui na casa temos um porão enorme, onde podemos colocar vários entulhos e coisas que não queremos jogar fora... ainda. Pois bem. Agora chegou a hora de ir naquele porão e começar a abrir caixas e mais caixas para decidir o que vale a pena levar para a nossa nova vida a dois. E o processo não poderia ser mais torturante.
Eu me apego à certas coisas muito facilmente. Muitas delas não tem quase nenhum valor material, mas valor sentimental. O meu problema é que eu coloco um certo valor sentimental em quase tudo, mesmo que seja uma coisa minúscula. E daí, colocar fora vira uma decisão monstra, muitas vezes produzindo até lágrimas. Ok, ok... sei que sou meio drama queen, mas não sei ser diferente.
Roupas, por exemplo. Já vasculhei o meu armário umas três vezes para ver o que pode ser dado para a caridade e, destas três vezes, devo ter colocado pra fora umas três peças, no máximo. Brincadeira, né? Depois vêm os sapatos, as bolsas (pelas quais tenho paixão) e mantas (que também adoro). Sim, claro que têm algumas que já não uso faz muito tempo, mas quando decido colocar fora, penso que aquela manta eu usei uma vez quando fui encontrar uma amiga querida e nos divertimos muito... e daí a manta volta novamente para o seu lugar original. É difícil me desapegar.
Quando fui tentar diminuir a minha quantidade de cadernos e blocos de notas, então, foi outra decepção. Simplesmente acho tudo importante. Vejo uma frase em um caderno e penso “Ah… isso pode virar um post no blog um dia.” Vejo recortes de revistas e jornais que um dia me inspiraram e não consigo colocar nada fora, pois penso que se aquilo foi inspiração para mim um dia, ainda está valendo. E assim vai. O resultado é que passo horas e horas olhando coisas, caminhando pelo vale das memórias perdidas e não coloco nada fora por puro vício nostálgico. Ahhhh!
Hoje, no entanto, decidi que lidaria com a situação como se eu fosse uma profissional de arrumações, uma pessoa que estivesse vendo as gavetas cheias lá de cima e pensasse... não, isso nao pode continuar. E, assim, passei o dia enchendo a lata de lixo com coisas que não fazem mais parte do meu presente.
Não foi nada fácil mas, agora, depois da tarefa cumprida, me sinto feliz por ter tido a coragem de me desapegar e me desfazer de certas coisas que não fazem mais parte da minha vida e que, portanto, não precisam ser guardadas. Se valeu a pena, vai ficar na memória. Eu não preciso de algo para me lembrar de tudo! Claro, nunca vou me livrar de algumas coisas que têm um significado importante para mim. Mas é necessário saber discernir aquilo que é mesmo importante daquilo que um dia foi importante e não é mais.
E assim foi o meu dia. Cheio de emoção, com algumas lágrimas e alguns momentos onde um item ia na minha mão até o lixo e depois voltava para eu dar mais uma olhadinha nele, lembrar disso e daquilo de novo e finalmente, mover a mão até o lixo de novo e largar o item lá. Desapegar-se é um grande alívio e serve para tirar a bagunça da nossa vida e começar de novo, com as gavetas vazias para novas memórias. É um processo talvez doloroso, mas necessário e terapêutico, pois de nada vale viver do passado quando o presente é tão bonito e o futuro está sorrindo ali na frente.