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Suécia: Ministra assina reforma e parodia Trump

A reforma, proposta ao Parlamento pelo governo sueco nesta última quinta-feira tem como objetivo atingir zero emissões de gás de efeito estufa em 2045..

  • A Vice-Primeira-Ministra da Suécia e seu ’’governo feminista’’ assinando reforma em prol do meio-ambiente
    Foto: Reprodução
  • A foto é uma paródia de Donald Trump e sua equipe
    Foto: Reprodução
A foto na qual Isabella Lövin, vice-Primeira Ministra e também Ministra do Meio-Ambiente, aparece assinando a reforma cercada de conselheiras mulheres fez um enorme sucesso nas redes sociais no mundo todo.
Isto porque ela e suas conselheiras apareciam exatamente na mesma posição em que Trump e seus conselherios, todos homens, estavam quando ele assinou, no dia 23 de janeiro, um decreto cortando o financiamento de ONGs que apoiam projetos envolvendo o aborto.
“Somos um governo feminista e isto é visível na foto”, disse Lövin, “mas cada um pode interpretá-la como quiser”, ironizou ela.
Para cumprir o objetivo da reforma, a Suécia deverá reduzir 85% das suas emissões, se comparadas com os níveis do ano de 1900. Os 15% restantes, segundo o documento, serão zerados via a plantação de florestas que absorvam emissões de gás carbono e também via o aumento de investimentos em projetos autosustentáveis no exterior.
Além disso, a reforma prevê que no término do seu mandato, o governo em atividade deverá apresentar ao Parlamento um relatório sobre a situação do seu "plano de ação em favor do meio-ambiente". Se aprovada, a reforma será aplicada à partir do 1º de janeiro 2018.
“A Suécia quer dar um exemplo para o mundo, em tempos em que os clima-céticos estão ganhando poder e influência novamente”, explicou o Primeiro-Ministro, Stefan Löfven, em encontro com a imprensa.
Löfven criticou abertamente a política sobre o meio-ambiente do novo president americano, Donald Trump. Trump, como você sabe, declarou que não acredita em mudancas climáticas. Ao tomar posse, ele confirmou que sua administração vai estimular as indústrias que utilizam combustíveis fósseis tais como o carvão e o petróleo, altamente poluentes.
Durante a entrevista, Löfven fez um apelo à União Européia para que tome a liderança mundial da luta contra as mudancas climáticas « agora que os Estados Unidos não estão mais em posicão de liderar ». Ele também aproveitou para parabenizar a India e a China pela decisão dos dois países de respeitar o Acordo de Paris.
« Esta deve ser a política mais ambiciosa de qualquer nação desenvolvida», martelou Löfven. « Aqueles que ainda querem investir em combustíveis fósseis serão perdedores a longo prazo », concluiu Isabella Lövin sem meias-palavras.
Ao que tudo indica, a Suécia pode tornar-se um contrapeso moral ao governo americano de Donald Trump. E sem perder o senso de humor.!

Reino Unido: Trump ou não Trump? Eis a questão

Protestos nas ruas indicam que a relacão do governo de Theresa May com a nova administração americana será muito mais problemática do que parece, sobretudo em tempos de Brexit..

Ben Stansall/AFP
Protesto em Londres contra a nova política de imigração de Donald Trump
“Vergonha à May” (Shame on May) dizia o cartaz colado por um manifestante na frente do nº 10 Downing Street, a sede do governo britânico em Londres.
Apenas dois dias após a sua visita ao presidente americano Donald Trump em Washington, que havia sido acolhida com bons olhos pela imprensa conservadora do Reino Unido, a primeira ministra Theresa May encontra-se em uma posição extremamente delicada.
Isto porque, horas após sua visita à Casa Branca, Donald Trump anunciou o seu veto a entrada nos Estados Unidos de refugiados e pessoas com nacionalidade de sete países de maioria muçulmana (Iraque, Iran, Somália, Síria, Yemen, Líbia e Sudão ). Este decreto é considerado pela comunidade internacional como uma medida racista, antimuçulmana e desrespeitosa do direito internacional.
May é acusada pelos britânicos de ter sido conivente com a decisão de Trump, uma vez que não a condenou, e de ter convidado de forma precipitada o presidente americano para uma visita de Estado ao Reino Unido no final deste ano.
Nesta segunda-feira, milhares de pessoas foram às ruas em todo o Reino para protestar contra o decreto anti-imigração assinado por Donald Trump.
Além disso, mais de um milhão e meio de assinaturas de apoio a um abaixo-assinado pedindo ao governo britânico para anular a visita de Estado do presidente americano, obrigaram o Parlamento a reunir-se para discutir do assunto ontem à tarde. (O Parlamento deve reunir-se sempre que um abaixo-assinado ultrapassa as cem mil assinaturas).
E os debates no Parlamento foram tão vigorosos quanto os gritos dos manifestantes nas ruas. Inflamado, Dennis Skinner, do Labour Party, chamou Trump de facista. Seu colega, Mike Gapes, chamou Theresa May de simples apaziguadora (Theresa the appeaser). Para o líder do Labour, Jeremy Corbyn, “se ela não cancelar a visita de Trump, Theresa May vai abandonar o povo britânico”.
“Sou o único a pensar que nossa primeira ministra, por razões políticas erradas, empurra ESTE HOMEM nos braços da nossa rainha?” twitava o ex-líder dos Liberal Democrats, Paddy Ashdown, referindo-se ao fato de que, tratando-se de uma visita de Estado, Donald Trump será recebido com a pompa máxima pela rainha e pelo seu filho, o príncipe de Gales.
A situação tornou-se tão delicada que o próprio campo político de May metralhou críticas ao governo. “Eu não estou nem aí para a relação especial com os EUA”, criticava a deputada conservadora Heidi Allen. “Alguns limites não devem ser infringidos”, dizia ela. Ben Howlett, conservador, defendia que “está claro que o decreto americano deveria ter sido condenado”, pedindo ao governo May que ele seja mais firme diante da administracão Trump.
Apesar da críticas, Theresa May já respondeu que não pretende mudar de idéia. “O convite foi feito e continua de pé”, afirmou.
Sua posicão no entanto esconde uma evidência: a relacão com a nova administracão americana será muito mais problemática do que parece, sobretudo em tempo de Brexit.
Sem o apoio da União Européia, May precisa mais do que nunca dos Estados Unidos, tanto comercialmente quanto politicamente.
Mas o Reino Unido discorda dos americanos sob vários aspectos. A começar pelo comércio, que é supostamente o pilar da relação que Theresa May deseja construir com os EUA. A posição protecionista de Trump não vai ao encontro do liberalismo econômico desejado pelos ingleses.
Além disso, Theresa May já se disse defensora da OTAN, organização vista como obsoleta por Donald Trump. E assuntos como as sanções econômicas contra Moscou, defendidas pelo Reino Unido, também riscam de dividir ingleses e americanos em um futuro próximo.
Para agravar esta situação delicada que toma ares de drama Shakespeariano, os europeus, criticados abertamente por Donald Trump, certamente não facilitarão as negociações dos termos de saída do Reino Unido da União Europeia se pensarem que Theresa May é amiga demais dos Estados Unidos.
Trump ou não Trump. A resposta pode custar caro para a primeira ministra britânica. Enquanto isso, membros de ONGs como Stand Up to Racism e Stop the War planejam “o maior protesto da história” que deverá coincidir com a visita de Trump à Londres. Este será talvez o ato II do drama de Theresa May.

As crianças apátridas do Estado Islâmico

Com as recentes derrotas da organização terrorista "Estado Islâmico" no Iraque e na Síria, a comunidade internacional deverá encontrar uma solução jurídica para as milhares de crianças nascidas em território ocupado pelo EI.

Jornal Ouest-France
As crianças apátridas do Estado Islâmico
Na semana passada, com a liberação da parte leste da cidade de Mossul (Iraque) das mãos da organização terrorista “Estado Islâmico” (EI), os jornais europeus têm mostrado fotos e reportagens sobre o retorno da vida ao ritmo normal.
Lojas reabrindo, mulheres tirando seus niqabs e suas burkas (ver o post de Mais Mundo “Biquíni X Burkini” para saber mais sobre estes trajes) e, principalmente, crianças voltando aos bancos das escolas.
Após dois anos de uma ocupação monstruosa pelo autoproclamado “califado” do EI e três meses de lutas e bombardeios intensos, trata-se é claro de uma bela notícia para estas crianças e suas famílias.
Mas, como explica a correspondente do jornal francês Le Monde em Mossul, as condições de vida na cidade continuam dificílimas.
Sabe-se que estas crianças foram expostas sistematicamente à violência, tanto nas ruas – assistindo às múltiplas cerimônias de decapitação e linchamentos públicos praticados pelo EI, quanto nas escolas obrigatórias do califado.
Estas “escolas”, frequentadas por criancas dos 6 aos 15 anos, aplicam o currículo imposto pelo « Ministério da Educação » do califato (Diwan al-Ta`aleem) e ensinam ideologia radical assim como matérias práticas como tiro, dessensibilização à violência e artes marciais para os meninos, e “como cuidar de um marido” para as meninas. Múltiplos testemunhos de estupro destas estudantes pelos soldados do EI foram divulgadas na imprensa.
Mas os problemas destas crianças não param por aí. Segundo a ONG internacional Human Rights Watch, as milhares de crianças nascidas a partir de 2012 (ano da expansão geográfica do EI) na área de 60 mil quilômetros quadrados situada entre o Iraque e a Síria e ocupada pelo califado, são apátridas.
Além disso, segundo a Fundação Quilliam, 31 mil mulheres estariam grávidas em território controlado pelo EI.
Embora instâncias do « Estado Islâmico » em Mossul e em Rakka (Síria) emitam certificados de nascimento, segundo o Human Rights Watch, estes certificados não são reconhecidos nem pelo Iraque nem pela Síria, nem pela grande maioria dos países estrangeiros de onde o pai ou a mãe destas crianças são originários.
No caso do Iraque, para que uma criança seja reconhecida, ambos os pais devem estar presentes, condição difícil de reunir em tempos de guerra. Mas, sobretudo, filhos de estrangeiros e filhos de soldados do Estado Islâmico não são reconhecidos.
No caso da Síria, as mulheres não transmitem a nacionalidade para os filhos, somente os homens. Quando os pais são soldados no front, ou foram mortos, ou são soldados estrangeiros do Estado Islâmico (muitos vindos da Líbia e da Turquia, mas também do Uzbequistão, da Arábia Saudita e de países europeus como a França, a Bélgica ou a Alemanha) a nacionalidade síria não é concedida.
Ser apátrida, explica o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados UNHCR), significa não ter acesso à direitos fundamentais tais como saúde, educação, e mais tarde, conta em banco e contrato de trabalho.
Segundo a jornalista iraquiana Ghazwan Hassan al-Jibouri, em maio de 2016, mais de 300 crianças não puderam inscrever-se nas escolas iraquianas porque tinham certidões de nascimento do « Estado Islâmico ».
As recentes derrotas do EI no Iraque e na Síria estão provocando a fuga de mães estrangeiras que começam a entrar em contato com seus Consulados com a intenção de voltar aos seus países de origem.
O reconhecimento legal dos filhos dos adeptos do regime terrorista “Estado Islâmico » é o primeiro passo para reeducá-los e integrá-los. É também a única via para uma paz durável na região.
Para saber mais :
https://www.hrw.org/news/2016/11/23/children-caliphate
https://www.quilliamfoundation.org/wp/wp-content/uploads/publications/free/the-children-of-islamic-state.pdf

Davos: o fórum da 'desmundialização'?

Começa hoje nos Alpes suíços o 47º Fórum Econômico Mundial de Davos, que reúne chefes de Estado, PDGs, funcionários e empresários do mundo todo. Presentes oficialmente para debater em torno do tema « Liderança reativa e responsável », a nata do poder e do dinheiro no mundo não poderá ignorar o instável contexto mundial. Populismo, desigualdades, protecionismo. Seria este o ano do tão esperado mea culpa em Davos ? .

Xi JinpingMais de cinco mil militares foram colocados à disposição dos organizadores deste 47º Fórum Econômico Mundial de Davos pelo Estado Suíço. Eles devem garantir a segurança dos três mil participantes, um número recorde de inscritos.
Desfilando pela minúscula rua principal desta charmosa estação de ski estarão 1200 PDGs, 50 chefes de Estado e de Governo e dirigentes das maiores organizações internacionais como Christine Lagarde, chefe do FMI (Fundo Monetário Internacional), Roberto Azevedo, da OIC (Organização Internacional do Comércio), Jim Yong Kim, do Banco Mundial, e Antônio Guterrez, secretário geral da ONU. 
A vedete do Fórum, no entanto, será sem dúvidas o presidente chinês Xi Jinping. Presente pela primeira vez este ano, Xinping foi convidado para fazer o discurso de abertura.
Em visita oficial à Suíça desde domingo passado, ele se diz pronto para fazer da China o primeiro guardião da mundialização e do livre-comércio, preenchendo o vazio deixado pela troca de administração nos Estados Unidos e pela crise política na Europa (nem Angela Merkel nem François Hollande estarão presentes em Davos). « Este será o encontro de um mundo ao contrário », dizia ontem o jornal francês Le Monde, referindo-se à posição chinesa.
A concomitância do Fórum de Davos com uma semana política internacional particularmente conturbada, pode também contribuir para reforçar esta sensação vertiginosa de um mundo fora do lugar. E dar o que falar em Davos. Semana esta que começou com as declarações de antipatia e desprezo de Donald Trump pela União Europeia e seu apoio ao Brexit, passando pelo anúncio da primeira-ministra britânica Theresa May sobre a adoção da opção « hard-Brexit » (saída dura, sem exceções, do Mercado Comum Europeu), e que vai terminar com a posse de Donald Trump na Casa Banca.
Mas o assunto mais comentado em Davos talvez não venha necessariamente das manchetes políticas, mas dos números e estatísticas. Com o intuito de influenciar as discussões no Fórum, a ONG inglesa Oxfam publicou ontem o relatório-bomba « Uma Economia à Serviço dos 99% », revelando entre outras coisas que as oitos pessoas mais ricas do mundo detém um patrimônio igual ao da metade mais pobre da população mundial.
A ONG acusa as grandes empresas multinacionais e as maiores fortunas do planeta de contribuir voluntariamente à exacerbar este nível « indecente » e « politicamente insuportável »de desigualdade por meio da isenção e não pagamento de impostos, da redução de salários e da maximização da renda dos acionistas. « A evasão fiscal das grandes empresas custa 100 bilhões de dólares ao países pobres cada ano », denuncia a ONG, que acusa os Estados de conivência.
O relatório da Oxfam é o alarme máximo, mas esta tendência já vem sendo estudada e denunciada há décadas. Estudos elaborados por organizações internacionais, ONGs e até mesmo governos, vêm mostrando que desigualdades, protecionismo e populismo são três fenômenos intimamente ligados. E que são efeitos colaterais da mundializacão tal como ela vem sendo praticada pelos nossos dirigentes e defendida pelas grandes empresas.
A fórmula é simples : Se nada for feito para reduzir as desigualdades sociais e econômicas, o populismo vai se espalhar, e com ele o protecionismo.
Esperemos que os 1% que se beneficiam do status quo, e que reservaram um quarto de hotel em Davos esta semana, consigam desta vez enxergar a realidade descrita pelos números da Oxfam e pelas notícias internacionais. Sob o risco de que o próximo Fórum tenha como tema a « desmundialização ».
Para ler o relatório da Oxfam completo, clique aqui. 

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